Desafios da gestão da informação na Saúde

A integração de bases de dados com sistemas electrónicos de registos médicos exige esforço de desenvolvimento adicional para ser mais segura, alerta César Funes, gestor de capacitação técnica de parceiros da Commvault.

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César Funes, gestor técnico de parceiros na Commvault

As novas tecnologias nos cuidados médicos vieram para ficar: dos processos clínicos eletrónicos na ponta dos dedos ao papel ativo do doente no tratamento – os sistemas e modelos do século passado têm os dias contados. As transformações estão a acontecer no plano global e, segundo um estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde, “o uso da tecnologia para estender o acesso geográfico aos cuidados de saúde é particularmente promissor”.

Com efeito, a chamada saúde eletrónica aporta benefícios substanciais, tanto aos próprios hospitais ou organizações da saúde como aos pacientes. A primeira vantagem é a rapidez, já que elimina burocracia e permite o acesso standard a pacientes e médicos.

Outra vantagem é a possibilidade de partilhar e aceder aos dados da saúde entre diferentes profissionais ou centros hospitalares, assim como garantir a salvaguarda destes dados cumprindo todos os requisitos normativos. Por último, aproxima-se o paciente da informação, permitindo-lhe ser um elemento ativo dentro da sua própria saúde.

Mas não nos equivoquemos. Tudo isto representa também importantes desafios na hora de gerir a informação médica dos pacientes. Hoje em dia, na maioria dos hospitais, cada departamento atua como uma ilha digital, uma ilha de informação onde não se partilham os dados.

E não por privacidade, mas devido à realidade tecnológica, já que a implementação dos standards de partilha de informação clínica em formato digital é complicada e frequentemente sujeita a personalização por parte de cada fabricante.

É de esperar que, num futuro próximo, as entidades da saúde se abram à standardização própria das TI que podemos encontrar em qualquer outra indústria. Isto tem muitas repercussões, já que se poderiam aplicar de forma mais simples tecnologias como analítica de Big Data, por exemplo, ao ambiente hospitalar ou de investigação.

Papel das tecnologias de gestão da informação

Hoje, as tecnologias de gestão da informação têm um papel chave na área da saúde. Por um lado, o de generalizar o acesso à informação aplicando as soluções que já existem noutras indústrias. Por outro, o de habilitar serviços de apoio à decisão (como sistemas especializados ou analítica) à investigação médica.

Por último, no campo do armazenamento e do acesso à informação garantir que se faz da forma mais segura possível e cumprindo todos os requisitos legais de cada país, respeitando a normativa sobre a privacidade do paciente.

Neste último aspeto, os sistemas de gestão de informação hospitalar devem oferecer as maiores garantias de segurança. A encriptação dos dados é básica, mas também o é ter a confiança de que o acesso aos dados acontece sempre com a autorização devida, em alguns casos com a ocultação da identificação do paciente em ambientes de investigação, onde se podem usar os dados clínicos sem se conhecer a quem pertencem.

Não se trata de algo banal, não é simples eliminar o nome do paciente em, por exemplo, uma radiografia. É que quando falamos de informação médica não falamos de simples bases de dados. Um dos desafios mais importantes da gestão da informação, e que requer um esforço de desenvolvimento adicional, é o da integração com os sistemas EHR (Electronic Healthcare Record Systems), ou sistemas de registo da informação da saúde.

São sistemas caros e críticos onde se guarda toda a informação do paciente, onde há componentes tradicionais, como bases de dados standard ou sistemas de ficheiros abertos, e outros que não o são, com bases de dados proprietárias ou não tão habituais para resto do mercado, ou sistemas de ficheiros proprietários. Portanto, é necessária uma integração específica para proteger estes sistemas.

Outro dos desafios é o do arquivamento de imagens médicas a longo prazo. Isto representa um problema, já que é produzido um volume enorme de imagens que se armazenam em sistemas chamados PACs, provisionados ou fabricados por empresas especializadas na área clínica, cujo mercado não são os grandes sistemas de armazenamento.

Estamos a chegar a um ponto em que a tecnologia destes fornecedores tem problemas de escalabilidade, de segurança, de acesso, etc. Há que conectar estes sistemas, permitindo extrair a informação histórica (dos últimos 20 anos ou inclusive de toda a vida do paciente) em sistemas de armazenamento Enterprise, que se possam deduplicar, encriptar, replicar ou enviar para a Cloud. E dar aos fornecedores de infraestruturas cloud a capacidade de receber esta informação hospitalar com a compressão

necessária, com a encriptação necessária e cumprindo as normativas legais. Porque um hospital não é um centro de dados e não deve desperdiçar recursos ou energia a armazenar informação se outros o puderem fazer melhor e de forma mais económica.

É evidente que as organizações da saúde têm um importante desafio pleno de oportunidades na transformação digital. A proteção e o arquivamento de dados clínicos proporciona uma peça chave para a melhoria da disponibilidade, do acesso e do processamento da informação em sistemas clínicos, impactando de forma positiva na prestação de serviços aos cidadãos, que, no fim de contas, são o mais importante de tudo.




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