Reino Unido admite desenvolvimento de “ciberarmas”

O país está a desenvolver uma “caixa de ferramentas” com software para realizar ciberataques, admitiu o ministro das Forças Armadas britânico, Nick Harvey.

O Reino Unido assume a Internet como um campo de batalha e está a desenvolver uma “caixa de ferramentas” capaz de ser usada em ofensivas contra outros países, revelou o ministro da Defesa, Nick Harvey. E, de acordo com uma notícia do Wall Street Journal,  o governo dos Estados Unidos admitiu pela primeira vez que esse tipo de ataque constitui um acto de guerra. Nessa linha, o país sente-se legitimado a responder com armamento pesado, incluindo mísseis.

Durante uma entrevista ao jornal The Guardian, o ministro britânico defendeu a ideia de o ciberespaço não ser diferente de qualquer outro campo de combate, e impôs as mesmas exigências estratégicas.

“Precisamos de um arsenal de recursos e é isso que estamos a desenvolver”, disse Harvey. “As circunstâncias e o modo como vamos usá-lo são semelhantes ao que faríamos em qualquer outro domínio”. A ciberguerra, foi definida como “o conflito sem fronteiras” e “a acção no ciberespaço fará parte do futuro campo de batalha”.

O desenvolvimento de tecnologias ofensivas está a ser realizado pelo Cyber Security Operations Centre nos Government Communication Headquarters (GCHQ), sob a direcção do governo britânico e do Ministério da Defesa, indicou aquele responsável.

Harvey pareceu negar que a apropriação prévia e o contra-ataque serão práticas mais frequentes da ciberdefesa do que na guerra convencional. “Não acho que a existência de um novo domínio nos torne mais ofensivos do que somos no novo. As convenções colectivas nas quais trabalhamos estão muito maduras e bem estabelecidas”, disse.

“As consequências de um ataque bem planeado, bem executado contra a nossa infra-estrutura digital, podem ser catastróficas. Com as armas nucleares ou biológicas, a bagagem tecnológica é alta. O dedo que paira sobre o botão pode ser tanto o de um estado como de um estudante”, ironizou.

As declarações de Harvey confirmam as suspeitas sobre a atitude do Reino Unido face ao tema da ciberguerra, quando revelou ter sido alvo de numerosos ataques dirigidos por potências estrangeiras à sua infra-estrutura.

Numa conferência sobre segurança realizada em Munique, no mês de Fevereiro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, William Hague, revelou que os departamentos do governo britânico têm sido regularmente atacados por uma ou mais potências estrangeiras não identificadas.

Em Novembro de 2010, o ministro da Defesa utilizou um discurso para assinalar a exasperação crescente no Reino Unido com o nível de ciberataques dirigidos ao país. Sugeria nesse discurso que os mesmos fossem tratados como actos de agressão abrangidos pelos tratados internacionais, incluindo o pacto de defesa mútua militar sobre o qual a NATO foi fundada.




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