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13-12-2005 12:35:38
A evidência do sucesso nem sempre é clara quando se faz projectos de TIC em Portugal para o sector da Saúde. No entanto, medir benefícios é cada vez mais importante com atesta Luciano Brustia, da TrakHealth.

Em entrevista ao Computerworld, o gestor para a Europa dos serviços a clientes da TrakHealth, Luciano Bruscia, considera que a eHealth tem evoluído de forma lenta mais apreciável em Portugal. Contudo, admite que é cada vez mais premente ser capaz de medir os benefícios dos projectos de TIC na Saúde.

 

“Se um projecto não tem quaisquer medidas de sucesso estabelecidas antes do projecto ser implementado, como é que pode correr mal?”, lembra com razão. Parece também óbvio que não saberemos perceber se está a correr bem. Ou onde pode ser corrigido.

 

Em vez de apontar o que  pode levar um projecto ao desastre, o responsável prefere apontar factores de sucesso. Ter um líder forte e apoiado pela administração é um deles. Mas o sucesso também passa pelo trabalho e pelo compromisso dos fornecedores. Além dos profissionais de saúde, claro…

 

 

Computerworld

 

Qual é a  sua impressão ou percepção sobre a evolução da eHealth em Portugal nos últimos 12 meses?

 

Luciano Bruscia

 

A evolução da eHealth em Portugal tem sido lenta, mas apreciável. Nós vemos um crescente número de organizações, a olhar para os benefícios que a eHealth pode trazer ao nível organizacional, dos custos/ benefícios e das vantagens para o bem estar dos pacientes.

 

 

Computerworld

 

Quais são os principais problemas que detecta nas organizações de saúde  portuguesas?
LB: As principais questões surgem do enfoque em disponibilizar os sistemas como eles existem hoje, mas mais rápidos, em vez de repensar os workflows, as operações e práticas de maneira a avançar mesmo, num ritmo mais acelerado.

 

 

Computerworld

 

Como devem elas resolver os problemas, reduzir custos e optimizar processos, mantendo ou melhorando a qualidade dos seus serviços?

 

Luciano Bruscia

 

Repensando o valor que podem trazer aos pacientes, o enfoque deve centrar-se em oferecer melhor qualidade de cuidados.  O enfoque no paciente como uma entidade com informação à qual toda a equipa médica e administrativa precisa de aceder continuamente é obrigatório. Os registos dos paciente têm de ser claramente definidos e visíveis para os profissionais, que providenciam os recursos médicos. A partir do momento em que isso é atingido, então os processos são automaticamente optimizados e os serviços são melhorados.

 

 

Computerworld

 

Em muitos projectos de eHealth, um dos problemas que as equipas de TI enfrentam é a falta de mecanismos de avaliação dos benefícios dos projectos de TI. Qual é a sua opinião? Qual é a melhor forma de medir o sucesso das TI na eHealth? Quais são os piores indicadores de medir?

 

Luciano Bruscia

 

Sim è verdade, esse problema existe. Se um projecto não tem quaisquer factores de sucesso estabelecidos antes do projecto ser implementado, como é que pode correr mal? E como pode correr bem? Os factores de medição do sucesso devem incluir os resultados previstos, especialmente por terem interesse para quem presta os serviços.

 

 

Computerworld

 

Quais são os principais factores que podem fazer um projecto correr mal em Portugal?

 

Luciano Bruscia

 

As razões são as mesmas que acontecem noutros países, e habitualmente devem-se a uma combinação de factores.  Mas prefiro ser positivo e falar de razões pelas quais um projecto corre bem. Normalmente tem a ver com um forte patrocínio e credibilidade junto do CEO e a administração.

 

Outro factor que tem ajudado é a existência de um líder de projecto que tenha força dentro da organização e seja totalmente responsável, pelo projecto. Importante é também ter fornecedores que se focam no sucesso do projecto e não só na alegria evanescente do cumprimento de um dia de trabalho.

 

Também os utilizadores terão de estar comprometidos com o sucesso do projecto e suficientemente flexíveis para se comprometerem por um bem maior. A gestão da mudança tem de estar sempre presente ao longo do projecto, ao qual têm de ser associados, prazos realistas – conforme a organização. Se algum destes factores estiver em falta, então o projecto está em risco mesmo antes de começar.

 

 

Computerworld

 

Sente que em Portugal os médicos são mais ou menos receptivos à inovação com as TIC, comparando com outros países?

 

Luciano Bruscia

 

A nossa experiência é que em Portugal, os médicos dão as boas vindas às TIC que sendo usadas correctamente como instrumento ampliam as suas capacidades, de disponibilizar cuidados de uma forma melhor e com mais valor. Não obstante, há sempre algumas reticências à mudança, em qualquer sistema que já está sob pressão e isso pode ser mal interpretado.

 

 

Computerworld

 

Como é que as organizações devem envolver os médicos e outros profissionais de saúde nos projectos de saúde?

 

Luciano Bruscia

 

As organizações devem ter estruturas de relatório claras sobre a implementação dos projectos. Isto é, um  director de projecto que responde ao CEO ou à administração.

 

E  este gestor forte e experiente deve reportar uma série de líderes de projecto, responsáveis por áreas específicas. Estes deveriam incluir o CIO, líderes de departamentos médicos, entre outros. Estes fazem interface com os fornecedores, para combinarem a data de conclusão e outros objectivos críticos.

 

 

Computerworld

 

Acha que ajuda ter um CIO com antecedentes como profissional médico?

 

Luciano Bruscia

 

Não. É importante ter um CIO como um membro forte da equipa de implementação , e trazer o seu conhecimento sobre tecnologia, para a operação de implementação. Mas não ser um perito médico. No que acreditamos é que o projecto deva ser dirigido por um profissional, que pode ter já algumas competências médicas ao nível sénior, ou que a equipa tenha essas aptidões nela integradas.

 

 

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