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Figura ilustre do mundo do software livre, director-executivo do Linux International, Jon “Maddog” Hall fala sobre o futuro do software e comenta a abertura do Java, pela Sun Microsystems.
Uma das figuras mais conhecidas do mundo do software livre, Jon “Maddog" Hall, é director executivo do Linux International, organização sem fins lucrativos constituída por empresas que apoiam e promovem o uso de sistema operativo Linux.
Computerworld
Quais são as suas recentes contribuições para o mundo open source e como descreve o seu trabalho diário para esta comunidade?
Jon “Maddog” Hall
Actualmente, a minha vida é viajar muito e conversar e explicar o que é a importância do software livre e do código aberto aos mais variados actores do mundo, desde a indústria, aos governos e entidades educativas. Fico contente em dizer que já vi resultados tangíveis em alguns lugares em que estive. Posso ir a um lugar em um ano e conversar com eles, e no próximo ano eles já abriram um centro de desenvolvimento ou criaram um projecto usando software livre.
Computerworld
Acredita que o código aberto ameaça a supremacia da Microsoft?
Eu acredito que o sol vai nascer amanhã de manhã? Eu acredito que o software livre é inevitável, e venho dizendo isso desde Maio de 1994 quando me encontrei com Linus [Torvalds, criador do Linux] pela primeira vez. Observemos também que o software livre e de código aberto existe desde 1969, mas chamávamo-lo apenas de “software” naquela época.
Computerworld
Quais são as diferenças que existem no processo de desenvolvimento de uma aplicação de código aberto e de uma aplicação proprietária?
Jon “Maddog” Hall
As aplicações proprietárias são desenvolvidas sob as restrições fiscais e de tempo de uma corporação. A companhia tem de lucrar, portanto só está disposta a investir uma certa quantidade de dinheiro nas funcionalidades que o cliente necessita e está disposto a comprar.
O Linux também foi portado para hardware que grande parte dos gestores de produtos não aprovaria, devido ao número restrito de unidades existentes no mercado. Mas o desenvolvimento de software livre não é restrito a “termos fiscais”, e pode portanto viabilizar projectos como retirar o kernel e redesenhar o subsistema de I/O como foi feito no kernel 2.6. As aplicações proprietárias também podem ser lançadas “antes do tempo” para aproveitar lançamentos de hardware, lucros trimestrais, e outras “demandas corporativas”. Os programadores de software livre lançam produtos quando estão “prontos”. As pessoas que precisarem do software antes disso saberão que estão a usar uma versão Alpha ou Beta do código e podem actualizá-lo para as novas funções se assim precisarem. Essas são algumas das vantagens do software livre e de código aberto.
As aplicações proprietárias, em geral, são desenvolvidas atrás de portas e janelas trancadas, portanto não sabemos como foram desenvolvidas. As aplicações de software livre e de código aberto são planeadas, implementadas e entregues num ambiente onde as pessoas podem ver e opinar sobre as trocas realizadas, como também pegar códigos intermediários e testarem. Isso faz com que as aplicações estejam estáveis quando são lançadas.
Computerworld
Na sua opinião, as crescentes ameaças aos utilizadores finais e sistemas corporativos podem barrar o desenvolvimento da tecnologia no mundo? É possível minimizar os problemas de segurança no processo de desenvolvimento?
Jon “Maddog” Hall
Há uma série de ameaças ao desenvolvimento do software livre. A maioria delas tem a ver com leis e disputas judiciais ligadas às patentes de software, Direitos Digitais, e a pressão de países como os Estados Unidos para a assinatura de tratados como o WTO [World Trade Organization], entre outros.
Computerworld
O software livre é a plataforma mais segura e confiável?
Jon “Maddog” Hall
Nenhum sistema, seja software livre e de código aberto ou qualquer outro, é completamente seguro e sem falhas. No entanto, a comunidade do software livre vem repetidamente mostrando a sua capacidade de rapidamente analisar, consertar e distribuir correcções para problemas de segurança e fiabilidade. Além disso, a abertura do código permite que alguns projectos tenham uma revisão melhor que os projectos de código fechado. Isso não acontece com todos os projectos, mas com os principais, como o do kernel. Tipicamente temos uma boa revisão de código. E esse processo de “desenvolvimento e teste” incrementado permite uma versão final mais estável.
Computerworld
Que recursos serão exigidos nos futuros sistemas operativos nos próximos anos, considerando aspectos como a mobilidade, a convergência e o entretenimento? Qual é o roadmap para tais recursos nos sistemas operativos baseados em software livre?
O software livre é desenvolvido porque alguém precisa de uma funcionalidade específica. Portanto é difícil prever quando uma certa funcionalidade vai aparecer a menos que alguém esteja disposto a entrar e trabalhar para desenvolver uma determinada porção de código. No entanto, à medida que mais e mais pessoas entram na comunidade de código aberto, essas funções aparecerão com maior rapidez. Acho que estarão prontas “nos próximos anos”.
Computerworld
O que acha da migração de recursos do sistema operativo para o ambiente web?
Embora a web seja muito importante, ainda há muitos lugares no mundo em que a conexão rápida ainda é muito cara ou não está disponível. Esses locais precisam de recursos voltados a dektop (ou palmtop). Além disso, não estou certo de que os modelos financeiros para os serviços de computação via web que suportem um número amplo de utilizadores, estejam maduros, bem como as questões relacionadas com a segurança. Afinal de contas, se o governo norte-americano pode fazer com que as empresas passem informações em segredo para esse governo, porque razão devemos confiar em aplicações baseadas na web para aplicações de missão crítica e informações sensíveis?
Computerworld
Como avalia o anúncio da Sun sobre a abertura do código fonte do Java?
Tornar o código de um produto comercialmente disponível não é o mesmo que torná-lo aberto. Quando os concorrentes e clientes da Sun puderem determinar o futuro do Java, então talvez ele possa ser considerado “aberto”. Até lá, “abrir o Java” permanece uma promessa de mercado.
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