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A oferta é vasta, mas falta uma política a nível nacional PDF Imprimir Endereço de e-mail:
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03-01-2005 17:31:55
A oferta de pós-graduações, na área das tecnologias é variada e abrangente, mas está descoordenada. Os cursos existem, mas muitas vezes por falta de conhecimento acabam por não ter início.

O mercado de formação pós-graduada em Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos, de acordo com as várias entidades contactadas pelo Computerworld, nesta primeira abordagem ao tema “O mercado das pós-graduações em tecnologias de informação em Portugal”.

 

Segundo os vários coordenadores contactados, a oferta disponibilizada pelas instituições de ensino superior é variada e reveste-se das mais diversas formas e designações: pós-graduações, mestrados, doutoramentos, em regime presencial, à distância ou misto; de seis meses ou até cinco anos, tudo é possível encontrar.

 

Num momento em que a valorização do desenvolvimento profissional é cada vez mais uma mais valia para cada profissional é importante que as empresas e as pessoas olhem com mais seriedade para a oferta que existe no mercado. Algo que ainda não é regra.

 

A declaração de Bolonha poderá vir a trazer um bom aporte para o desenvolvimento do mercado de pós-graduações e foram vários os coordenadores e responsáveis de cursos a sublinhar essa esperança.

 

Para José Luís Ferreira, director do departamento de SI da Autónoma de Lisboa, “não parece haver razão alguma para que quem procura formação pós-graduada não encontre.

 

A oferta existente claramente excede a procura, ficando muitas iniciativas perdidas por falta de interessados. Resta, a quem procura, saber deslindar, entre a multiplicidade de ofertas, que qualidade oferece cada uma das iniciativas e qual o valor acrescentado”.

 

Por seu lado, José Tribolet, responsável pela Pós-Graduação em Sistemas de Informação (POSI) ministrada pelo IST, afirma: “de um modo geral penso que as pós-graduações em Portugal na área das TI estão desenquadradas.

 

A oferta é muito desordenada, não há regulação e é um mercado “selvagem”. Há de tudo, mas não está organizado de forma a servir os interesses dos clientes, que no fundo são os profissionais e as empresas”.

 

E lança um desafio: “as organizações de formação (escolas superiores ou outras) em conjunto com o sector de TIC deviam, em parceria, evoluir para criar um fundo de oferta de formação qualificada e certificada para ajudar os profissionais e as empresas a escolher com garantias”.

 

Já o vice-presidente do Instituto Superior Politécnico de Gaia, José Manuel Moreira, sublinha que, de um modo geral “existe uma razoável oferta nas várias áreas disciplinares com impacto directo sobre as exigências do mercado.

 

Já relativamente à qualidade desta oferta é de colocar algumas reservas porquanto muitas pós-graduações utilizam mais o efeito do 'marketing', por recurso a nomes sonantes, por exemplo, da actividade académica e empresarial, que muitas das vezes nem sequer colaboram nessas pós-graduações”.

 

Para este responsável, “é necessário revolucionar mentalidades e deixar funcionar o mercado do ensino superior com menor preponderância do peso do Estado sobre o ensino superior público”.
José Monteiro, coordenador do curso de Pós-Graduação Profissional em Sistemas de Informação – POSI, explicou que “nas áreas tecnológicas, considero que ainda há lacunas importantes em algumas áreas ao nível da oferta de cursos de pós-graduação.

 

Esta situação reflecte o divórcio que se continua a sentir a muitos níveis entre a universidade e a indústria. Deveria haver um esforço maior de ambas as partes no sentido de se estabelecerem pontes para o diálogo e acção.

 

A um outro nível, parece-me que muitos gestores ainda não interiorizaram a necessidade da constante actualização dos seus quadros”.

 

José Zorrinho, da Universidade de Évora, nota o grande incremento da “a oferta de formação pós-graduada em Portugal a nível de mestrados e outras pós-graduações não conferentes de grau académico”, que resultou, sobretudo, “das necessidades que o mercado apresenta no domínio da formação profissional especializada e profissional.

 

Todavia, estamos ainda longe do Espaço Europeu de Ensino Superior Pós-graduado, que passa, obrigatoriamente pela internacionalização deste tipo de formação e o seu enquadramento num quadro de desenvolvimento da investigação científica.

 

Já Alípio Jorge, coordenador do Mestrado em Análise de Dados e sistemas de Apoio à Decisão da Faculdade de Economia do Porto, é da opinião que “em Portugal há já uma vasta oferta ao nível do ensino pós-graduado” e que no que respeita à sua universidade, “a  qualidade destes cursos é, pelo que eu conheço, elevada. A procura é elevada e com tendência para crescer.

 

Por seu lado, Rui Neves da Silva, coordenador do Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), sublinha que “embora a qualidade da oferta do ensino de pós-graduação em Portugal esteja suportada por recursos humanos de capacidade científica reconhecida e ao nível do que melhor se faz internacionalmente, a ausência de uma política nacional objectiva em prol da inovação nos diversos sectores económicos traduz-se numa procura destes cursos como factor de diferenciação nas oportunidades do mercado de trabalho.”

 

Já Legatheaux Martins, coordenador da Pós-graduação em Engenharia Informática e do Mestrado em Engenharia Informática, da FCT/UNL, sublinha que “as universidades estão vocacionadas para dar formações de licenciatura, generalistas e longas, ou formações avançadas de carácter académico ou mais voltadas para a introdução à investigação.

 

Este tipo de formação ainda não casa bem com as necessidades de formação complementar dos profissionais, cuja grande maioria procura de facto uma reciclagem, uma actualização ou uma formação específica numa dada tecnologia”.

 

O responsável é da opinião que “a Reforma de Bolonha introduzindo cursos de licenciatura mais curtos, criará uma maior flexibilidade na formação complementar por parte das universidades.

 

De qualquer forma, a formação de curta duração, em tecnologias específicas, dificilmente caberá às universidades. Continuará a ser assegurada por empresas de formação profissional, intimamente ligadas aos fabricantes”.

 

Manuel Eduardo Correia, coordenador do Mestrado em Informática da Escola de Gestão do Porto, explica que “o ensino da pós-graduação em Portugal, depois de uma fase de expansão exagerada, tem vindo a estabilizar, aproximando-se em alguns casos de padrões de excelência internacionais.

 

A procura deste tipo de ensino, no caso específico da área de Ciência de Computadores, cresceu imenso nos últimos dez anos e encontra-se agora estabilizada em bons níveis de procura, principalmente no que diz respeito aos mestrados”.

 

De acordo com Manuel Eduardo Correia, “pensamos que o futuro nesta área passa por cursos de pós-graduação mais intensivos e mais curtos, de preferência integrados com licenciaturas menos extensas de modo a permitir que os alunos possam passar a sair directamente das Universidades já com o grau de Mestre ou equivalente”.

 

E acrescenta ainda “irá ser deste modo possível ir acabando de um modo progressivo com o grau de licenciatura, em favor de dois graus académicos normalizados a nível Europeu.

 

Estes corresponderão por um lado ao nosso Bacharelato actual e por outro a um grau mais avançado que a actual licenciatura e que será possível alcançar com mais um ano do que os actuais quatro/cinco anos de formação académica tradicionais”.

 

Segundo Manuel Eduardo Correia, “Isto permitirá o ingresso imediato no mercado de trabalho dos alunos que, estando interessados em formação superior, não pretendem aprofundar em demasia os aspectos teóricos da sua área de trabalho, proporcionando ao mesmo tempo melhor condições de trabalho aos outros alunos que pretendem enveredar por actividades de cariz mais científicas e de investigação.

 

Os alunos que terminem a sua formação académica mais avançada poderão depois evoluir naturalmente para graus mais avançados como o Doutoramento”.

 

António Palma Reis, coordenador da Pós-Graduação em Sistemas e Tecnologias de Informação para as Organizações e do Mestrado em Gestão de Sistemas de Informação do ISEG, é da opinião que “como em muitas outras áreas conseguimos identificar uma magnífica evolução face ao passado, ainda que exista sempre a vontade de melhorar.

 

Um aspecto muito gratificante é que, aqui há alguns anos, seria mais necessário sair do país para conseguir uma formação pós-graduada excelente em Sistemas de Informação para a Gestão, enquanto hoje, vários dos docentes da Pós-Graduação em Sistemas e Tecnologias de Informação para a Gestão e do Mestrado em Gestão de Sistemas de Informação do ISEG leccionam em Universidades de países habitualmente considerados mais desenvolvidos que o nosso, tais como a Inglaterra ou a França.

 

O facto de docentes dos nossos cursos leccionarem em Universidades destes países como professores convidados evidencia a qualidade de formação que está a ser disponibilizada aqui em Portugal a quem queira obter formação nesta área”.

 

Relativamente a obstáculos, António Palma Reis considera que o financiamento do curso por cada um dos participantes interessados como um obstáculo mais relevante. “Muitos dos participantes nestes cursos beneficiam de financiamento da entidade empregadora, por vezes em contrapartida de um contrato que os vincula a manter a colaboração com a referida entidade durante um período que permita à entidade empregadora amortizar o investimento no curso.

 

Para a frequência do Mestrado, os participantes poderão candidatar-se a bolsas de estudo, como o PRODEP ou a FCT”, explica.

 

Pedro Faria Lopes, coordenador do Mestrado em Estudos de Informação e Bibliotecas Digitais do ISCTE, frisa que “em qualquer actividade profissional de hoje é fundamental o domínio da componente tecnológica com maior ou menor grau de profundidade.

 

Esta realidade está espelhada na quantidade (assustadora) de publicações técnicas especializadas (manuais, livros, como aprender XPTO em 10 lições, e equivalentes) que são editadas.

 

A maioria destes produtos é uma oportunidade de negócio para quem os edita. Nalguns casos a qualidade do conteúdo deixa (muito) a desejar. Mas vendem-se.

 

O paradoxo acontece quando, em resposta à necessidade de actualização desconhecimentos tecnológicos, corresponde um consumo elevado de literatura "técnica", portanto aparente apetência, mas que se traduz, nos processos tradicionais de formação, no medo de potenciais candidatos em enveredar por formação especializada criada a pensar em perfis de alunos que não têm bases informáticas”.

 

Ou seja explica Pedro Faria Lopes “a oferta em termos de formação especializada existe e tem qualidade; nem sempre a essa oferta corresponde a resposta do público-alvo, por medo, porque implica custos, porque implica ser avaliado e colocar-se à prova.

 

A nossa experiência mostra que é possível a abordagem que temos seguido: a de disponibilizar formação técnica a quem dela precisa sem que anteriormente tivesse conhecimentos técnicos”.

 

Sendo assim, a “nossa "batalha" é no sentido de mostrar ao mais vasto público possível que há hoje "medos" que já não fazem sentido, que a linguagem informática pode ser descodificada do seu hermetismo e pode ser acessível. Temos tido sucesso nesta via, estamos convictos que continuaremos a ter público que nos procura por isto”.

 

 

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