Início arrow eGovernment arrow “Saúde deve evoluir como uma rede bancária”
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22-01-2008 23:00:00

ImagePara o director-geral da Siemens Medical, Rui Brandão, só as tecnologias baseadas na Web terão sucesso no desenvolvimento de uma plataforma nacional de eHealth. Nesse sentido, diz faltar ainda uma visão global do futuro da Saúde, em Portugal.

A visão do director-geral da Siemens Medical, Rui Brandão pode parecer fria como os azulejos de um hospital, mas procura apenas maior racionalidade. Na sua óptica, a saúde em Portugal deve seguir o exemplo de outras áreas com a da banca e das telecomunicações: procurar “queimar etapas” e evoluir para a vanguarda, tal como os referidos sectores se desenvolveram.

 “A saúde deve evoluir para um estrutura semelhante a uma rede bancária. Usar-se-ão aplicações baseadas na net, com uma entidade central a funcionar como centro de operações, preparado para necessidades de disaster recovery”, explica Rui Brandão. Fica a ideia da necessidade de desenvolver de uma rede de unidades de prestação de serviços, servida, do ponto de vista de aplicações de sistemas de informação, por uma central de operações – com níveis de risco assumidos. Na visão da Siemens Medical, apenas as “tecnologias webizadas”, ou preparadas para funcionar sobre a Internet terão sucesso. Também por isso, o responsável alerta para urgência de haver uma visão global para a e-Health, em Portugal.
“Tem havido uma evolução nos sistemas de informação da saúde, no país”, admite Rui Brandão. Contudo o executivo confessa dúvidas sobre se foi “escolhido um caminho estratégico”, com visão de futuro. Um plano em que “cada euro investido acrescenta valor”. De acordo com o director-geral, “o investimento nos sistemas de informação e processos, é muito inferior a outros segmentos de mercado mais dinâmicos como a banca e as telecomunicações”. Uma mudança nos processos está no centro da evolução proposta. Na base dos níveis de serviços de banca e de telecomunicações “esteve uma reorganização empresarial, mas sobretudo a adequação e adopção de sistemas de informação, para funcionarem como sistemas de suporte aos processos”. Rui Brandão propõe um enfoque semelhante visando obter os mesmos níveis de eficiência e eficácia.

 

Função maior deve ser tratar doentes  


Segundo o responsável, as soluções implantadas hoje não têm como objectivo tornar o sistema mais inteligente e pericial, de forma apoiarem a função mais nobre: tratar doentes. Brandão refere-se sobretudo a plataformas administrativo-financeira para auxiliar funções como o pagamento de salários, de impostos, entre outras. Será necessário evoluir “para garantir que as SI cheguem aos profissionais de saúde, e o apoiem na sua tomada de decisão”. Para o executivo, as SI têm funcionar “como garante de que as funções de saúde são feitas, em tempo oportuno, e com qualidade”.
Contudo existe um nível considerável de complexidade no sector da saúde e envolve gestão de mudança. “Se aplicar SI aos processos actuais, não vou ter os resultados que teria com o mesmo investimento, mas outra organização, mais racional, de processos”.


TIC têm de ser alavancas

 

As TIC vão funcionar na área da Saúde como alavancas nos processos das organizações. Por isso, é importante redefinir primeiro os processos. “O sector da Saúde é cada vez mais complexo e os profissionais estão sob, cada vez maior pressão de tempo para tomarem decisões”. Na opinião do executivo só com sistemas sofisticados, periciais, e de inteligência artificial, será possível modernizar a saúde. Essa modernização engloba possibilitar o tratamentos com maior qualidade, assim como uma melhor satisfação dos profissionais com melhores rácios de eficiência.
Com a emergência da medicina molecular, a área da saúde será ainda mais complexa. Alguns observadores falam já de uma fase denominada “Medicina Baseada na Informação”. Perspectiva-se, por isso a necessidade de haver algoritmos da tratamento de dados mais sofisticados, capazes de suportar serviços de qualidade ao menor custo possível. No campo administrativo torna-se importante que os dados sejam os mais correctos, para evitar vários tipos de erros humanos.
“Se a informação for concentrada numa mesma base, no caso de haver um erro de prescrição, o próprio sistema pode desencadear um alarme, porque as funções repartidas por um longo processo de tratamento são todas aviadas sobre a mesma informação base”, explica Rui Brandão. Quando o processo é feito de forma assíncrona, o risco de haver erros na introdução de dados é grande. “Na parte que pode ser automatizada, as TI terão uma grande influência, e esperam-se ganhos de produção na ordem dos dois dígitos”, garante. O Os SI terão um papel fundamental na optimização dos processos de tratamento. “Não haverá bom controlo de qualidade sem os SI, porque não se terá a noção do que está a acontecer, impossibilitando depois a optimização dos processos. A pressão das características demográficas do país – sobretudo o envelhecimento da população – deverão provocar o aumento dos actos médicos. Sem a eficiência dos serviços de saúde não será possível conseguir conter os custo, reforça o responsável. O próprio avança que os Estados Unidos prevêem, daqui a 20 anos, ter mais de 20% do PIB alocados ao investimento na área da  Saúde. Hoje já gastam cerca de 14% a 15%. Segundo Rui Brandão, Portugal gaste perto de 9%, ligeiramente acima da média europeia que é 8%.


Falta de visão é obstáculo
 

Os principais obstáculos à implementação das estratégias de e-Health, são aqueles que “drenam da gestão da mudança e da falta de visão estratégica”. O desconhecimento do papel dos SI numa organização – “que não é facultar relatórios, mas ajudar nas decisões” – provoca dificuldades em ter uma visão correcta.
Numa instituição onde os SI são implementados de raiz o processo de implementação também é mais fácil. “As instituições já em funcionamento acabam por lidar com a necessidade de compatibilizar a informação que existia antes com aquela que vai ser agora produzida. Decidir que informação transita e que informação não transita, é uma importante decisão”, explica o responsável.
As pessoas são importante factor no processo. Rui Brandão acredita que os portugueses “absorvem bem o conhecimento tecnológico”. Mas é preciso contar sempre com um processo de assimilação que leva tempo. Também por isso é importante que “as soluções estejam centradas nos profissionais de saúde, por serem eles a interagirem com o sistema, o qual deverá servi-los nos vários contextos de tratamento do doente”. Apenas o que resulta desse trabalho deve estar centrado no doente de acordo com o director-geral.

 

Rui Brandão pede mais acção ao Ministério da Saúde

 

“Não vemos da parte do ministério uma atitude para definirem ‘uma coluna vertebral’ do que é a visão para os sistemas de informação do sector da Saúde”, considera Rui Brandão, director-geral da Siemens Medicals. Para o responsável o problema não passa pela ausência de interlocutor. ”A questão é se o Estado está a avançar nesta área. Tem sido difícil perceber alterações profundas ou uma linha coerente em relação a isto embora se admita que é necessário tempo”, explica. Na opinião do executivo sendo o ministério da Saúde o grande dono de instituições do sector, tem de definir o regime e as condições de interoperacionalidade que devem ter os sistemas de saúde. Tem de haver uma entidade com uma abordagem de regulação “que estabeleça que predicados têm de ter os dispositivos”. Para Rui Brandão, a entidade já existe mas o problema é não ter produzido ainda documentação suficiente. “É importante definir agora a matriz de actuação dos diversos intervenientes do mercado e para isso têm de ser definidos padrões, o que não existe”. Segundo o próprio, o bom senso dirá que se devem adoptar o que a indústria já usa. Importa, no entanto, definir uma série de questões onde eles são vagos. “É particularmente importante que sejam tratados todos os problemas de semântica”, considera o responsável.
A certificação de soluções constitui um passo que exige reflexão. Há muitos países onde existe regulação, mas não é vista como necessária uma entidade de certificação, segundo Rui Brandão. “Dada a dimensão do nosso país será melhor aproveitar macro-estruturas que possam ser criadas pela União Europeia, com poupanças de custos para todos os países”, considera. Além disso, de acordo com o executivo nos sistemas de informação não deve haver processo de certificação. “Não deve haver um ‘selo’, mas deve-se garantir que a penalização para as empresas que garantam compatibilidades inexistentes, seja muito forte”, explica.

 

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