IA e robótica são riscos e oportunidades em simultâneo

A sociedade não acompanha o ritmo da mudança tecnológica. Esta é uma das conclusões do Global Risk Report 2017, do World Economic Fórum, que aponta as principais tendências que irão moldar o desenvolvimento global nos próximos 10 anos.

inteligencia-artificial_hiA inteligência artificial (IA) e a robótica foram identificadas como as tecnologias que têm o maior potencial de consequências negativas e exigem maior e melhor governação.

As conclusões são da análise de 12 tecnologias emergentes distintas realizada no âmbito do Global Risks Perception Survey que integra o Global Risks Report 2017, elaborado pela Marsh para o Fórum Económico Mundial (World Economic Forum).

A propensão da quarta revolução industrial para exacerbar os riscos globais é analisada neste âmbito. A IA e a robótica, apesar do seu potencial para impulsionar o crescimento económico e de resolver desafios complexos, são também identificadas como o principal motor de risco económico, geopolítico e tecnológico entre as 12 tecnologias.

A título de exemplo,vivemos em tempos de ruptura, onde o progresso tecnológico também cria desafios, recorda a Marsh. Sem a devida governação e requalificação dos trabalhadores, a tecnologia acabará por eliminar postos de trabalho mais rapidamente do que os irá criar.

“Os governos já não conseguem oferecer os níveis históricos de protecção social e uma narrativa anti-sistema ganhou força, com novos líderes políticos a culpar a globalização pelos desafios da sociedade, criando um ciclo vicioso em que o menor crescimento económico só aumentará a desigualdade. A cooperação é essencial para evitar a deterioração das finanças públicas e a exacerbação da agitação social”, assinala Cecilia Reyes, Chief Risk Officer da Zurich Insurance Group.

World Economic Forum Global Risks Perception Survey 2016

World Economic Forum Global Risks Perception Survey 2016

Por seu lado, John Drzik, presidente de Global Risk & Specialties da Marsh, assinala que: “a IA tem potencial de oferecer benefícios enormes em sectores desde o de fabrico e transportes, até aos serviços financeiros e saúde. No entanto, uma maior confiança na IA irá criar novas ameaças e intensificar as já existentes”, tais como “a instabilidade social, tornando crucial o desenvolvimento paralelo de governação de risco”.

No global, o relatório resume as análises de 750 especialistas que avaliaram 30 riscos globais bem como 13 tendências subjacentes.

“O relatório tem vindo, ao longo dos anos a apontar factores de risco que podem ser detidos ou invertidos através da construção de sociedades mais inclusivas, para as quais a cooperação internacional e o pensamento a longo prazo são vitais” explica a informação que acompanha o relatório.

A nota de imprensa exemplifica: em 2006, o Global Risks Report alertou para o facto de a “eliminação da privacidade reduzir a coesão social”. Na altura, isso foi classificado como um pior cenário, com uma probabilidade de menos de 1%.

Em 2013, muito antes da “pós-verdade” se tornar a palavra do ano de 2016, o Global Risks destacou “a rápida disseminação da desinformação”, observando que a confiança estava a ser corroída e que eram necessários melhores incentivos para proteger sistemas de controlo de qualidade.

O ano passado, 2016, será “recordado por resultados políticos drásticos, que contrariaram as expectativas de consenso, os sinais de alerta que um conjunto persistente de riscos sociais e económicos poderiam transformar-se numa ruptura do mundo real. Estes foram “permanentemente identificados” no Global Risks Report durante os últimos dez anos.

Ambiente domina “Global Risks Report 2017”
O “Global Risks Report 2017” apresenta um conjunto de tendências para 2017 onde se destacam as alterações climáticas, a desigualdade de rendimento e a polarização social no topo da lista. Pela primeira vez, “todos os cinco riscos ambientais estão entre os riscos mais prováveis e impactantes no mundo. Este relatório de riscos será analisado durante o World Economic Fórum, entre 17 de 20 de Janeiro que tem este ano como tema, a liderança responsável e com capacidade de resposta adaptativa.




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