Três métodos de prevenção de falha das baterias de UPS

Utilizar um sistema de monitorização de baterias juntamente com o armazenamento e análise dos dados é o mais eficaz, defende José Soares, líder de negócio e consultor para gestão de energia (EMS) na divisão de TI, na Schneider Electric.

jose-soares_ems-business-leader-consultant-it-division_sacneider-electric_alto

José Soares, líder de negócio (EMS) e consultor na divisão de TI, na Schneider Electric

As empresas contam com as suas UPS para fornecerem energia limpa e fiável aos seus Centros de Dados e a equipamentos críticos – são frequentemente a última linha defensiva no caso de uma falha ou interrupção do fornecimento de energia elétrica. É, portanto, natural que as empresas pretendam saber se existe risco de falha nas suas UPS.

Para tal é necessária a monitorização das baterias de UPS que são a componente menos fiável das mesmas. Qualquer proprietário de um veículo sabe que as baterias têm tendência a falhar – muitas das vezes, sem aviso prévio.

Porém, numa UPS essa situação é ainda mais grave, pois uma bateria em falha coloca pressão adicional em todas as outras baterias dessa série. A bateria com falha irá interferir na energia das restantes, diminuindo assim a duração das mesmas.

A expectativa de duração das baterias das UPS pode ser influenciada por diversos parâmetros, como:
‒ a temperatura ambiente;
‒ a tensão e a corrente de carga;
‒ sobrecarga;
‒ ciclos de descarga frequentes;
‒ ligações soltas;
‒  oxidação nos terminais.

Surpreende-me que um número significativo de empresas descure totalmente a monitorização das baterias das suas UPS ou que acredite que a mera monitorização do nível das séries é suficiente. Não é. É necessária uma monitorização das baterias ao nível de cada bloco.

A falha de controlo bloco a bloco deixa as empresas completamente desprevenidas caso uma bateria comece a falhar, e uma vez que isso aconteça, não levará muito tempo até que todas as baterias da mesma série a sigam de forma sucessiva. Este tipo de negligência acarreta custos para as empresas, dado que todas as baterias terão de ser substituídas prematuramente.

Tal não tem de acontecer. As empresas têm três opções de monitorização de baterias de UPS. Vou apresentá-las por ordem de eficácia.

A primeira alternativa é a realização de medições de bateria de forma preventiva por técnicos especialistas durante as visitas de manutenção de UPS ou baterias, por norma agendadas anual, semestral ou trimestralmente. O técnico deverá medir:

‒ as oscilações nas tensões  carga e descarga de cada bateria bem como de toda a cadeia;
‒ a resistência interna de cada uma;
‒ a carga e descarga das correntes ao longo da cadeia de baterias;
‒ o ambiente e temperaturas individuais das mesmas.

O objetivo é identificar baterias em falha ou que estejam perto do seu ponto de rutura. Apesar deste tipo de checkup ser preferível a não fazer nada, é completamente reativo; na maioria das vezes, os problemas apenas são identificados após acontecerem, quando uma bateria em falha ou que está prestes a falhar já começou a danificar os restantes blocos constituintes da série.

Uma segunda opção é ter um sistema de monitorização de baterias ligado a cada bloco de bateria, de forma a fornecer medições diárias de desempenho de forma automatizada. Embora existam atualmente muitos sistemas de monitorização de baterias disponíveis no mercado, o número de parâmetros de bateria que controlam pode variar significativamente de sistema para sistema.

Um bom sistema de monitorização irá controlar os parâmetros de bateria recomendados pelo IEEE 1491 (Guia do Instituto de Engenheiros Eletrotécnicos e Eletrónicos). Dos 17 critérios que enumera estão incluídos:

‒ oscilação da tensão, carga e descarga de cada série e blocos, bem como a tensão de AC Ripple;
‒ corrente de carga e descarga da série e corrente de AC Ripple;
‒ temperaturas do ambiente e das baterias;
‒ resistência interna das baterias;
‒ ciclos de carga e descarga;

Com este sistema, os utilizadores podem estabelecer patamares de forma a serem alertados caso uma bateria esteja na eminência de falhar. Apesar de este ser um avanço em relação à manutenção programada, tendo em conta que os alertas são mais convenientes, continua a ser uma opção reativa – apenas recebe um alerta após o surgimento do problema.

Um terceiro método, mais eficaz, de gestão das baterias de UPS é através da utilização de um sistema de monitorização de baterias como o previamente descrito, juntamente com o armazenamento e análise dos dados. A análise avançada da informação permite identificar tendências, inclusive quando uma bateria está propensa a falhar – mas meses antes de tal acontecer. Pode determinar quando uma bateria está a ficar doente, por assim dizer, e substitui-la antes que infete todas as outras baterias da cadeia.

Este sistema poderá ser integrado numa ferramenta de gestão de infraestrutura de um Centro de Dados (DCIM) que fornece uma abordagem abrangente e uma monitorização proativa. Os diferentes parâmetros de todo o sistema de energia crítica ficam armazenados e acessíveis num único local: a ferramenta DCIM. Esta, ajuda de maneira geral, a melhorar a gestão e manutenção de todo o sistema de energia crítico e consequente desempenho.

Atualmente, poucas empresas utilizam este sistema pois é um método relativamente recente.
Embora seja melhor implementar tal abordagem desde o início, a colocação de um sistema de monitorização de baterias pode ser realizada em instalações de baterias de sistemas críticos de energia em qualquer altura. Por outras palavras, não é tarde demais para proteger as suas UPS.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado

twelve − nine =