Número de centros de dados é grande em Portugal

Em evento onde foram analisadas as tendências para o futuro dos media, CEO da PT exemplifica com Canadá para mostrar como 350 datacenters no Estado português é demasiado.

A administração central tem cerca de 200 centros de dados e existem 150 na administração local. Os dados são do Grupo de Projeto para as Tecnologias de Informação e Comunicação mas, quando questionado para comentar estes números, Zeinal Bava preferiu dar o exemplo do Canadá, onde de 300 datacenters governamentais se passou para cerca de 20.

O CEO da Portugal Telecom insistiu que, sobre a segurança na cloud e as recentes notícias de colocar dados sensíveis neste modelo de armazenamento, “a questão é se é mais seguro na empresa ou na cloud”. Relativamente aos países adoptarem este modelo, concedeu que “uns vão mais depressa, outros não, mas entre três a cinco anos, estaremos todos na nuvem”. O “fenómeno de cloud é irreversível”, reforçou.

O responsável da PT falava à margem da conferência Media do Futuro, que hoje decorreu em Lisboa organizada pelo grupo Impresa, onde apresentou ainda alguns números e tendências para este mercado.

Voz perde importância com mobilidade
O consumo digital está a aumentar e os media estão a “mudar-se” para esse meio. “Quem pensaria que a revista Newsweek iria passar para digital”, a partir de 2013? E não só, lembrou, “outras publicações de referência estão também a migrar para o digital”.

Em paralelo, outra certeza é a mobilidade. As vendas dos “dispositivos móveis ultrapassaram as dos computadores em 2012″ e também o “tempo de utilização no móvel está a aumentar – é o único que está a aumentar e vai continuar” até porque o “móvel não é só para voz”. No negócio da PT, actualmente, “só 22% é voz”.

Já o vídeo nos dispositivos móveis “é apenas 2% mas, em 2016, um terço a nível mundial vai ver televisão em dispositivos móveis”, antecipa.

Bava nota ainda a “tendência de crescimento significativo do ‘user generated content’ – existem 25 mil canais no Meo Kanal, metade em acesso aberto – e 385 mil lares consomem este tipo de conteúdos”.

A empresa já está a “monetizar” estes conteúdos criados pelos utilizadores, com publicidade no início do acesso, que repete depois a cada 30 minutos.

Bava nota ainda que “a experiência multi-ecrã é diferente – não vemos um filme inteiro num telemóvel”, por exemplo. Em termos estatísticos, cada utilizador terá acesso, em média, “a sete ou oito ecrãs em 2016 mas será também no carro e na M2M”. Neste caso da comunicação entre máquinas, “vão existir mais de 200 milhões de ligações em 2015″.

“Data mining” e bases de dados
Outra tendência interessante será a geo-referenciação, um mercado que deve chegar aos dois mil milhões de dólares em 2014 mas vale hoje apenas 200 mil.

Bava acredita que, “talvez”, a geo-referenciação possa ser um dos motores para aumentar a publicidade móvel. Se a publicidade está “a deslocar-se da imprensa para o online”, a correspondência no “móvel não aparece” – “os planos de publicidade têm de contemplar os dispositivos móveis mas é difícil”, concede. Até porque, segundo Bava, o 4G (LTE) “vai revolucionar o vídeo online e a televisão em dispositivos móveis” fora de casa.

No entanto, para Portugal, esta evolução pode ser mais difícil, quando “o mercado publicitário vale 60% menos do que há quatro anos”, referiu Pedro Norton, CEO da Impresa.

Perante este cenário, nota-se a retracção para investimentos inovadores nos grupos de media, enquanto operadores como a PT avançam em força para modelos baseados nas plataformas tecnológicas e na sua rentabilização.

Se Bava notou que os media estão “em transformação”, também revelou como a sua própria empresa está a “introduzir modelos analíticos para maximizar o retorno financeiro”. O “data mining”, diz, “é a grande janela de oportunidade, não basta ter os dados [sobre os clientes], é preciso trabalhar em cima deles”. Por isso, a empresa está a contratar matemáticos porque já “não basta ser criativo”.

Mas, como notou o historiador Pacheco Pereira, nos media nem sequer se vêem jornalistas a criarem bases de dados para o seu trabalho ou a criação de novas competências, como laboratórios integrados nos media.

Novos ecrãs e operadores
Outro impacto nos operadores televisivos serão as vendas de televisores ligados à Internet – vendas que “vão aumentar” -, isto quando também o controlo remoto se vai modificar, como é visível no aproveitamento dos quatro botões coloridos para funções interactivas. Aliás, segundo o responsável da PT, o “consumo de televisão interactiva está também a crescer” e com a “interactividade em conteúdos interessantes, as pessoas aderem”.

Por fim, a gravação de programas atira os espectadores para um modelo mais próximo do “my time” afastando-se do “prime time”.

Se o responsável da PT notou que, “por mês, são gravadas 50 milhões de horas” no Meo, o responsável da área de entretenimento e media da PwC, Marcel Fenez, prosseguiu na senda da “re-invenção da televisão”, de como os espectadores estão a passar desse conceito-chave na televisão do “prime time” (horário nobre) para o “my time”, associado ao “shared time” porque “o ser humano gosta de partilhar boas experiências”. Ora esta transformação – que ocorre nos media sociais, por exemplo, com a partilha de comentários sobre um programa televisivo – terá impacto naquilo que paga a televisão.

Segundo Fenez, a publicidade global vai crescer 6,4% de 2011 para 2016 (não é válido para todos os mercados mas é o valor agregado, ressalvou) e a televisão continuará a dominar mas cresce apenas um ponto percentual para os 38%.

Tudo isto ocorre quando outros novos operadores, como a Google, “vieram para ficar e não vale a pena contrariar” esta tendência, salientou Zeinal Bava. “Isto coloca um debate interessante – nós investimos [na infra-estrutura] e eles ficam com os ganhos, mas eles ganham mais se trabalharem connosco”, revelou. “É imprescindível e essas empresas vão entender que isso passa pela colaboração”, notando que “há direitos [sobre conteúdos] que têm de ser respeitados”.

No entanto, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, revelou ter escrito em Março passado ao ministro com a tutela da comunicação social, Miguel Relvas, “sugerindo que o Governo português atuasse de modo semelhante” ao que o governo alemão fez, no sentido da Google “pagar aos editores alemães uma parte da publicidade que, direta ou indiretamente, angaria pela utilização dos seus conteúdos”.

Até hoje, notou, “não recebi qualquer resposta”. Miguel Relvas, na sessão de encerramento, também não abordou o assunto e saiu rapidamente sem responder a quaisquer perguntas dos jornalistas.

Leave a Reply

Your email address will not be published.