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20-01-2008 23:00:00

ImageO gestor da Accenture, Ezio Armando, considera que muitas empresas não estão a implementar uma verdadeira estratégia de SOA: estão antes a adoptar uma visão “Service Oriented Integration”. Não traz tantos benefícios, mas pode até resolver os principais problemas.

 

 

 

 

“O mercado demorou três a quatro anos a perceber o conceito de SOA”, diz o gestor sénior da Accenture, Ezio Armando. Até 2006. Entretanto, começaram a surgir os resultados das primeiras implementações, e percebeu-se que com as arquitecturas SOA se resolvem problemas de “time to market” e de agilidade, por exemplo. “Mas não resolve tudo.” E em alguns casos, basta solucionar parte dos problemas. Muitas empresas começaram a implementar Web Services, mas não prosseguiram a sua evolução na adopção de uma SOA, segundo o gestor. “Uma das estratégias que as empresas estão a seguir é adoptar os Web Services para desenvolverem uma arquitectura de SOI: Service Oriented Integration”. Mas a SOI o que é? “É uma forma de substituir a Enterprise Application Integration. Os Web Services estão a ser usados para ligar aplicações monolíticas”, afirma Armando. É mais barato, há padrões estabelecidos, além de oferecer outros benefícios. “Mas não oferece a flexibilidade, oferecida pelas arquitecturas de SOA”, ressalva o responsável. E não corresponde à visão completa preconizada pelas SOA. “É apenas um passo”. Há até, segundo o gestor, uma certa confusão, e as empresas esquecem que “falta na arquitectura a orquestração de processos de negócio”, por exemplo. Além disso, a SOI não confere flexibilidade aos processos. Muitas vezes há grandes desilusões porque as empresas adoptarem uma estratégia de SOI em vez de SOA, “não havendo depois correspondência de expectativas”.

 

SOI com vantagens mais imediatas


Contudo o investimento numa estratégia de SOI oferece vantagens mais imediatas. Resulta, por exemplo, em redução de custos logo desde o início, de acordo com Ezio Armando. Uma estratégia de SOA exige o investimento importante em infra-estrutura. Por isso, no início do projecto, a redução de custos é menor. “Não tem a ver tanto com a formação de recursos existentes, mas é mais uma questão de curva de aprendizagem do que de licenças”, explica o responsável. O que é “mesmo interessante é a reutilização de serviços que se faz depois”, proporcionando importantes reduções de custos. Mas é necessário perceber “como podem ser usados e que serviços são expostos como tal”. Não é possível dar como reutilizáveis todos os serviços. Porquê? “Tornar-se-ia muito caro. Expor serviços envolve custos operacionais ”, sustenta. O gestor explica que serviços mais “específicos” não devem ser por isso “expostos”. Entre os que podem ser expostos devem considerar-se serviços como a gestão de clientes, a encomenda de produtos a criação do registo de cliente, ou o serviço de pedido de encomenda.
O facto de muitos projectos de SOA não serem abrangentes constitui um falso problema para o responsável. Nesta fase “é arriscado ter projectos totalmente abrangentes”. Porque podem não resultar…

 

Infra-estrutura necxessita do maior investimento


Na estrutura de custos para a implementação, segundo Armando a infra-estrutura envolve o maior investimento. E o software necessário exige muito menos do que o investimento nas pessoas. “Muitas vezes as empresas não medem os custos com os recursos humanos”, alerta.
O gestor considera que o software dos grandes fabricantes “pode ser caro”. Mas sugere que muitas soluções serão facilmente conseguidas usando software de código aberto. Mesmo apesar da questão do suporte, a qual depende do projecto a implementar. “O software de código aberto pode ter uma utilização bastante positiva em sistemas embebidos ou em sistemas periféricos, mas apenas porque é uma questão de gestão de risco”, explica o gestor.

Embora a redução de custos ainda esteja na ordem do dia, para muitas organizações, uma grande parte não pode pensar exclusivamente nisso. Na saúde a redução de custos com a adopção da SOA não é o principal factor de adopção, segundo Ezio Armando. Os maiores são a disponibilização de melhores serviços e com melhor qualidade. “Tem muito valor social, apresentar a informação certa no momento certo, ter qualidade de informação“, explica o gestor.


Duas visões entre os fabricantes

 

No cenário descrito por Ezio Armando, os fabricantes têm normalmente duas abordagens para o mercado de SOA. As empresas que desenvolvem infra-estruturas para aplicações, vendem plataformas sobre as quais se desenvolvem as aplicações, mas sem incluir as últimas. “É talvez a melhor visão”, considera. Mas falta-lhes resolver um problema, porque só dão “o caminho” e não “a função”.

Os grandes fabricantes de aplicações como a Oracle e a SAP têm outra perspectiva, mais monolítica, na qual são “o centro do mundo”. “Usam a SOA para alargar o âmbito da sua tecnologia, o que não é negativo porque traz eficiência de custos”, explica o gestor. Mas isso não reflecte a visão SOA. “Acaba por ser difícil dividir a plataforma que propõem, embora acrescentem algum valor com a sua perspectiva.”

 

Formação em .Net e JEEE
cada vez mais importante

 

A adopção de uma arquitectura SOA pode envolver a renovação das competências dos programadores. Face às necessidades de formação, as empresas que têm recursos humanos formados para programarem em JEEE ou .Net, não terão problemas em prepararem esses elementos para trabalharem com os padrões SOA, diz o gestor da Accenture. O próprio considera a mudança fundamental está na forma de abordagem. “Mas os profissionais competentes em tecnologias mais antigas como o Cobol ou Visual Basic, ou mesmo em SAP, vão ter problemas”, avisa.

Alguns programadores e trabalhadores de TI não gostam de trabalhar com componentes preconcebidos, porque dizem que fogem ao seu controlo e o processo de programação deixa de ser criativo. Apesar de haver indicações neste sentido, o gestor acaba por não reforçar esta ideia. “É criativo conjugar ‘blocos’, contudo é diferente de desenvolver com linhas de código”, responde Ezio Armando. Segundo as previsões do gestor, dentro de quatro anos, cerca de 70% dos profissionais de TI terão formação em .Net e JEEE, bastante úteis para a implementação de SOA, e o Cobol não será tão necessário.

Entre as principais barreiras culturais à adopção das SOA, mais encontradas pelo responsável, está a resistência à mudança. Os profissionais de TI também são avessos à mudança. Mas com os profissionais de negócio há contradições: “ São os que mais almejam a flexibilidade de processos de negócio, mas para isso têm de formalizar os processos de negócio e isso é difícil de mudar”. Sem esse esforço, não se conseguem obter todos os benefícios.

 

  • Três passos para chegar à SOA

 

Ezio Armando é gestor da comunidade de implementação de projectos de Web Services & SOA, na região da EMEA. Com a experiência que acumulou, o responsável avança três recomendações a quem está a pensar adoptar um estratégia de SOA.

1- Definir expectativas
“Os gestores devem decidir primeiro porque querem adoptar a SOA”.

2 – Começar com implementação táctica
“É útil fazer uma implementação mais táctica e aprender com ela, o que pode ser desafio difícil.”

3 – Passar para uma implementação crítica
“Depois devem fazer uma implementação de SOA maior e de missão crítica”

 

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