|
A migração das ligações à Internet para a banda larga “foi boa“, em Portugal, durante 2006 de acordo com o último relatório sobre a economia digital e a estratégia i2010, promovida pela união europeia. Contudo a utilização da Internet em geral foi baixa, e as taxas de ligação por banda larga continuam abaixo da média na União Europeia.
Por outro lado, o ritmo de adopção de tecnologia 3G é um dos mais altos da União Europeia. O mesmo estudo aponta que mais de metade das ligações estão baseadas em tecnologia DSL (Digital Subscriber Line). O uso de serviços online entre os cidadãos é mais baixo do que fazem supor os níveis de conectividade, segundo o estudo. À excepção da utilização relativa a conteúdos de media online, o nível de uso português da Internet está na parte inferior da escala.
Os níveis de adopção da televisão digital, em Portugal, estão entre os dez maiores europeus. O relatório do projecto da União europeia considera que a disponibilização de serviços de eGoverment é bastante boa para os serviços empresariais, e acima da média para os cidadãos. Embora os valores de utilização dos serviços estejam um pouco abaixo da média, segundo o estudo. Mas o nível de utilizadores é mais avançado.As taxas de crescimento dos serviços estão dentro da média europeia, segundo o relatório.
O número de escolas ligadas com banda larga está acima da media da União Europeia e há um número razoável de professores a usarem computadores para as aulas, segundo a avaliação apresentada. Contudo o relatório considera haver poucos computadores disponíveis para os estudantes.
No que se refere às competências de TIC dos recursos humanos portugueses são assinalados os seus níveis baixos. Contudo, o relatório ressalva que a utilização da net no trabalho está a melhorar e que o número de pessoas especialistas em TIC está a crescer. Apesar disso, o crescimento de empresas a ligarem à Internet não acompanhou o ritmo registado noutros países, depois de dois anos em bom crescimento.
Investimento em TIC está a dar resultados
O investimento público e privado nas tecnologias da informação e das comunicações (TIC) está a dar frutos, conclui o relatório de evolução anual, da Comissão, sobre a i2010 (vertente digital da estratégia para o crescimento e o emprego). As tecnologias estão a impulsionar a inovação e a produtividade e há sinais de mudanças radicais nos mercados e no comportamento dos utilizadores, à medida que a Europa avança para uma economia baseada no conhecimento.
“A nossa política europeia integrada para o crescimento e o emprego começa a produzir dividendos”, declarou Viviane Reding, Comissária da UE para a Sociedade da Informação e os Média. “Não sejamos, porém, demasiado optimistas. Na Europa, as empresas de TIC não são ainda capazes de aproveitar as economias de escala, dada a fragmentação da regulamentação, que trava a emergência de serviços pan-europeus e prejudica a competitividade dos operadores de comunicações electrónicas e das empresas de software no mercado mundial. A UE e os seus Estados-Membros têm, nomeadamente, de fazer um maior esforço para remover as barreiras remanescentes nos mercados internos dos serviços em linha., ressalvou a comissária.”
De acordo com o segundo relatório anual sobre a i2010, o sector das TIC continua a crescer mais rapidamente do que a economia europeia em geral. As TIC contribuíram para quase 50% do aumento da produtividade da UE entre 2000 e 2004, sendo os serviços de software e de TI actualmente o sector de crescimento mais dinâmico (5,9% para 2006-2007), diz um comunicado.
O relatório indica igualmente que as empresas estão a investir em soluções de TIC novas e mais maduras, com os europeus a aderirem rapidamente aos novos serviços online. Esta constatação é sustentada pelo número recorde de novas ligações em banda larga: ligação de 20,1 milhões de novas linhas de banda larga ao longo do ano, até Outubro de 2006, com elevadas taxas de penetração da banda larga nos Países Baixos (30%) e nos países nórdicos (25-29%). Prevê-se que o mercado dos conteúdos online cresça rapidamente durante os próximos cinco anos, tal como aconteceu já com as vendas de música online e de conteúdos criados pelo utilizador, que registaram um crescimento exponencial .
A nível nacional, o relatório revela que a Itália lidera na implantação dos telemóveis de 3.ª geração e da fibra óptica, ao passo que a maioria dos agregados familiares com TV digital se localiza no Reino Unido. Há seis países – Dinamarca, Países Baixos, Finlândia, Suécia, Reino Unido e Bélgica – que têm taxas de penetração da banda larga superiores às dos Estados Unidos e do Japão.
Tais níveis de penetração da banda larga produzem efeitos multiplicadores positivos. Por exemplo a implantação das TIC nas escolas dinamarquesas é a mais alta da Europa e as empresas dinamarquesas são os mais avançados utilizadores da Internet e do comércio electrónico (eBusiness) na UE; a mão-de-obra britânica e sueca é a mais qualificada em matéria de TIC; os neerlandeses são os consumidores mais ávidos de jogos e música em linha; e a Finlândia é, na Europa, o país que mais utiliza os pontos de acesso públicos e mais investe em investigação nas TIC (64,3% da despesa das suas empresas em I&D) – a Suécia e a Finlândia empregam também 3,9% e 3,5% do seu PIB em investigação, indo além do objectivo de 3% da UE.
O relatório deste ano sobre a i2010 define igualmente questões-chave de política para o futuro, a debater aquando da revisão da estratégia nos próximos meses. Entre essas questões, incluem-se: a avaliação das implicações que as tendências emergentes nas redes e na Internet poderão ter para as políticas; o reforço da perspectiva do utilizador na inovação das TIC; e a promoção do crescimento mediante a remoção das “fronteiras nacionais" artificiais nos serviços em linha. A revisão terá início no Outono, com uma mesa redonda sobre redes da próxima geração e Internet.
O relatório sobre a i2010 – a estratégia da UE concebida para impulsionar a economia digital mediante a combinação de investigação, instrumentos reguladores e parcerias público-privada avalia, em cada ano, o impacto económico do esforço dos Estados-Membros da UE com vista a implantar as TIC e proporciona um parâmetro de referência sobre a eficácia da política da Comissão na obtenção de um crescimento económico sustentável para estas tecnologias.
|