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O analista Craig Mathias, da consultora Farpoint Group explica quais são os impactos das novas tecnologias wireless (sem fios) na actividade e/ou negócio das organizações e empresas.
O analista da consultora Farpoint Group, Craig Mathias, explica que usando tecnologias de conectividade sem fios, as empresas aumentam as suas hipóteses de conseguir tomar decisões antes dos seus concorrentes.
No negócio isso pode ser fundamental. O responsável aconselha as empresas a definam no máximo dois modelos de telemóveis para serem usados nas empresas. Nas previsões de Mathias, a versão móvel do WiMax estará a 20 anos de distância...
Computerworld
Porque é que as comunicações sem fios são hoje cruciais para as organizações?
Craig Mathias
O factor-chave para qualquer negócio é a informação, e as comunicações sem fios possibilitam que uma organização consiga tomar decisões antes dos seus concorrentes. Esse é o diferencial: conseguir as informações onde e quando precisa a tempo de tomar decisões.
Além disso, existe uma grande oferta de tecnologia a preços acessíveis. Fica então claro o incentivo para que os utilizadores finais conheçam mais sobre a tecnologia. E uma vez que isso acontece, os gestores de Tecnologias de Informação precisam de conhecer essas possibilidades abertas pelo wireless.
Chamamos isso o efeito Mac, quando as pessoas começaram a querer usar Macs para fazer o seu trabalho. É a mesma coisa com o telemóvel. Quando uma pessoa começa a usar tecnologia de sem fios, não volta a querer a tecnologia de conectividade fixa.
As equipas de TI precisam de saber dessa situação para sustentar a procura dos utilizadores finais. Os preços, por sua vez, continuarão a cair. Os adaptadores para redes locais sem fio custavam 1,4 mil dólares, e hoje eles são gratuitos.
Computerworld
Mas o que é bom para o utilizador não é necessariamente bom para o administradores de redes ou gestor de TI. Como é que se concilia estes diferentes mundos?
Craig Mathias
Não há ainda uma uniformidade real nesses dispositivos, e por isso não é como gerir uma rede cablada. Olhando da perspectiva do help desk, por exemplo, é como gerir o que as pessoas têm dentro dos seus dispositivos móveis.
Nós sugerimos que as empresas definam um ou no máximo dois modelos de telemóveis. Mas quem treina o treinador? Como se mantém actualizado com todas estas mudanças? Esse é um ponto muito significativo.
Computerworld
E como se decide quem na organização deve ter acesso wireless?
Craig Mathias
Isso começa com uma política de informação, que tipo de informações a empresa possui, quem precisa acedê-la e sobre quais s circunstâncias. Não há muita informação que precise de estar disponível para muitas pessoas.
O Blackberry, por exemplo, pode ser um símbolo de status, mas também pode ser uma coleira electrónica. Uma reclamação constante que recebo é “Estou sempre ligado”.
Há até uma acção judicial sobre um funcionário que trabalhou oito dias, directo, sem interrupções... e acho que estava com o seu Blackberry. Isso muda toda a relação do empregado com a empresa.
Acho que em muitos casos esses dispositivos criam uma ambiente de tirania. Será que estamos criando um ambiente, que em longo prazo, acabará com a produtividade?
Computerworld
O que há hoje de mais quente nas tecnologias wireless hoje?
Craig Mathias
Hoje, o assunto mais quente hoje, sem dúvida é o VoIP. Assim como estamos usando VoIP nas redes fixas, também vamos usar nas redes sem fio, não nos equipamentos móveis, mas VoIP sobre Wi-Fi ou o que chamamos de VoFi.
Já existem alguns produtos desses no mercado. Essa é a convergência real de voz e dados. Outro ponto é o WiMAX. Há muitas ideias erradas sobre o WiMAX ou microondas fixas. É usado para acesso à Internet em áreas rurais, offshore, entre prédios, etc.
A versão fixa é para acesso à Internet e a versão móvel está a 20 anos de distância. Há também o USB wireless que é basicamente uma rede pessoal que uma pessoa leva no bolso.
Computerworld
A procura por tecnologias wireless tanto do lado dos utilizadores, quanto das empresas parece não ter fim actualmente. Quando é que vai terminar?
Craig Mathias
A procura por tecnologia wireless não vai diminuir a não ser que cause tumores no cérebro. Alguma coisa eventualmente vai-nos matar um dia, mas provavelmente não será um telemóvel.
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