Contributo das TI na promoção da Saúde

As organizações devem facilitar a estruturação de plataformas integradoras de serviços e para isso é necessário desburocratizar e superar novos desafios culturais, organizacionais e tecnológicos, defende Flávio Teixeira, gestor sénior de operações na Glintt.

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Flávio Teixeira, gestor sénior de operações na Glintt

As TI podem contribuir para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, nomeadamente, na promoção da saúde. Todos os agentes devem focar a sua ação no cidadão, sendo para isso fundamental reforçar a interoperabilidade entre os diversos sistemas de informação, uma vez que a heterogeneidade dos mesmos, associada à complexidade de interações entre os vários agentes do ecossistema da saúde, determina que as empresas de TI apresentem ao mercado soluções inovadoras e integradoras.

Num passado recente, as empresas de TI apresentavam a sua oferta ao mercado baseada em soluções convencionais, orientadas à otimização dos processos das organizações.

Atualmente é necessário encontrar soluções integradoras, abrangendo a participação de toda a comunidade, desde hospitais, centros de saúde, clínicas, farmácias, seguradoras, associações de utentes, profissionais de saúde e os próprios cidadãos. As organizações do ecossistema devem facilitar a estruturação de plataformas integradoras de serviços, permitindo o acesso de todos os agentes (setores público e privado) aos mesmos serviços de forma transparente.

Para isso é necessário desburocratizar e superar novos desafios culturais, organizacionais e tecnológicos. O cidadão deve ter a possibilidade de aceder ao mesmo serviço, através do meio que melhor se adeque à sua necessidade, de forma presencial ou utilizando uma plataforma web, desde que seja garantida a segurança, a confidencialidade e a facilidade de utilização.

Assim como, os vários profissionais de saúde, em diferentes locais, devem aceder à mesma informação, no contexto atual de uma sociedade de informação ubíqua. Mesmo com os recursos já disponíveis, podemos e devemos fazer mais, conforme os fundamentos da filosofia japonesa “Kaizen”, através da melhoria contínua, envolvendo todo o ecossistema na integração dos sistemas existentes para potenciar a telemedicina preventiva, de forma a melhorar a equidade no acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde.

Hoje em dia, já existe a tendência para um uso cada vez mais alargado da telemedicina, sobretudo, em consultas e exames, mas é imperativo alargar o âmbito, principalmente, na assistência e monitorização dos doentes crónicos, com dificuldade de locomoção ou no suporte a pessoas idosas. Daqui resultarão vários benefícios, como a redução de tempo de internamento ou custos de transporte, contribuindo para eficiência e sustentabilidade do sistema de saúde.

Ao alargar a abrangência da telemedicina, adequa-se melhor o termo “telessaúde”, por exemplo, na aplicação de programas de monitorização do estado de saúde, rastreio e educação em saúde. As organizações têm que atuar em consonância, como é um bom exemplo, o centro de telessaúde, ligado ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, conforme demonstram os resultados de fevereiro de 2016 publicados no respetivo site.

“Em 2016, as pesquisas de satisfação respondidas apontam que 84% dos usuários declararam-se muito satisfeitos ou satisfeitos com as respostas obtidas pelas teleconsultorias. A pesquisa apontou também que dos atendimentos realizados, em 56% dos casos evitou-se o encaminhamento dos pacientes a outros níveis de atenção com o uso do sistema de teleconsultoria”.

A citação anterior demonstra que os investimentos em TI podem ajudar a comunidade a obter ganhos em saúde.

No futuro será necessário adotar uma nova visão centrada em sistemas de suporte à decisão baseados na inteligência artificial, sendo para isso necessário reunir consensos mais alargados dos decisores políticos nacionais e internacionais para implementar programas de investimento, permitindo aos vários agentes atuarem na promoção da saúde, em vez de se focarem no tratamento da doença.


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