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A falta de confiança no meio de pagamento continua a ser um dos principais factores para a grande maioria dos portugueses ainda não realizar compras on-line, segundo um estudo do Cetelem.
Juntamente com a relutância em ceder dados pessoais, a ausência de confiança no meio de pagamento, continua a ser um dos três principais factores para a maioria dos portugueses não realizar compras pela Internet. O outro é a necessidade, frustrada, de ter um contacto directo com o produto. É uma das conclusões do último estudo “O Observador Cetelem”, executado pelo Cetelem.
De acordo com o trabalho, a Internet é utilizada apenas por cerca de 32% dos portugueses. Esta percentagem prende-se com o facto de a maioria das pessoas, 66,6%, não possuir o equipamento necessário para aceder à Web. Cerca de 14,9% dos portugueses considera, também, o preço dos serviços de acesso bastante elevado.
A utilização da net cresce significativamente com o nível de especialização profissional dos entrevistados, encontrando-se valores mais baixos junto de indivíduos não activos e de trabalhadores do sector terciário. A região do Alentejo surge em primeiro lugar, relativamente à não utilização da Internet, com cerca de 90,9% dos inquiridos a responderem que não possuem computador.
O estudo classificou três tipos de utilizadores, com base na agregação dos períodos de frequência de utilização da Internet para fins pessoais: os utilizadores “Heavy” – acedem todos os dias; os “Médium” – navegam uma vez por semana; e os “Light” – utilizam apenas uma vez por mês. Segundo a pesquisa, 71,1% dos entrevistados são utilizadores “Heavy”, enquanto 18,6% são “Médium” e 10,3% são “Light”. A região centro tem a maior percentagem de utilizadores “Heavy”, 88,6%, enquanto o norte aparece em último lugar, apenas com 54,7%.
O acesso à Internet, para 63,9% dos inquiridos, é essencialmente realizado a partir de casa, sendo que 29,4% preferem o trabalho para se conectarem. Escrever e-mails e pesquisar sobre diversos temas de interesse constituem um primeiro grupo de actividades realizadas por 71,2% e 69,5% dos inquiridos, respectivamente, seguindo-se a pesquisa de produtos pessoais e para o lar, 43,3% de referências, e os downloads de música a ocuparem 34,3% das preferências dos portugueses.
As viagens e o lazer surgem como os produtos mais pesquisados na Internet, por 45,5% dos inquiridos. Os livros, os conteúdos em CD e DVD também se evidenciam nas escolhas dos portugueses, ocupando 43,6% e 39,6%, respectivamente. Os utilizadores do sexo masculino procuram de forma mais destacada, informação relacionada com material informático, electrónica de consumo e automóveis, enquanto as mulheres dedicam-se na pesquisa de livros, mobiliário e vestuário.
No conjunto de actividades, a aquisição de produtos on-line é referida por apenas 6,39% dos inquiridos. E cerca de 89,34% não tenciona fazer compras on-line nos próximos meses, havendo 4,26% de possíveis compradores. Os indivíduos inactivos, com ocupações menos especializadas são os que assumem de forma mais peremptória não utilizarem a Internet para a realização de compras. Este grupo caracteriza-se ainda por pertencer a uma classe socio-económica mais baixa e com idade superior a 55 anos.
Conveniência é factor de utilização
Dentro do grupo dos entrevistados habituados a comprar on-line, a conveniência em poder adquirir produtos ou serviços sem terem de se deslocar às lojas é o principal motivo para cerca de 61,9% dos inquiridos, estando a simplicidade do processo de compra na preferência de 36,2% e a ausência de um horário restrito está na base de 30,5% das respostas.
Para o grupo de entrevistados que não pondera vir a realizar este tipo de compras, a necessidade de ter contacto directo com o produto, a ausência de confiança relativamente ao meio de pagamento e a relutância em ceder dados pessoais através da internet são os elementos que constituem uma maior barreira, tendo estando na resposta de 47,9%, 23,7% e 22,8% dos inquiridos, respectivamente.
CD e DVD são os bens mais comprados
A compra on-line incide, normalmente, em bens de consumo como CD’s e DVD’s (43,1%), livros (37,4%), bilhetes para eventos (30,5%), material informático (29,9%) e viagens (25,5%). Estas compras respondem a diferentes necessidades à medida que a idade dos inquiridos aumenta. Os entrevistados entre os 35 e os 44 anos adquirem mais viagens, enquanto os que têm entre 45 e 55 anos optam pelos electrodomésticos. As classes socio-económicas mais elevadas, em comparação com as classes média e média baixa, utilizam mais a Internet para a compra de produtos e serviços associados ao lazer e à cultura, como viagens e bilhetes para eventos, reflectindo os seus diferentes estilos de |