Afirmação é de Paul Maritz, CEO da VMware, e ex-Microsoft, onde liderou o desenvolvimento dos Windows 95 e 2000.
O Windows e os sistemas operativos (SO) em geral estão a perder o estatuto de centro da inovação da indústria das TI, afirmou Paul Maritz, CEO da VMware e ex-executivo da Microsoft, durante a sua apresentação no evento VMworld.
Embora não tenha chegado a dizer que os sistemas operativos vão desaparecer, na sua opinião, o papel do sistema operativo na gestão do hardware e na disponibilização de serviços para as aplicações está a ser progressivamente tomado pelas soluções de virtualização e desenvolvimento, como o Spring e o Ruby on Rails.
“Os sistemas operativos tradicionais faziam, sobretudo, duas coisas: coordenavam o hardware e proporcionavam serviços às aplicações. Mas, hoje, a inovação na forma como se coordena o hardware e como se disponibilizam serviços às aplicações já não sucede dentro do sistema operativo”, afirmou Maritz.
O CEO da VMware sustenta que os criadores de aplicações estão cada vez mais virados para a utilização de frameworks como o Spring e o Ruby on Rails e, algo sub-repticiamente, esqueceu-se de mencionar a .NET Framework da Microsoft, que, no entanto, é bastante popular. O Spring é controlado pela própria VMware, que adquiriu a SpringSource, devendo ser provavelmente integrado na VMforce, uma colaboração com a Salesforce.com no campo da cloud computing.
A rivalidade entre a Microsoft e a VMware tem estado bem patente durante o VMworld, muito embora a Microsoft tenha uma presença algo limitada no espaço de exposição do evento. Ao mesmo tempo que Maritz defende a crescente perda de importância do Windows, a Microsoft resolveu publicar numa carta aberta aos clientes da VMware no jornal USA Today, apelando a que não assinem contratos de três anos com a VMware.
“Em primeiro lugar, considero um elogio o facto de a Microsoft sentir a necessidade de pagar uma página inteira num jornal nacional para se dirigir aos nossos clientes. Mas, vir a própria Microsoft falar de estar preso a contratos parece-me um sério caso de ‘diz o roto ao nu’. Deu-me vontade de rir quando li a carta esta manhã”, disse o CEO da VMware.
Paul Maritz disse também que “não tem havido grande inovação dentro dos sistemas operativos desde há 20 anos a esta parte”. Um comentário deveras interessante, dado que o próprio Maritz deixou a Microsoft há apenas 10 anos e liderou o desenvolvimento do Windows 95 e do Windows 2000.
Maritz juntou-se à VMware como CEO há pouco mais de dois anos, quando a EMC, empresa proprietária da VMware, forçou a saída da sua co-fundadora Diane Greene. Os analistas disseram, na altura, que a contratação de Maritz tinha por objectivo ganhar território à Microsoft, e este seu discurso parece dar força a essa ideia. Contudo, a VMware tem consciência de que os seus clientes contam com muitas aplicações Microsoft e Rick Jackson, director de marketing da empresa, prometeu já melhorar o rendimento do Exchange e do SharePoint.
Mas Maritz tornou bem claro que acredita no decréscimo da importância do Windows, quer através dos comentários que proferiu acerca da falta de inovação dos sistemas operativos, quer por outro comentário que fez em seguida em que afirmou que os departamentos de TI estão a optar cada vez mais por máquinas “não-Windows” e “não-PC” (como o iPad da Apple).
A VMware está trabalhar agora no seu próprio Projecto Horizon, que combinará a tecnologia de virtualização da empresa com os serviços dos seus parceiros, com o objectivo de disponibilizar aplicações e dados nos desktops dos utilizadores, sendo este outro exemplo de como a VMware está a tentar retirar tarefas ao sistema operativo.
Entretanto, a VMware anunciou também a aquisição da TriCipher, uma empresa de segurança que ajudará a VMware a expandir as aplicações “single-sign-on” através do centro de dados empresarial e da plataforma cloud, com óbvias vantagens para o Projecto Horizon e outras iniciativas cloud da VMware.
A VMware, que foi fundada em 1998 quando Maritz ainda estava na Microsoft, já não é apenas um simples fornecedor de um hipervisor, a ferramenta que permite a execução de máquinas virtuais em servidores físicos. Quem o garante é Maritz, que, já na edição passada do VMworld, tinha comparado a tecnologia da VMware a um “mainframe de software” e dito que “a virtualização está a levar as TI para além da performance dos mainframes”.
“Há já muito que não somos só um fabricante de hipervisores. Se quiserem um hipervisor gratuito, nós temos. Aliás, algumas centenas de pessoas fazem o seu download anualmente. Mas já não fazemos dinheiro com isso. O nosso negócio é a automatização de centros de dados”, concluiu o CEO da VMware.
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