Os três falsos mitos da IIoT

A grande importância dada às normas standards, percepção errada de custos e o medo de grandes mudanças são citadas como as razões para não seguir com projectos de Industrial IoT (IIoT), diz Gustavo Brito director-geral da IFS para Portugal e Espanha.

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Gustavo Brito director-geral da IFS para Portugal e Espanha

Não há dúvidas de que a Internet das Coisas para a indústria (IIoT) está a evoluir rapidamente. No relatório Digital Transformation – an Internet of Things perspective, a IDC prevê que a base instalada de IoT irá crescer de menos de 13 biliões de unidades em 2015 até 30 em 2020. Neste estudo, a consultora prevê ainda que as indústrias irão investir em soluções de IoT são maioritariamente a manufactura, transportes, energia e utilities, e, por fim, o retalho com uma grande abrangência na sua utilização.

Por outras palavras, o relógio do IIot está a tocar e os negócios que não estejam preparados para endereçar as oportunidades oferecidas pelo IoT necessitam de criá-las e implementar os seus planos rapidamente. Então porque estão ainda algumas empresas a hesitar? Uma resposta prende-se com alguns mitos acerca do IIoT e que são os responsáveis por impedir o avanço dos decisores.

Um foco grande nas normas tecnológicas, custos exorbitantes e medo de grandes mudanças são citadas como as razões para não seguir com projectos de IIoT. Vamos, em seguida, olhar de perto estes mitos.

Mito1: Devemos esperar pela normalização – Falso

Ao contrário dos consumidores onde a estandardização, formal ou por posição de mercado, é chave para o sucesso, a estandardização IIoT não será uma preocupação nas próximas décadas. Certo que existem multiplas iniciativas de estandardização em IIoT apesar de não ser ainda possível perceber qual irá crescer ou será marginalizada.

Contudo tudo isto não é relevante. Ao contrário do mercado para o consumidor onde novos standards como o NFC nos smartphones podem desenvolver-se e ter presença em todo o mercado levando o consumidor a trocar rapidamente de terminal na indústria o processo é diferente e corre sobre equipamentos que têm um tempo médio de vida muito elevado.

Estes equipamentos são fornecidos por dezenas ou centenas de fornecedores diferentes.  Mesmo que os produtores de equipamentos desenvolvam soluções pensadas para o IIoT as últimas soluções de acordo com o padrão levarão décadas para que a indústria faça a substituição dos equipamentos e activos já existentes pelas versões mais recentes.

Para as indústrias que desejam implementar o IIoT é necessário aceitar que no futuro próximo não haverão standards de como ligar os diversos elementos. Por outro lado as indústrias deverão esperar e planear uma integração e desenvolvimento à medida ou mesmo por via da retromontagem de outros sensores e capacidades de comunicação do equipamento e activos de forma a mantê-los ligados.

Mito  2: a IIoT será um salto gigante para a minha empresa, exigindo muito trabalho – Falso

O sucesso da IIoT é acerca de escolher pequenos passos que irão melhorar o seu negócio hoje – não são saltos gigantes que irão transformar a sua indústria amanhã. Para muitas pessoas o IIoT ainda traz à mente empresas disruptivas como a Uber ou Netflix.

Mas na maioria dos casos o IIoT desenvolve, em vez de romper o seu negócio. De acordo com o relatório anteriormente apresentado os drivers principais que conduziram à implementação do IIoT estão relacionados com melhorar as  operações diárias incluindo a melhoria da produtividade (14,2% das empresas), melhorar a qualidade e o tempo de disponibilização ao mercado (11,2%), melhorar a optimização dos processos (10,2%), redução de custos (9,9%) e melhorar a tomada de decisão (9,3%).

Uma visão para a larga maioria das empresas que já operacionalizam soluções de IIoT mostra que as melhor sucedidas já iniciaram processos para a mudança. Isto pode significar o início da ligação de equipamentos.

Aumentar os resultados da empresa através do IIoT pode então inspirar as empresas a dar um passo maior – o que poderia acontecer se nós integrássemos estas descobertas a partir de outro data stream? Eventos externos, como as previsões meteorológicas ou mudanças de temperatura, por exemplo. Como isto poderá mudar a operação nestas máquinas e assim optimizar a performance?

A questão relevante é “como pode isto tornar-nos mais eficientes?” e não “como poderá revolucionar o negócio?” porque uma mudança incremental é o aspecto mais relevante. IIoT está relacionado com melhorar a performance.

Mito 3: IIoT será extremamente dispendioso – Falso

Se há alguns anos atrás esta declaração podia ser verdade actualmente verificam-se três desenvolvimentos que fizeram com que a implementação de IIoT seja mais barata que nunca:

-A queda do preço do hardware e software de IIoT: existe actualmente uma leque de sensores mais inteligentes, baratos e disponíveis para qualquer indústria permitindo o aumento do nível de controlo de software.

Há 10 anos atrás,  para ligar um destes dispositivos o custo seria de pelo menos mil euros – excedendo a capacidade para a maioria das operações em qualquer empresa. Hoje em dia qualquer empilhadora pode ser ligada por não mais que 10 euros.

– Acesso generalizado e barato à Internet: tornou mais fácil haver um elevado número de máquinas e equipamentos ligados numa grande área geográfica com um custo baixo. Novos desenvolvimentos como as redes móveis 5G e LoRa farão com que esta tendência continue.

-Custo efectivo das plataformas cloud e IoT: observámos grandes e entusiasmantes mudanças. As plataformas IoT baseadas na Cloud estão agora prontas para utilização imediata e permitem gerir uma escala massiva. A sua gestão e computação são mais acessíveis que nunca.

Estas três mudanças tornaram possível às empresas iniciarem os projectos de IIoT de forma mais rápida e com um risco menor que nunca, permitindo mais experimentação para atingir o sucesso.

Operacionalizar informação – a chave para o sucesso da IIoT

Adicionalmente aos mitos atrás referidos persiste ainda um factor que muitas empresas tendem a sobrevalorizar – e isso é a forma como as suas informações de IIoT devem ser operacionalizadas. De forma a rentabilizar os investimentos em IIoT é importante não parar de recolher e analisar informação. Ao fazer isto mesmo assim não tem ainda um dólar. Para beneficiar do conhecimento proporcionado pelo IIoT é necessário que seja transformado em acções focadas em optimizar o seu negócio – se isto se focar numa óptima manutenção, melhores níveis de serviço, melhor logística, melhores produtos ou desenvolvimento de novos modelos de negócio.

Isto pode ser feito de formas diferentes mas um aspecto particular é relevante que é a operacionalização da sua informação ser automática e baseados na informação recolhida. Para ilustrar com um exemplo: sensores recolhem informação sobre potenciais sobreaquecimentos.

Em vez de a recolher, registarem e manualmente agir com base nesta informação um processo é criado automaticamente para que qualquer profissional execute a substituição da peça que sofreu sobreaquecimento e assim prevenir falhas graves que limitem a produção. Operacionalizar e automatizar – isto é o verdadeiro poder da IIoT e poderá gerar resultados significativos a qualquer empresa.


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