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O analista da Gartner, Maximo Pezzini, diz que as PME acabarão por ser arrastadas pela oferta dos fabricantes de software e alerta-as para maiores desafios tecnológicos.
As PME deverão escolher entre duas estratégias para gerir a adopção arquitecturas tecnológicas orientadas a serviços – SOA –, segundo o analista da Gartner, Maximo Pezzini. A estratégia em termos gerais será semelhante à das grandes empresas, de acordo com o analista.
O caminho a seguir hoje, depende da atitude de cada empresa no mercado. Se ela tiver características de “agressivas” de crescimento, talvez valha a pena investir já em alguma tecnologia SOA, segundo Pezzini. Mas se estão numa fase muito sensível aos custos, o analista aconselha as empresas a esperarem.
Para as PME haverá muito provavelmente maiores desafios tecnológicos. Mas não têm como escapar à evolução para arquitecturas SOA: “já se começa a perceber que no futuro produtores de aplicações de negócios vão ser concebidas com arquitectura SOA.” E por isso, ou as empresas adoptam arquitecturas SOA por sua iniciativa, ou acabarão por fazê-lo quando implementarem as suites de aplicações – que serão propostas pela SAP e Oracle, entre outros.
Web Services estão a falhar
O analista deixa escapar alguma desilusão com os fabricantes, ao afirmar “que eles viram os web services como terreno de concorrência, acrescentando uma série de variações, e nisso cometeram um grande erro”. Há cinco anos o analista diz ter alertado para o perigo de os web services poderem falhar e é isso que está a acontecer segundo mesmo.
Pezzini confia na plataforma basilar já estabelecida. Mas diz que os problemas estão a surgir nas extensões de software para áreas como as transacções, coreografia de processos e fiabilidade de mensagens, entre outras. “A padronização, que é uma das características mais interessantes e prometidas dos web services, pode não acontecer tão rápido como se pensa em novas áreas”, considera. Contudo, para Maximo Pezzini os web services são prescindíveis nas arquitecturas SOA. “Conheço projectos onde se usou Corba e funcionam bem”, sustenta. Um dos alertas que Pezzini faz é que as SOA não têm a ver apenas com web services. E nesse contexto aconselha as empresas a desenvolverem conhecimento sobre tecnologias de integrações de aplicações, além de tecnologias de middleware.
Número de serviços é muito importante
Ter a tecnologia certa é muito importante, na perspectiva de Maximo Pezzini. Sobre o número de serviços a implementar na arquitectura o analista deixa uma recomendação na forma de constatação: “Nunca vi um projecto de SOA bem sucedido com mais de 1000 a 1500 serviços estabelecidos”.
Numa apresentação sobre boas práticas na implementação de uma SOA, Maximo Pezzini acabou por referir esse aspecto negativo, a evitar nas novas arquitecturas – “a proliferação selvagem de serviços”. Para controlar o problema, o analista propõe que se estabeleçam “processos de governação orientados para a reutilização das aplicações e serviços existentes.” Como mau exemplo de arquitectura o analista caracterizou uma em que haveria 20 serviços para 20 consumidores, e onde a percentagem de serviços reutilizados seria de 10%. Um dos grandes problemas da SOA será o grau de granularidade dos serviços. Neste caso haveria uma granularidade muito fina além da duplicação de serviços, o que caracteriza uma arquitectura SOA muito especificada.
“Durante 2008, pelo menos 65% dos serviços customizados para novos projectos de SOA serão implementados através de operações de reengenharia ou encapsulamento de aplicações existentes”, avançou Pezzini.
Alertas para salvar os benefícios
Foram vários os benefícios para as empresas apontados por Pezzini, tanto ao nível do particionamento da arquitectura – permite sinergias entre várias tecnologias, por exemplo –, como na possibilidade de se fazer uma implementação gradual e manutenção conforme. O analista também apontou com importante vantagem a possibilidade de reutilização de serviços – com maior rapidez de implementação e menores custos de desenvolvimento, além o incremento da capacidade de adaptação das aplicações.
Mas talvez mais importante foi a revelação de alguns aspectos negativos da abordagem. Pezzini dividiu-os em três grupos: o dos custos, aqueles relativos à infra-estrutura e a necessidade de uma governação e gestão mais apertadas. Nos custos iniciais o responsável refere as mudanças culturais que são necessárias, além da preparação de infra-estrutura adequada que constitui o Backplane do SOA. Além disso, há necessidade de maior formalidade na metodologia gestão e os tempos de concepção de serviços aumentam – além de se verificar a necessidade de se fazerem testes intensivos.
A nível de infra-estrutura ela envolve uma infra-estrutura distribuída e uma utilização extensiva de middleware, com gestão de transacções cuidada. A segurança terá de ser mais granular segundo Pezzini, envolvendo uma gestão de extremo a extremo. A arquitectura não estará isenta do trabalho de eliminação de falhas nem de correcção de problemas. Neste processo, um enfoque na medição de resultados e registo de eventos será importante. É por outro lado a arquitectura SOA não envolve uma gestão mais rigorosa, tendo em conta questões de propriedade de informação e dos serviços, bem como de responsabilização: a facilidade de perceber a alocação de custos ganha maior importância, assim a hierarquização de prioridades.
Benefícios de TI não chegam
Já em fase de conclusão da sua apresentação a Pezzini lembrou que a implementação de uma arquitectura SOA será um processo longo, com várias etapas. A sustentar este aspecto, a Gartner apresenta uma importante previsão: ”em 2010, menos de 25% das grandes empresas terá desenvolvido as aptidões tácticas, técnicas e organizacionais para disponibilizar uma SOA que abranja toda a empresa”. Por isso, o analista recomenda que as empresas façam um plano para vários anos que considere passos de implementação incrementais.
Devem no entanto procurar ter retornos a curto ou médio prazo. Segundo a Gartner, o investimento inicial para aplicações de grande escala orientadas ao serviço só serão justificáveis para projectos com um tempo de vida previsto de três anos ou mais. Outra previsão ligada ao investimento diz que menos de 25% das iniciativas estratégicas de SOA, serão justificáveis em termos de benefícios de TI.
Nem todas as aplicações podem ser só orientadas ao serviço
De acordo com Maximo Pezzini nem todas aplicações poderão ser preparadas para funcionarem apenas segundo a lógica de serviço. Entre elas estão as aplicações de workflow, como as de operações de STP ou processamento de “claims”. Outro conjunto inclui as aplicações baseadas em eventos, como a gestão de risco, a detecção de fraudes, e as aplicações de gestão de cadeia de abastecimento, entre outras.
As aplicações de processos orientados a operações de batch, como a impressão de facturas ou declarações, e carregamento de sistemas de data warehouse. As aplicações de monitorização também terão um componente de eventos: é o caso de aplicações de Business Activity Monitoring e de processos industriais. Por fim, Pezzini apontou as aplicações de B2B (que funcionam na lógica de EDI).
Os serviços e a arquitectura
Numa arquitectura de SOA (Service Oriented Arquitecture) a tecnologia (neste caso o software) passa mesmo a ser um componente do negócio, ao tornar-se serviço. Este é, então um componente do negócio em software preparado para ser invocado pelo seu nome por ambientes externos através de um interface programático. A SOA será, segundo a Gartner, “é um padrão de concepção de software, que consiste de um número indeterminado de serviços registados e consumidores ou clientes, em relações estabelecidas de forma flexível”.
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