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Dois meses após o lançamento do plano, o governo português aproveitou a vista de Bill Gates para participar no Government Leaders Fórum, e assinar um protocolo de colaboração com a Microsoft.
O governo português e a Microsoft assinaram um acordo de colaboração com vista ao desenvolvimento da sociedade de informação no território nacional.
O memorando de entendimento entre a empresa liderada por Bill Gates e o governo português encontra-se estruturado em redor de três eixos coincidentes com o Plano Tecnológico (ver caixa) - conhecimento, tecnologia e inovação – assim como contempla 18 pontos e vai envolver os ministérios do Estado e Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros, da Presidência, da Economia e Inovação, do Trabalho e da Solidariedade Social, da Educação e da Ciência, tecnologia e Ensino Superior. Bill Gates, e á semelhança do que aconteceu no Government Leaders Forum, enfatizou no decorrer da apresentação, que “o software é uma peça central da revolução das comunicações”, iniciada com o aparecimento da Internet e potenciada com o desenvolvimento da banda larga.
Assim, o efeito conjugado de uma Internet mais rápida e de equipamentos conectados mais eficazes tem sido responsável pela “digitalização da generalidade das actividades económicas”, nomeadamente através da criação de um estilo de vida digital e de um modo de trabalhar digital. Para tal, a estratégia da Microsoft visa a criação de uma arquitectura de serviços de software que tenha a capacidade de “potenciar a revolução das comunicações”.
E as competências em tecnologias de informação e comunicações são cruciais neste processo. Assim, não será de estranhar que uma das componentes essenciais do memorando de entendimento entre a Microsoft e o governo protuguês seja a formação e a certificação de competências. No decorrer da apresentação da parceria entre o governo português e a Microsoft, José Sócrates salientou que este acordo “evidencia a solidez do plano tecnológico” e que tal só só é possível porque o governo português e a Microsoft “partilham a mesma visão de futuro”.
E nesta visão o investimento no conhecimento, na tecnologia e na inovação “são cruciais para o desenvolvimento económico”. Por outro lado, e no entender do primeiro-ministro, este tipo de acordos contribuem para a criação de uma cultura de investimento na inovação assim como promovem o empreendedorismo, “factores vitais do sucesso dos países e das organizações”.
Após a assinatura do protocolo, em conversa com a imprensa, Carlos Zorrinho, Coordenador do Plano Tecnológico, manifestou o interesse da parte do governo em estabelecer parcerias com outros fabricantes. Nesse âmbito, confrontado com o facto de a Sun ter oferecido o sistema operativo StarOffice, para ser utilizado pelos organismos públicos, o responsável afirmou que é “um assunto ainda em análise”.
Protocolo abrange três eixos
A colaboração e apoio estipulados nos protocolos deverão distribuir-se por três dos eixos do plano tecnológico: o do conhecimento, da tecnologia, e o da inovação.
Acções no eixo do conhecimento:
- Criação de programas de literacia digital e qualificação tecnológica – como o programa Literacia Digital –, em Portugal e nos PALOP para alunos do ensino secundário, pós-secundário, forças policiais e autoridades ligadas ao combate à criminalidade e segurança electrónica. Em Portugal, o governo espera formar e certificar 50 mil agentes no combate ao cibercrime , até 2010.
- Projecto-piloto em 25 escolas nacionais de adaptação à futura geração de aplicações Windows Vista Office 12.
- Criação de uma sala no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva - de demonstração de TI e Conhecimento, preparada para receber crianças com necessidades especiais.
- Programas de estágios para cursos de formação pós-secundária, para jovens dos PALOP e para jovens com formação superior, desempregados ou à procura do primeiro emprego. Estão previstos 500 estágios em parceiros da Microsoft e no próprio fabricante. Podem alargar-se aos PALOP.
Colaboração no eixo da Tecnologia:
- Criação da rede “Microsoft Innovation Centers” envolvendo o recém-criado Centro Microsoft de Desenvolvimento da Fala e Língua Natural ( que pode ser estendido aos PALOP), alargada aos três novos centros de desenvolvimento de Software associados à Rede de Centros de Especialização Tecnológica (RECET).
- Desenvolvimento do “Computer Emergency Response Team” (CERT) da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade que interliga as instituições do Ensino Superior e respectivos centros de investigação. A administração publica será integrada no Secure Corporate Program visando melhorar a segurança activa e reactiva da infra-estrutura básica das instituições e organismos públicos.
Colaboração no eixo da inovação:
- Promover a integração nas PME, de técnicos formados nos Cursos de Especialização Tecnológica em empresas das fileiras industriais, associadas aos centros tecnológicos.
- Criação de bolsas para formação avançada de recursos humanos nos centros de I&D da Microsoft, destinadas a jovens portugueses.
- Suporte à criação de novas empresas de desenvolvimento de software, promovendo o programa “Empower”, de acesso a ferramentas e soluções Microsoft
Government Leaders Forum Microsoft divulga estratégia para os serviços públicos
A Microsoft anunciou, no âmbito do Government Leaders Forum Europe, que se realizou em Lisboa, a estratégia mundial de serviços públicos e de e-Government, que irá disponibilizar aos governos um guia e tecnologia focalizada na criação de serviços para os cidadãos.
Esta estratégia e estas soluções são concebidas para permitir aos governos “reduzir os custos de burocraciae permitir o aumento da adopção da tecnologia, estimulando o aumento da produtividade”, referiu Gerri Elliott, vice-presidente da Microsoft.
Segundio os responsáveis da Microsoft, esta estratégia irá permitir transformar as operações e permitir aos governos disponibilizar serviços eficientes às empresas e cidadãos, através da utilização de tecnologias inovadoras e interligadas.
“Os governos em todo o mundo disseram-nos que necessitam de uma abordagem mais estruturada na criação dos seus sistemas, para poderem interagir entre si,” afirmou Bill Gates, Chairman e Chief Software Architect da Microsoft. “Apoiar os Governos e os seus departamentos na implementação de uma estratégia de e-Government fornecer-lhes-á acesso a uma maior eficiência e produtividade e a uma melhor prestação de serviços públicos, através de uma interoperabilidade totalmente integrada, ao mesmo tempo que reduz drasticamente os custos”.
Para tal, a Microsoft anunciou o Conected Government Framework (CGF), um documento técnico que disponibiuliza informações de como conceber e implementar a disponibilização de serviços totalmente integrados a instituições governamentais e ao sector público. Este roteiro consiste num documento técnico de posicionamento, diversos workshops para clientes de negócio e técnicos, um roteiro de arquitectura geral e implementações de referência do modelo geral.
Ainda no decorrer do Government Leaders Forum, o e-Skills Certification Consortium (eSCC), um consórcio da qual fazem parte a Microsoft, a Cisco Systems, a European Computer Drive Licence Foundation (ECDL), a Exin, a State Treet Corporation e a Randstat anunciaram a criação da European Alliance on Skills for Employability que irá auxiliar na “coordenação dos esforços entre entidades governamentais e empresas privadas na formação de tecnologias de informação e comunicações de jovens desempregados, pessoas com deficiências e dos idosos”.
A Microsoft lançou ainda um novo currículo de Literacia Digital que será disponibilizado gratuitamente aos Governos, ao mundo académico e a outras organizações não governamentais e estará disponível para todos os cidadãos através da Internet. O currículo de Literacia Digital inclui cursos de formação electrónica e avaliações pessoais online de 5 módulos e fornecerá um programa de formação básica que irá estimular o interesse em qualificações profissionais a um nível mais elevado.
Para além disso, a Microsoft também anunciou que irá aumentar o número de Microsoft IT Academies de 1900 academias para mais de 8000 academias até 2010 com o objectivo de fornecer acesso local a competências tecnológicas para mais de 6 milhões de adultos. Os membros da aliança vão investir mais de 60 milhões de euros ao longo dos próximos cinco anos para atingir esses objectivos.
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