Consegue prever o futuro?

A analítica, para automação da tomada de decisões e das operações, constitui uma “auto-estrada” para as organizações aumentarem definitivamente a sua competitividade, considera Jorge Pereira, co-fundador e CEO da Infosistema

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Jorge Pereira, co-fundador e CEO da Infosistema

A concorrência de negócio e as restrições económicas impõem novas abordagens, inovação e mais riscos para apoiar a mudança necessária para sobreviver. A globalização de negócios e uma grande agilidade são “status quo” da actualidade para acelerar os ciclos de venda e conseguir conquistar novos clientes.

Numa das minhas publicações anteriores (JPereira, 2014) afirmei que a inovação pode trazer riscos bem como benefícios e que deve ser devidamente avaliada. Hoje, posso afirmar que as organizações têm que inovar constantemente e adequar os seus processos internos e as suas equipas para uma mudança contínua.

A questão que permanece é como devemos conduzir o tema da inovação (processo de inovação e sugestões com base em indicadores/dados) e quais as iniciativas (decisões) que devem receber apoio de forma a maximizar os resultados.
As tendências anteriores como Cloud, Mobile, Social, IoT e Big Data têm suportado a Transformação Digital nas empresas nos últimos 4 anos. No entanto, muitas organizações estão ainda a lutar para se adaptarem (bem como as suas equipas de gestão) a esta nova realidade e cultura de mudança drasticamente mais rápida em alguns sectores ainda muito conservadores como a banca e seguros.

Ainda não aprenderam a ganhar vantagem competitiva da tecnologia e das redes sociais para promover melhores experiências ao cliente e aumentar a sua lealdade. Além disso, novos requisitos de conformidade legal internacional vão entrar em vigor e serão impostos no inicio de 2018 tais como IFRS9, CRS & PSD2 para a banca ou IDD2 para os seguros, o que forçará a investimentos significativos num contexto de grandes dificuldades na economia global que continuam a drenar recursos das organizações, criando assim enormes desafios para todos.

A transformação interna das organizações é necessária afim de permitir a revolução digital e disponibilizar novos produtos aos clientes, mas o mais importante de tudo, promover experiências fantásticas para os seus clientes e surpreendê-los com informações contextuais e serviços (digitais) premium. Novas competências e novos processos devem ser introduzidos nas organizações como competências essenciais e de forma bastante mais ágil e muito mais rápida do que antes, sempre olhando para o futuro e assim promover a mudança. Uma mudança constante é a única verdade que as empresas devem e têm que assegurar.

Assim, neste ambiente caótico, onde permanece o investimento tão necessário e as iniciativas de inovação que as organizações precisam (BEI, 2016)? Na verdade, poucas organizações mantêm alguns níveis de inovação e de investimentos e serão essas as futuras líderes nas suas respectivas indústrias.

A presente velocidade observada na criação de empresas FinTech está a aumentar a cada ano e estas estão a ganhar o espaço dos agentes tradicionais (49,7 mil milhões de dólares em investimentos de 2010 a 2015). As organizações que consigam promover os seus produtos e soluções ou descobrir novas formas de interacção com os seus clientes numa dimensão global terão maior possibilidade de sucesso.

Estas empresas têm criado novas funções chave como “Head of Innovation” ou “Head of Digital” para gerirem a transformação necessária e a mudança nos processos, bem como a forma de avaliar e decidir o futuro. Uma das grandes conquistas destas novas posições será a capacidade de impor a integração e a partilha de investimentos entre as áreas de “compliance” e as unidades de negócio e, com isso, promover um ROI (Return On Investment) muito superior simultaneamente aumentando a velocidade dos novos negócios com conformidade legal.

O Advanced Analytics representa um elevado nível de maturidade nos processos de análise e decisão das organizações que vai certamente desempenhar um papel muito importante. De acordo com a McKinsey (2016), a adopção de Advanced Analytics é uma viagem de quatro estágios, incluindo:
– “Building insights”;
– “Capturing value”;
– “Achieving scale”;
– “Becoming an analytics-driven organization.

Esses quatro estágios implicam uma melhoria constante no grau de maturidade da tomada de decisões que passam a ser tomadas com base em análise sistemática e que requer gestores com capacidades analíticas como parte integrante da própria transformação da organização. À medida que a função de análise se coloca no centro das organizações o foco muda dos modelos para a aprovação e execução, tornando-se um agente crítico e potenciador da tomada de decisão.

A automação das decisões e das operações representa a auto-estrada que as organizações têm ao seu dispor afim de aumentarem definitivamente o seu nível de competitividade. O Advanced Analytics tem as suas raízes na capacidade de prever o futuro e o seu principal objectivo é alcançar a capacidade de análise prescritiva enquanto se percorre o caminho da optimização (do negócio).

Desta forma, as organizações podem eventualmente prever as necessidades dos seus clientes quer na venda de produtos inovadores ou na optimização do preço a apresentar. Pode ainda aplicar-se em pedidos de crédito para identificar o melhor valor do empréstimo e a capacidade mensal do cliente para assegurar os respectivos pagamentos, impedindo um eventual padrão de incumprimento que, a acontecer, afecta negativamente as provisões do banco (NPL).

Actualmente, existem várias soluções tecnológicas que permitem suportar a análise nos quatro níveis de sofisticação, incluindo a capacidade preditiva e a prescritiva em tempo real. Estas soluções suportam uma importante tendência e podem ser um factor diferenciador chave dentro das organizações, que podem promover significativamente as vendas através de um sistema mais sofisticado para cotar produtos ou de plataformas de venda online como e-commerce, reduzindo ainda o seu risco.

Esta capacidade preditiva permite alcançar uma taxa muito superior na aceitação de propostas (conversão em vendas) e no lucro gerado por via da optimização do preço e da melhor composição (mix) de diferentes produtos para cada cliente específico (de acordo com as suas necessidades actuais e de contexto). Cada oportunidade comercial é uma oportunidade única e distinta de venda que não deve ser desperdiçada.




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