As tecnologias verdes afirmaram-se no decorrer do ano passado à medida que fabricantes e clientes investiram muitos recursos para tornar os seus produtos e as suas práticas mais eficientes energeticamente, menos dispendiosas e mais amigas do ambiente. Mas será que esta tendência de tecnologia sustentável verde não é um sucesso de curta duração?
Dificilmente. A tecnologia verde tem vindo a desenvolver-se motivada por verdadeiras necessidades. As organizações empresariais estão a ficar sem espaço e energia nos seus centros de dados, para não mencionar que enfrentam custos energéticos elevados. Líderes de negócio, políticos e consumidores começam a ficar crescentemente preocupados com o impacto destes centros de dados no ambiente. O que se segue são as previsões resumidas de alguns especialistas de TI que passaram o último ano mergulhados em tecnologias sustentáveis e que possuem um olhar agudo sobre o futuro. Acrescentámos ainda algumas previsões próprias. As previsões são apresentadas por ordem alfabética, sem nenhuma espécie de favoritismo. Bogomil Balkansky, director, VMware
Com a crescente procura de computação e o crescimento dos custos energéticos, a conservação de energia no centro de dados irá continuar a ser um tópico quente no decorrer deste ano. Os clientes vão continuar a optimizar a sua infra-estrutura de TI motivados pelo imperativo de responsabilidade económica e social de poupar energia, mas esperamos ver emergir uma nova tendência: estímulos ou regulamentações governamentais à eficiência dos centros de dados provenientes de diferentes níveis do governo a nível mundial. Os fabricantes de TI irão responder a este maremoto através do aumento dos investimentos em tecnologias que auxiliem a reduzir as emissões de carbono dos centros de dados.
Drew Clark, co-fundador e director, IBM Venture Capital Group
1. Em 2008, o interesse global pelas tecnologias verdes irá continuar a crescer à medida que outros actores mais competitivos irão aparecer em geografias inesperadas no exterior dos Estados Unidos. Para lá do investimento em energias alternativas, irá existir uma grande procura de tecnologias que possibilitem aos consumidores (empresariais e residenciais) e aos produtores energéticos monitorizar, gerir, distribuir e utilizar a energia de um modo mais eficiente. 2. A tendência para tornar mais verde o centro de dados irá continuar a ser uma prioridade das organizações empresariais a nível mundial, à medida que os custos de alimentar os centros de dados excedem o custo dos servidores e equipamentos no centro de dados. Aspectos chave para diminuir as emissões de carbono irão incluir sensores inteligentes e analítica avançada para monitorizar e melhborar a utilziação de equipamentos, reduzir os períodos de “downtime” e disponibilizar visbilidade operacional abrangente.
Tom Clark, presidente, SNIA (Storage Networking Industry Association)
1. Em 2008 haverá uma procura crescente de consultores e fabricantes para auxiliar os clientes a re-arquitectarem as suas operações de processamento de dados e de armazenamento com o objectivo de minimizarem o consumo energético e maximizarem a produtividade. A virtualização de servidores é um sério candidato para alcançar mais produtividade com menos hardware, e a virtualização do armazenamento irá auxiliar a alcançar máxima utilização dos activos sem ser necessário desenvolver novas plataformas consumidoras de energia para acomodar o crescimento do armazenamento. 2. À medida que os custos energéticos começam a ser a fatia maior dos custos operacionais dos centros de dados, a gestão energética irá tornar-se parte integrante da gestão de dados no decorrer de2008. Como administrador do centro de dados, quero monitorizar não somente a minha eficiência no processamento de dados e na utilização do armazenamento, mas também o consumo de energia e a perda de calor de todos os componentes da minha infra-estrutura de TI. Já desenvolvemos a estrutura básica para esta realidade no SNIA Storage Management Initiative (SMI-S) para gestão de ambientes heterogéneos. Baseada nas estatísticas de energia disponibilizadas por diferentes plataformas de hardware (servidores, equipamentos SAN, armazenamento, fitas magnéticas) pode disponibilizar aos administradores a capacidade de monitorizar a eficiência energética global das suas operações. 3. O crescimento da consciência em redor de centros de dados verdes tem sido acompanhado por um cinismo da imprensa especializada (“Os fabricantes estão a tentar vender mais”), mas as motivações subjectivas de cada fabricante são irrelevantes. Esta não é uma solução à procura de problema; este é um problema real que irá continuar a piorar em 2008 e em cada ano que passar. Acredito que veremos alguns casos de estudo iniciais dramáticos e infelizes de grandes centros de dados que falharam na reacção rápida ao que é um crise de proporções globais. Lewis Curtis, consultor e arquitecto de infra-estruturas, Microsoft
As organizações empresariais que se baseiam no desempenho por watt (Performance Per Watt, PPW) para justificar as suas decisões de investimento irão assistir ao crescimento do consumo energético. A lógica funciona deste modo: A maior parte dos fabricantes está a preparar o plano de marketing PPW como resposta a estas questões. E porque é que não funciona no mundo real? Porque não contempla a o impacto da velocidade da procura, assim como o impacto no ambiente que o suporta. À medida que as possibilidades tecnológicas aumentam, a velocidade da procura dessa tecnologia aumenta. Assim, a procura de mais servidores, armazenamento e capcidade de rede irá aumentar. O que irá aumentar o consumo energético. A concolidação de servidores através da virtualização e da utilização de sistemas blades será mais generalizada no decorrer de 2008. No entanto, as minhas previsões apontam para que aqueles que estejam dependentes do modelo PPW vejam as suas contas de electricidade dos seus centros de dados aumentar. Dave Douglas, vice-presidente, Sun Microsystems
1. Este ano iremos passar do conhecimento para a acção no ambiente. O termo "green-washing" irá tornar-se mais popular, quando algumas empresas forem acusadas publicitarem antes da substância. Com uma imprensa e um público cada vez mais sofisticados e com capacidade de discernimento, a procura de acções autênticas irá crescer e o ambiente irá beneficiar. O foco vai estar no que podemos fazer para reduzir o nosso impacto – ou ainda melhor, o que já fizemos. 2. Estamos cada vez mais dependentes de uma rede crescente de serviços sócias e de negócio baseados na Internet. Os centros de dados que suportam estes serviços crescem a taxas elevadas, mas a rede eléctrica não está a acompanhar. A probabilidade é elevada de que em 2008 possa existir um grave interrupção do fornecimento de energia eléctrica que poderá afectar os consumidores de maneira inesperada. Rudy Kraus, CEO, Validus DC Systems
A resposta para a crescente crise energética provocada pelas TI pode vir de uma fonte inesperada, mas que possui as suas raízes no trabalho de Thomas Edison há 100 anos atrás: energia DC. Quando a energia DC é conjugada com as actuais tecnologias, pode disponibilizar energia aos centros de dados com uma eficiência de 10 a 20 por cento superior. Contra o efeito bola de neve da crise energética das TI, estes números podem beneficiar os processos de TI e, mais importante, a sua rentabilidade. Paul Marcoux, vice presidente, Cisco Systems
1. Em 2008, as organizações empresariais irão contiinuar a enfatizar a sua responsabilidade social,criando um ambiente em que os líderes industriais possam combiner o poder da inovação com a colaboração com o objectivo de criar um modelo mais sustentável que endereçe as alterações climáticas globais. Como resultado, vamos assistir à criação de normas e linguagens para acelerar a comunicação e a colaboração nos negócios e nas funções de TI. 2. Se não puder ser medido, não pode ser gerido. Em 2008, iremos assistir ao lançamento de um conjunto de tecnologias desenvolvidas com o objectivo de disponibilizar monitorização em tempo real do consumo energético dos produtos. Em 2009, serão poucos os produtos disponíveis no mercado mundial em que não possa ser monitorizado o seu comnsumo energético.
Christina Page, director, Yahoo
A Yahoo! prevê um crescimento da actividade no mercado voluntário de crédito de carbono, em particular com o lançamento nos Estados Unidos da Bolsa Verde no primeiro trimestre de 2008. À medida que mais organizações escolhem compensações para as suas emissões de carbono, estas serão crescentemente motivadas para pensarem seriamente no seu consumo de energia e adoptar acções fortes para tornar as suas operações masi eficientes. Ted Samson, senior analista, InfoWorld
1. Acredito que mais empresas irão seguir as pisadas de empresas como a Hewlett-Packard e a Wal-Mart de escrutinarem a eficiência, o desperdício e as práticas amigas do ambiente dos fornecedores na sua cadeia de abastecimento. 2. As organizações vão continuar a desenvolver centros de dados mais verdes. Simplesmente não vão parar apenas com a utilização de hardware energeticamente mais eficiente e sistemas de arrefecimento e da adopção das melhores práticas no desenho de centros de dados. Irão seguir as pegadas de empresas como a Digital Realty no desenvolvimento de edifícios compatíveis com a norma LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). À semelhança do Google e da Fujitsu irão instalar sistemas energéticos alternativos que incluem painéis solares entre outros. Irão elevar a fasquia no desenho dos centros de dados, como fez a Sun Microsystems com a sua abordagem modular. Irão incluir funcionalidades amigas do ambiente que pouco tem a ver coma eficiência energética ou com a redução de custos, como vimos no centro de dados da Unisys que incluiu a conversão para planície com relva selvagem e flores de 19 acres adjacentes ao centro.
Dave Stangis, director, Intel
1. O verde irá movimentar-se de uma oferta de um produto especifico para uma oferta de marca – e será recompensado em Bolsa. 2. As marcas de produtos de consumo electrónicos irão olhar para os seus fornecedores para que os auxiliem a tornar os seus produtos mais “verdes”. 3. As soluções tecnológicas irão ser centrais na resolução dos desafios colocados pelas alterações climáticas. 4. A tecnologia será a chave para reduzir os custos das energias alternativas. 5. O desenho de edifícios verdes irá passar da novidade para a expectativa.
Pat Tiernan, vice-presidente, Hewlett-Packard
As TI verdes irão ter um maior foco em 2008. E isto inclui o desenho de produtos tendo em conta o seu ciclo de vida. Adicionalmente ao consumo de energia, as empresas irão ser mais cautelosas na implementação de planos para a eliminação, reutilização e reciclagem. A estratégia verde irá ser um argumento para a optimização de recursos de TI, assim como para a poupança, através de produtos mais eficientes energeticamente.
Steve Vassallo, Foundation Capital
1. A água irá tornar-se mais critica do que o petróleo. Grandes falhas de água vão aumentar o conhecimento e o investimento neste sector. 2. iremos assistir a uma mudança no conhecimento (e na comunicação) das organziações sobre o seu consumo de energia e impacto no ambiente. As maiores empresas irão transportar a discussão sobre o impacto ambiental para as conversas de negócio.
Larry Vertal, AMD
Um estudo da Environmental Protection Agency EPA evidencia que com um reduzido esforço – activando funcionalidades de gestão de energia existentes nos produtos, permitindo taxas de consolidação mais elevadas, desligando servidores não utilizados e melhorando as operações da infra-estrutura - os administradores de centros de dados poderão reduzir o consumo de energia destas instalações em 20 por cento. Tal significa que poderemos cortar para metade as novas necessidades de energia em 2010 ou equivalente a cinco centrais energéticas de 1.000 MW. 2008 vai ser o ano em que a eficiência energética será a prioridade número 1 dos responsáveis de TI.
Hu Yoshida, CTO, Hitachi Data Systems
1. O movimento pelas tecnologias verdes tem vindo a aumentar o conhecimento de que o armazenamento de dados tornou-se altamente ineficiente, com baixa utilização, velocidades de acesso baixas, demasiadas cópias redundantes, busca ineficiente, entre outros probelamas. Adquirir processadores de armazenamento mais rápidos e de maior capacidade com arquitecturas com 20 anos de antiguidade não resolve os problemas da ineficiência na utilização do armazenamento. Novas arquitecturas de armazenamento são necessárias para staisfazer a procura de maior eficiência. 2. Unidades de controlo da virtualização do armazenamento com abastecimento fino será reconhecido como a única abordagem à virtualização do armazenamento, eliminando o espaço alocado mas não utilizado, recuperando armazenamento encalhado, reduzir cópias redundantes, aumentar a velocidade de acesso e disponibilizar migração de dados não disruptiva para multi-tiering, migrações e replicação. 3. Dados com mais de 60 dias em sistemas produtivos deveriam ser considerados como lixo tóxico. Dados estruturados como bases de dados e semi-estruturados como mensagens de correio electrónico e dados de gestão de documentos tem vindo a crescer consideravelmente na medida em que se tornou necessário armazená-los durante um período maior de tempo devido a questões de conformidade. Para tal são necessaries novos tipos de sistemas de arquivo que possam ser escaláveis e que disponibilizem a capacidade de efectuar buscas através de diferentes tipos de dados.
Pensamentos finais Em conclusão, 2008 irá ser um ano cheio de incidentes na computação verde. As organizações empresariais a nível mundial tem bastante trabalho a fazer para manterem a dianteira de uma crise energética, assim como de regulamentações governamentais para reduzir o seu impacto ambiental. Por outro lado, os produtos e práticas dos fabricantes estarão submetidos a um escrutinio mais apertado da imprensa e do público em geral. As boas noticias são que existe uma quantidade de pessoas inteligentes – tecnólogos, analistas, líderes de negócio e politicos – que possuem estes desafios na suamente e estão a trabalhar afincadamente e com a velocidade que podem para dar resposta a estes novos desafios. |