Dez anos com o iPnone a mudar as TIC nas empresas

Profissionais de TI reflectem sobre o impacto do smartphone da Apple, apresentado ao mercado a 9 de Janeiro de 2007.

iphone-enterprise-100702813-largeNo período de uma década, o iPhone deixou de ser apenas um objecto de desejo entre consumidores e constituiu o produto individualizado que mais afectou o desenho e operações das TIC nas empresas. Transformou um ambiente, controlado de cima para baixo, num cenário muito mais aberto, e pelo menos, defendem muitos profissionais.

“Acho que o iPhone provavelmente foi uma das peças de tecnologia com mais impacto a entrar no mundo das TI, desde a computação”, considera Alex Tosheff, vice-presidente da VMware e director de segurança de informação.

Lançado a 9 de Janeiro de 2007, o iPhone representa um conjunto de forças. Constitui uma revolução na computação pessoal centrada num só dispositivo, ícone de desenho e foco de drenagem catastrófica de atenção. Mas quem não pertence à comunidade das TIC falha em perceber o grau com o qual moldou a computação numa escala maior.

“Eu era uma daquelas pessoas na fila à espera do iPhone original”, confessa o CIO do Needham Bank, James Gordon. “Naquela altura, ele não estava pronto para ser usado em empresas nas funções importantes, por toda a organização devido a uma série de razões, e principalmente para suporte a e-mail do Exchange”.

A situação durou pouco. O advento do iPhone 3G, com o iOS 2.0, em 2008, trouxe o ActiveSync e suporte à recepção automática de email, colocando o dispositivo na vanguarda dos departamentos de TI.

Dar suporte a iPhones em particular e produtos da Apple em geral, de acordo com Kevin More, CIO do May Institute, ainda não é exactamente um “passeio”

Antes do iPhone, o principal desafio para a mobilidade nas empresas centrava-se no email, terreno detido pela BlackBerry, cujo BlackBerry Enterprise Server era o produto central de gestão de dispositivos móveis.

Pelo menos no início, os iPhones exigiam mais trabalho do que os BlackBerry, de acordo com Tosheff. Em parte porque o iPhone e outros smartphones eram capazes de muito mais.

“A Apple não é um fornecedor canónico de clientes empresariais. O BlackBerry tinha o servidor de comunicações e tudo o mais”. Proteger o dispositivo móvel um pouco menos tortuoso, acrescentou, mas o equipamento pessoal era muito mais limitado, no que podia realizar e a experiência de utilizador “não era óptima”.

Suportar iPhones em particular e produtos da Apple em geral, de acordo com Kevin More, CIO do May Institute, ainda não é exactamente um “passeio”. Mas as recompensas geralmente valem a pena.

“Eles são muito difíceis de gerir na empresa: a Apple não facilita no iPhone e nem com o Active Directory no desktop. É definitivamente um desafio”, considera.

Mas o grau de apelo por “funcionar” facilmente é definitivamente atraente. A popularidade do iPhone, entre utilizadores comuns e de TI, não precisa ser reafirmado.

Contudo a procura de compatibilidade com a Apple ainda foi uma questão com a qual as empresas tiveram de lidar. “Mas passamos de uma empresa completamente assente em BlackBerry para não sermos capazes de colocar nada além de produtos da Apple, nas mãos da nossa força de vendas, porque eles iam lidar com médicos”, diz um especialista em TI, de grande empresa de ciências da vida (pediu para não ser Identificados por política da organização).

“Gorila” nas comunicações  sem fios

Quando a evolução do seu sucesso começou a levar os operadores de comunicações móveis a disponibilizar planos de dados ilimitados e a empurrar milhões de utilizadores para os acessos de Wi-Fi, o iPhone tornou-se um “gorila de 400 quilos” na estrutura de comunicações sem fio das empresas.

“Deixe-me dizer-lhe, as aplicações definitivamente puxam dados em quantidades consideráveis das quais o utilizador, com razão, não está ciente”, declara Gordon. “No entanto no departamento de TI, estamos completamente conscientes de quanto os dispositivos consomem.”

As redes empresariais sem fios, como um todo, tiveram de se ajustar rapidamente para ao tsunami de novos terminais. Muitas tiveram de ser redesenhadas e expandidas.

“Em 2011 e 2012, tivemos realmente de começar a redesenhar a nossa rede para acomodar a banda de 5GHz, a proliferação de dispositivos, para permitir que as pessoas tivessem uma boa experiência de utilizador sem congestionamentos”, observou.

A apesar das dores de cabeça, o iPhone e o resto da nova geração de smartphones revolucionaram as TIC empresariais, acrescentando novos recursos que as empresas simplesmente não conseguiam criar.




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