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Factor humano pode reduzir falhas no centro de dados

22 de Fevereiro de 2013 às 13:45:40 por João Nóbrega

Hoje o sector das TIC assume que perto de 75% das falhas ocorridas em datacenters têm origem no erro humano. Contudo, na visão do consultor Robert Tozer, por isso mesmo o factor humano pode ser um elemento-chave.

Depois de se ter instituído no sector das TIC a necessidade de planear o centro de dados com atenção obrigatória para o consumo energético, há agora outra tendência a manifestar-se: a ideia de que o factor humano deve ser alvo de maior acção, como meio de se reduzirem falhas de serviço dos datacenters. A proposta foi apresentada por Robert Tozer, consultor e director-geral da Operational Inteligence, durante a conferência DatacenterDynamics Lisboa. Investir nos recursos humanos é a forma mais eficaz de reter conhecimento adquirido e alcançar poupanças, diz em declarações para o Computerworld.

Perto de 75% das falhas de serviço de um centro de dados devem-se a erros humanos, de acordo com o Uptime Institute. Por isso mesmo, o investimento no factor humano poderá resolver muitos problemas nos centros de dados.

Na visão de Tozer, a aprendizagem sobre as melhores práticas para manter um centro de dados com consumos de energia eficientes é um aspecto muito importante. Muitas delas acabam por variar de alguma maneira entre centros de dados diferentes, sugere.

“A retenção de recursos humanos pode ser crucial”, diz. Quando um gestor de datacenter sai da empresa, há um importante conhecimento que, à partida, sai da organização.

Ao explicar a forma como a referida aprendizagem evolui, Tozer sugere uma correlação entre três elementos das operações de centros de dados: entre a taxa de falhas, a experiência acumulada sobre procedimentos, e a profundidade dessa experiência.

Manter os processos e a topologia do centro de dados simples é acaba por influenciar positivamente a redução de consumos de energia e de falhas de funcionamento. Segundo o consultor as curvas de aprendizagem acabam por ser mais rápidas, e logo a eficiência das instalações tende a aumentar.

O responsável a alertou ainda para os riscos de os ciclos de aprendizagem estarem interrompidos nas organizações, por “esquemas contratuais”.Por exemplo, a experiência do gestor de centro de dados e os reflexos da mesma no negócio estão separadas entre responsáveis com funções diferentes.

E sem a interacção entre essas componentes não há aprendizagem. Para Tozer, um dos elementos cada vez mais importante é a gestão do ar. Um dos principais problemas em muitas nas empresas é que ninguém é “dono” desta gestão.

“Melhor maneira de executar os projectos, é assumir a responsabilidade pelos mesmos”

Computerworld – Que tendências são mais evidentes nesta área da gestão dos centros de dados para obter maior eficiência?
Robert Tozer – Há cinco anos ainda se construíam os centros de dados para mitigar riscos, e funcionar com carga total, e hoje os gestores de estão a verificar que mesmo a funcionarem com baixas cargas, os centros de dados resultam em contas de energia elevadas. E por isso estão a dar cada vez maior importância à “reutilização da energia.

Há muitas abordagens diferentes face ao problema, desde o recurso à consultoria e ao investimento em equipamento de infra-estrutura. É uma área liderada pelos fabricantes, alguns muito bons outros particularmente caros, com vantagens e desvantagens.

Contudo, há medidas que envolvem um investimento mínimo, são mais eficazes, fáceis de implantar e têm levado aos melhores resultados.

CW – E quais são essas medidas mais fáceis e eficazes do ponto de vista do custo?

RT – Há quatro mais importantes. Uma delas é instalar um sistema e uma forma de gestão de ar adequada. Isso envolve levar as pessoas a perceberem a importância de controlar o ar, de modo a que ele faça o que pode fazer (arrefecer), onde é necessário.

Quando se conseguir isso, é possível elevar os níveis de temperatura. E depois é possível obter maiores eficiências a partir dos sistemas de arrefecimento.

Se tivermos uma fonte de arrefecimento natural e gratuita, poderemos usá-la durante mais horas. Fazendo uma gestão adequada do ar percebe-se que se está a fornecer mais ar do que o necessário, porque ele estará a ir para o sítio certo.

Logo será possível reduzir a velocidade das ventoinhas, com as poupanças inerentes. Tendo implantado as três medidas pode ser necessário investir num sistema de arrefecimento natural.

Isso pode ser caro ou barato, depende de muita coisa. Com estas quatro medidas não se atingirão os taxas muito baixa de eficácia de utilização de energia –  Power Usage Effectiveness (PUE) –, mas conseguir-se-á uma grande diferença. Primeiro será necessário ter reduzido o consumo energético dos equipamentos de TI.

CW – Face ao discurso dos fabricantes as empresas deverão ter cuidado com que aspectos?
RT – Têm de ter cuidado com as promessas feitas pelos fabricantes. A melhor maneira de executar os projectos é assumir a responsabilidade pelos mesmos.

Se as organizações deixarem tudo a cargo do fabricante, o projecto não vai resultar. É melhor estratégia colocar os recursos humanos internos, a acreditarem e a trabalharem no projecto.

Quaisquer promessas destes profissionais serão mais provavelmente cumpridas, enquanto os fabricantes deverão recorrer a muitas desculpas para não cumprirem – assim que forem pagos.

CW – E haverá uma retenção do conhecimento na empresa.

RT – Exactamente. Se um consultor vier, fizer as suas recomendações e depois for embora, esse conhecimento não ficará na empresa.

CW – Mas depois não se pode pagar tudo o que um profissional quer para mantê-lo. Como se chega a um equilíbrio?

RT – Sugiro que se utilize o conceito do Balanced Score Card. Com uma estratégia de enfoque na inovação e aprendizagem, tendo em vista a satisfação do cliente e não tanto nos resultados financeiros, consegue-se obter uma grande diferença.

CW – Que tipos de inovações se podem esperar na área da gestão dos centros dados, para uma maior eficiência?

RT – Investir no elemento humano é a forma mais eficaz de alcançar quaisquer poupanças.

CW – Mas acha que as empresas vão investir mais no factor humano do que em equipamento.

RT – Não, mas deviam investir mais do que estão a fazer. Não são na formação, mas também nos processos de gestão, na consciencialização, na comunicação interdepartamental – este aspecto é muito importante.

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