Prodsmart trabalha afirmação nos EUA

A próxima ronda financiamento que a startup procura junto de investidores visa suportar a presença no mercado norte-americano.

Gonçalo Fortes, CEO da Prodsmart

Gonçalo Fortes, CEO da Prodsmart

A Prodsmart foi uma das startups portuguesas que mais atenção captou durante a Web Summit. Conquistou três espaços para startups (boths) no recinto, fez dois pitchs, tendo chegado a uma final, e teve uma equipa dedicada no certame a divulgar a empresa que produz soluções tecnológicas, assentes na cloud, com o objectivo de eliminar o papel do chão de fábrica.

A empresa já soma várias rondas de investimento e está neste momento numa fase de angariação de capital, que deverá concretizar-se ainda durante o primeiro trimestre, avançou Gonçalo Fortes, fundador da empresa, em declarações ao Computerworld.

Já durante a cimeira, no início de Novembro, em Lisboa, o director-geral da startup  apresentava-se visivelmente entusiasmado com os contactos estabelecidos com potenciais clientes, parceiros e até investidores. Passados dois meses, assinala que a presença no Web Summit foi positiva “ao dar uma exposição” à empresa que “vai muito além das paredes do evento”.

Mas mesmo antes da cimeira, a empresa tinha captado a atenção dos media. Em meados de Outubro, a Prodsmart ocupava a 17ª posição no rol de startups mais referido na comunicação social desde Janeiro até aquela data.

Não terá sido alheio a este mediatismo, o protagonismo que o conceito Indústria 4.0 ganhou em 2016, após o Fórum Económico Mundial. Os planos da Prodsmart passam desde sempre pela ligação das fábricas internamente e entre elas por via das tecnologias numa cadeia de valor de produção até ao consumidor final.

prodsmart“Quando o Fórum Económico Mundial trouxe para a ribalta a tendência da Indústria 4.0, as empresas começaram a perceber que é preciso modernizarem, que há formas novas de adquirirem software e de melhorarem os processos” gerou-se uma “tempestade perfeita” para a Prodsmart continuar a crescer e “a fornecer um produto cada vez melhor e entregar cada vez mais valor aos nossos clientes”, salienta.

Mas por trás da visibilidade está o trabalho desenvolvido pela startup ao longo dos anos. Actualmente, já tem mais de 30 clientes, servindo mais de 2000 trabalhadores, dispersos por quatro países, avançou o CEO. A empresa está actualmente, directa ou indirectamente, presente em Portugal, na Roménia, na Alemanha e no Reino Unido e quer entrar dentro de meses nos EUA.

A ambição da empresa é grande, pois a solução que visa libertar a planta da fábrica de papel “pode ser aplicada em qualquer manufactura em qualquer parte do mundo”, destaca.

Mas o que é o Prodmart? “É um sistema de gestão de produção que transforma qualquer linha de produção numa ‘digital factory’. Tal é feito utilizando os dispositivos móveis (tablets e smartphones) como sensores que recolhem dados directamente no chão de fábrica, eliminando o papel e dando um conjunto de informações em tempo real que permitem reduzir o desperdício, aumentar eficiência, reduzir atrasos, saber o estado do processo produtivo em qualquer momento”, explica Gonçalo Fortes.

O Prodsmart foi desenvolvido em ambiente cloud. Fazendo o comparativo com outros sistemas de informação no mercado, Fortes explica que, a partir do momento do registo, “o sistema está pronto a usar, sem necessidade de um ano a ser vendido, seguido de dois a ser implementado”.

Os clientes apenas precisam de registar-se e “começar a pagar uma suave avença mensal de acordo com a sua dimensão”.

goncalo-fortes-prodsmart1Além da simplicidade na utilização, o CEO assinala ainda vantagens financeiras: “baixa o custo de aquisição e o risco de amortização, porque o sistema é constantemente actualizado”. Assinala ainda que “não se coloca a questão de gastar 150 mil euros num sistema estático que se torna rapidamente obsoleto, por vezes antes mesmo de terminar a implementação, porque as empresas, entretanto, mudaram de processos três vezes”.

A solução é também “flexível e adaptável a qualquer empresa [indústria] de qualquer sector”. Não obstante a juventude, Gonçalo Fortes, é filho de um industrial e trabalhou desde cedo em fábricas compreendendo como funcionam os processos e como podem ser melhorados.

Por isso, “estamos em contacto permanente com os nossos clientes e a procurar melhorar o produto com base no seu ‘feedback’ externo, mas também das nossas próprias ideias, propondo aos clientes algo em que eles nunca antes tinham pensado, mas que acabam por gostar e considerar úteis”.

Ao ser distribuído através de cloud computing, o sistema pode ser continuamente melhorado, sem custos adicionais para os clientes. O modelo de negócio da Prodsmart assenta no pagamento de uma avença mensal, sem contratos de manutenção adicionais, a qual faz parte da oferta ou serviço.

Rumo aos EUA

Em Outubro, depois de conquistar o Startup Challenge, lançado pela Microsoft Portugal, em parceria com a Embaixada dos EUA, a Prodsmart teve acesso a um espaço para demonstração no stand da Microsoft na Web Summit e a um ano de residência no acelerador Canopy City em Boston, apoio legal para criar uma entidade nos EUA, como anunciou em Outubro, a gigante do software.

Esta residência no acelerador é uma oportunidade para a equipa da Prodsmart que tem vindo a crescer de forma sustentada ao longo do tempo. Actualmente é composta por 10 pessoas, metade das quais dedicadas às vendas.

A empresa está, no entanto, “em permanente modo de recrutamento”, embora nem sempre com vagas abertas. “Após a próxima ronda de investimento, devemos fazer uma vaga de contratações”, prevê.

A iniciativa para financiamento visa suportar a estratégia de crescimento da empresa tendo em conta as particularidades do mercado norte-americano, “dada a sua dimensão e competitividade”. “A próxima ronda e a expansão [para os EUA] estão intimamente interligadas”, explica o executivo.

“As pessoas não sabem o valor que está a ser produzido em Portugal”, lamenta Gonçalo Fortes (Prodsmart).

Questionado sobre exemplos de empresas que já adoptaram a solução, Gonçalo Fortes explica que a Prodsmart trabalha essencialmente com PME. “Há muitas PME com um valor enorme, a produzir para o mundo inteiro e para marcas famosíssimas, mas que as pessoas não conhecem”. E lamenta: “as pessoas não sabem o valor que está a ser produzido em Portugal”.

A título de exemplo, a startup trabalha com empresas que produzem para grandes marcas automóveis ou da moda de luxo, embora o nome propriamente dito das empresas não seja particularmente conhecido. Entre os mais conhecidos está a Science4You que produz brinquedos científicos, a Yonest que produz iogurtes ou a Sonafi, uma fundição que produz para marcas como a Porsche.

Conselho para quem funda empresas

Gonçalo Fortes frisa que o foco da Prodsmart é a produção do sistema para aplicação na indústria transformadora. Quando lhe pedem conselho para quem está a iniciar uma empresa, a resposta é : “foco laser”.

“Se somos um canivete suíço, se calhar não somos bons em nada. Preferimos ser um bisturi. Ser muito bons no sector em que actuamos”. Mas uma expansão da oferta não é descartada. “Fará sentido no futuro dentro de alguns anos, termos um pacote para os serviços ou para a agricultura? Talvez. Mas agora estamos centrados na manufactura e assim será durante muito tempo”.




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