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Fundadores explicam futuro da Internet PDF Imprimir Endereço de e-mail:
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04-10-2006 18:08:11
Referências incontornáveis do mundo da Internet e especialistas neste domínio, Robert E. Kahn, Vinton Cerf e Guru Parulkar avaliam a evolução da web desde o seu aparecimento e especulam sobre seu futuro.

Quando Robert E. Kahn e Vinton Cerf criaram o protocolo TCP/IP, estavam a lançar, sem o saber, os alicerces da Internet de hoje. Guru Parulkar, que desenvolve a sua actividade neste domínio das redes há 20 anos, é hoje director de programas da divisão de sistemas de computadores e redes da National Science Foundation dos EUA, onde trabalha na iniciativa GENI, dedicada à investigação sobre o que poderá ser a Internet do futuro. Kahn e Cerf também têm o seu papel no futuro da web:o primeiro é presidente do conselho de administração, CEO e presidente da Corporation for National Research Initiatives, e Cerf é o evangelista-chefe do Google para a Internet.

 

Computerworld

 

A Internet está hoje melhor do que há cinco anos?

 

Vinton Cerf

 

A Internet está pelo menos cinco vezes maior do que há cinco anos. Continua a merecer a confiança das pessoas e os sistemas subjacentes têm maior capacidade, em termos absolutos. Continua a expandir-se no sentido de suportar novas aplicações, incluindo jogos interactivos em tempo real, voz, ferramentas colaborativas e aplicações peer-to-peer. Novos conteúdos estão também a surgir na rede e as ferramentas de busca tornaram-se muito mais sofisticadas. A rede continua a suportar novas aplicações inventadas diariamente. O acesso wireless proliferou e os telefones móveis estão cada vez mais habilitados para a Internet. Os serviços de localização geográfica também estão mais presentes. É isto a Internet de hoje.

 


Computerworld


 

Na Internet, a inteligência reside na fronteira da rede. Nas redes de telecomunicações actuais, a inteligência está na rede. À medida que os dois mundos convergirem, estes modelos vão continuar a coexistir?

 


Guru Parulkar

 

No modelo original da Internet, a rede não é só um mecanismo de transporte de pacotes. Há muita inteligência dentro da rede, sob a forma de servidores e dispositivos. No futuro, teremos que pensar num equilíbrio. De quanta inteligência iremos precisar? Claramente já existe um reconhecimento de que esta arquitectura precisa ser revista. Além disso, estamos a falar de três cenários. O primeiro é que a Internet talvez se aproprie de algumas ideias das redes de telecomunicações. Outra possibilidade é que surja uma infra-estrutura paralela. Uma terceira possibilidade é que a rede de telefonia e a Internet se transformem na mesma coisa. A rede de telefonia está a fundir-se com a Internet. Dentro de 20 anos talvez vejamos isso acontecer.


 

Robert Kahn

 

Gosto de pensar na Internet sem fronteiras. Cada vez mais os fornecedores de rede vão descobrir formas de fazer coisas inteligentes dentro das suas redes. A pergunta que se coloca é até que ponto eles podem trabalhar com fornecedores de aplicativos de modo a melhor satisfazer as necessidades dos utilizadores?

 


Computerworld


 

O que mais o surpreendeu no modo como a Internet evoluiu?

 

Robert Kahn

 

Com a chegada do computador pessoal, de repente o número de máquinas que poderiam ser ligadas era de milhares, dezenas de milhares, ou mais ainda. Alguns argumentam que há perto de  mil milhões de utilizadores, na Internet. Para mim foi uma grande surpresa. Quando criámos o projecto original, tínhamos ideias de escalabilidade e modularidade em mente, o que é um motivo de orgulho. O facto de ter funcionado não foi uma surpresa, embora não esperássemos que fosse nessa escala. Por outro lado, o uso inapropriado da Internet foi um tanto inesperado. Não pensei que as pessoas fossem utilizá-las tão impropriamente.

 


Computerworld

 

Quais são os desafios da utilização da Internet para as empresas, como rede de comunicações das organizações?

 


Vint Cerf

 

A Internet continua a ser desafiada por vírus, worms, cavalos de Tróia e ataques de negação de serviço contra hosts e contra a infra-estrutura. Adaptou-se para proporcionar o acesso de empresas às redes virtuais privadas (VPN), mas os firewalls e os dispositivos de tradução de endereços de rede às vezes interferem nas VPN, serviços de voz sobre pacotes e coisas do género. A autenticação de utilizadores ainda é um desafio e existe a necessidade de maior confidencialidade P2P (ponta a ponta).

 


A implementação do protocolo IPv6 continua lenta na maior parte da rede. Há problemas graves em várias camadas na hierarquia do protocolo, bem como na qualidade do software de sistema operacional que é facilmente invadido. E os programadores de sistemas operacionais e aplicativos não levaram em conta medidas adequadas de autenticação para controlo de acesso, deixando muitos sistemas abertos a exploração.

 

Robert Kahn

 

A segurança foi algo em que pensámos nos primórdios, mas eram tantos os obstáculos à implementação de uma segurança robusta que não seguimos esse caminho. Eu não diria que não há segurança, mas... poderia ser melhor. Gostaria de ver o problema abordado o problema da gestão de identidade para que fosse possível autenticar a informação ao obtê-la. Mas não sei se isso é uma limitação. É só um anseio por algo que poderia ser melhor.

 


Guru Parulkar

 

Se observarmos o mercado wireless móvel, percebemos que a Internet não foi projectada para este grau de mobilidade. O endereço IP é idêntico a um ponto de conexão onde faz uma interface com a rede. Se as pessoas se deslocam constantemente, o ponto de conexão muda constantemente. Portanto, podemos continuar a usar endereços IP com esta arquitectura ou seria melhor separar as duas coisas? Talvez precisemos ter outro nível de endereçamento.

 


Computerworld

 

Como podem estes problemas ser resolvidos?

 

 
Guru Parulkar

 

Problemas de segurança, spam, robustez – não são problemas que possam ser solucionados da forma como o estamos a fazer, isto é, acrescentando cada vez mais sistemas como firewalls e IDS. Alguns são inerentes à arquitectura. Havia o pressuposto de que todo o tráfego da Internet era amigável. Sabemos que não é assim. Não existem mecanismos arquitecturais fáceis para corrigir isso.

 

 
Vint Cerf

 

Acho que a arquitectura da Internet precisa de uma revisão básica da segurança para que este problema seja tratado adequadamente. O acréscimo de recursos, por si só, não resolverá o problema, sem uma reformulação séria do design do sistema.

 


Computerworld


 

O que será a Internet dentro de dez anos?


Vint Cerf

 

Terá entre dois a três mil milhões de utilizadores, terá mais dispositivos na rede do que pessoas, terá imensos arquivos de conteúdo de entretenimento e muitos serviços de terceiros para gerir dispositivos adequados, terá muito acesso wireless, grande quantidade de fibras e cabos de alta velocidade para consumidores… E ainda dispositivos móveis totalmente capacitados para a web, serviços de busca muito mais refinados com componentes verticais significativos, muito mais interacção colaborativa, transacções financeiras expressivas, propaganda online mais diversificada e uma Internet interplanetária com dois planetas operacionais – Terra e Marte – e planos para a estender para outros planetas.

 


Robert Kahn

 

É um veículo de interacção social. De interacção comercial. De acesso a informação. Também é muito frágil porque requer cooperação em redor do mundo para funcionar. Espero que continue assim. O potencial de interacção entre empresas não foi explorado nem perto do que poderia ser. Hoje, a maioria das pessoas que acede aos sites corporativos para ver o que as empresas estão a oferecer, talvez faça pedidos. Mas isso está só no início. A capacidade de a própria Internet facilitar o encontro de organizações virtuais será muito importante. Ainda não aconteceu realmente, mas acho que é um dos próximos passos que veremos.

Guru Parulkar

 

A comunidade de investigação tem que olhar para além da Internet, e o GENI é isso. O GENI tem duas partes. Uma é a pesquisa. A outra consiste em instalações experimentais onde os investigadores podem demonstrar e implementar tecnologias em escala.

Existe meia dúzia de infra-estruturas experimentais que a NSF apoiou.O PlanetLab é um tipo de infra-estrutura experimental global que suporta as chamadas redes de camadas virtuais ou “virtual overlay networks” sobre a Internet. O paradigma é uma infra-estrutura física que possa ser usada pelas minhas equipas ao mesmo tempo que implementa as suas próprias ideias – uma infra-estrutura física divisível em “fatias” virtuais. Dentro da “fatia”, podem implementar a sua própria pilha de protocolo e serviços e fazer a demonstração. A importância é que podemos dar a diferentes pessoas uma parcela de um recurso, mas elas pensam que o recurso inteiro lhes pertence. Toda a gente concorda que é um óptimo meio para uma estrutura de pesquisa interessante. Mas algumas pessoas estão a dizer que talvez seja, também, uma óptima estrutura operacional.

 

O que os utilizadores querem é poder criar a sua própria rede virtual com o seu próprio comportamento, segurança, robustez e qualidade de serviço. Ao contrário do transporte ponto a ponto, se lhes der o mecanismo pelo qual obtêm a sua própria rede virtual, as corporações ficarão mais felizes. Os fornecedores podem vender algo com maior valor agregado do que VPN. Podem oferecer serviços ainda mais sofisticados para os clientes.

 

Datas da rede

1957 – A União Soviética lança o Sputinik, o primeiro satélite criado pelo Homem. Em resposta à iniciativa soviética, o Presidente Norte-Americano Eisenhower cria a Agência de Projectos e Pesquisas Avançadas (ARPA) dentro do Departamento de Defesa.
1962/ 1968 – As redes de switches de pacotes são desenvolvidas.
1969 – O Departamento de Defesa autoriza o funcionamento da Arpanet para pesquisas em rede, com o primeiro nó na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, seguido por nós na Universidade de Stanford, na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, e na Universidade de Utah.
1971 – O primeiro e-mail é enviado.
1973 – As primeiras ligações globais para a Arapanet são estabelecidas, com nós na Universidade de Londres e no Royal Radar, na Noruega.
1974 – Cerf e Kahn publicam “Um protocolo para intercomunicação com a rede de pacotes”, que hoje é reconhecido como o documento de base que descreve pela primeira vez como ligar diferentes redes de pacotes.
1976/1982 – Kahn e Cerf lideram o desenvolvimento dos protocolos TCP e IP para a Arapanet. Estes protocolos tornar-se-ão o backbone da Internet.
1984 – O número de hosts excede mil. É criado o sistema de nomes de domínios.
1989 – O número de hosts ultrapassa os 100 mil.
1990 – A Arpanet deixa de existir, simbolizando a comercialização da Internet. O número de hosts é superior aos 300 mil.
1991 – A World Wide Web, desenvolvida por Tim Berners-Lee, é lançada pelo CERN. A web oferece um sistema de hipermedia distribuída para a Internet.
1993 – O browser gráfico Mosaic é criado por Marc Andreessen e pela sua equipa no Centro Nacional para Aplicações de Supercomputação. A Casa Branca e as Nações Unidas estão online.
1994 – Comunidades locais de Lexington e de Cambridge, em Massachusetts estão online e a Internet começa a tocar a sociedade de muitas maneiras e em muitos níveis.
1998 – A Microsoft entra no mercado de provedores de serviços de rede e browsers.
2006 – A Internet é omnipresente com acessos wireless e milhões de nós e está a transformar-se num veículo fundamental de transacções na economia global.

 

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