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Existem em Portugal várias fragilidades que colocam em risco a transição do país para um sistema de identidade digital, de acordo com o grupo de estudo coordenado por Paulo Veríssimo.
“As propriedades essenciais da segurança de um sistema de identidade digital podem vir a ser comprometidas por eventuais insuficiências em várias vertentes” a frase lê-se no estudo patrocinado pela APDSI sobre Identidade Digital em Portugal e coordenado pelo professor Paulo Veríssimo, da Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa. As fragilidades têm origem tecnológica, mas também jurídica-legal. Mas a transição para o sistema de identidade digital pode falhar se o mesmo não induzir sentido de pertença. Segunod o estudo há quatro princípios básicos fundamentais que os sistemas devem observar. Devem tentar assegurar “uma adequada projecção do social no digital”.Ao mesmo tempo é preciso adequar o regime jurídico-legal, e promover a compreensão e a confiança no digital.
E será fundamental garantir “a subordinação do tecnológico ao social”. “Os processos e sistemas informáticos de identidade digital devem adaptar-se aos objectivos da sociedade e às suas partes interessadas e não o contrário”, salientam os autores no sumário executivo do estudo Sobre os projectos de identidade digital, em curso, o grupo refere a importância de evitar o sindroma de número único. Trata-se de uma questão cuja importância o Cartão de Cidadão pode frisar com o modelo escolhido para Portugal. Apesar deste não usar um número único torna acessível, às autoridades mas também a um criminoso, informação identificativa do cidadão perante cinco serviços diferenciados.
O grupo de estudo recuperou também a opinião de vários especialistas para frisar que a lei da criminalidade informática está obsoleta. Sem a sua actualização será impossível reunir os recursos necessários para lidar com crimes informáticos cada vez mais sofisticados.
Cabe ao Estado o principal papel a tarefa de garantir uma transição de segura para o mundo digital. Mas na opinião de Paulo Veríssimo o cidadão também não está isento de responsabilidades. Temos de exigir maior qualidade aos sistemas de informação considera o docente. “Em Portugal não temos cultura de privacidade”, lamenta.
O grupo de estudo teve como relatores José Gomes Almeida, Pedro Antunes, Rogério Bravo, José Pina Miranda, Pedro Verdelho, André Zúquete.
Recomendações do estudo:
– Promover a educação das partes interessadas, dos cidadãos às empresas, incluindo entidades públicas. – Promover uma cultura de exigência por parte do cidadão relativamente aos serviços de que é utente. – Garantir transparência, certificação e auditabilidade dos sistemas e processos; – Promover a modernização da lei do crime informático assim como a adequação das leis relacionadas com a identidade e a identificação. – Garantir a imputabilidade/responsabilização de qualquer agente público perante consequências negativas resultantes de incompetência ou negligência. – Criar meios que garantam a eficácia das polícias e dos tribunais na esfera digital. – Promover uma cultura generalizada de segurança na Administração Pública. – Assegurar que os direitos de privacidade das partes interessadas não são prejudicados pela transição para a ID. – Garantir um nível de auditabilidade pela sociedade que contribua para a sua confiança no funcionamento do sistema.
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