Intel apresenta protótipo de “computador óptico”

28 de Julho de 2010 às 16:14:53 por computerworld

Permite uma comunicação entre CPU e memória muito mais rápida.

A Intel anunciou ontem o desenvolvimento de um protótipo de que usa feixes de luz para transmitir dados para dentro do computador à velocidade de 50 gigabits por segundo.  Os investigadores da Intel afirmam que a tecnologia óptica poderá basicamente vir a substituir o uso de electrões e cabos de cobre na transferência de dados. A velocidade é a equivalente à transmissão de um filme inteiro em alta definição (HD) segundo, de acordo com a Intel.
Os investigadores da gigante dos chips dizem também que a tecnologia será capaz de transmitir dados ao longo de distâncias maiores do que as conseguidas através dos cabos de cobre.
O CTO da Intel, Justin Rattner, caracterizou o protótipo como um gigantesco avanço, uma vez que os cabos de cobre estão já a atingir os seus limites.
Existe um gigantesco volume de informações que precisa de ser movimentado e a transferência de dados a 10Gbps ou mais através de cabos de cobre está já a tornar-se um desafio. E, mesmo que os dados pudessem ser transmitidos por cabos de cobre a esta velocidade, existem problemas com as distâncias máximas permitidas para cada conexão.
As ligações ópticas resolvem este problema ao permitir transferências de dados a velocidades muito mais elevadas e por distâncias maiores, destacou Rattner numa conferência sobre estes desenvolvimentos.
“A tecnologia fotónica dá-nos a capacidade de mover essas grandes quantidades de dados de uma forma rápida e económica”, garante o CTO, segundo o qual a tecnologia fotónica tem o potencial de aumentar a velocidade de transferência de dados em PCs ou dispositivos portáteis.
O laser já é usado em dispositivos como leitores de DVD e também em aplicações como comunicação de longa distância. Esta tecnologia pode, no entanto, ser cara e a Intel quer baixar o seu custo para poder integrá-la em dispositivos do quotidiano, segundo Rattner. A companhia espera aumentar a velocidade da conexão óptica para 1Tbps à medida que conseguir aumentar o número de canais para melhorar a transferência de dados.
Mas, por enquanto, a companhia demonstrou que já consegue juntar as peças e colocá-las num produto de potencial uso comercial. O próximo passo é implementar a tecnologia em chips e iniciar a produção. A tecnologia poderá, assim, chegar ao mercado em meados desta década e poderá surgir em PCs, servidores, ou dispositivos móveis.
Embora a curto prazo a tecnologia não seja implementada ao nível de circuito integrado, poderá vir a substituir os cabos de cobre que ligam a CPU à memória, por exemplo, segundo Mario Paniccia, responsável da Intel, para quem esta tecnologia óptica vai reduzir a latência, o que resultará na transferência e processamento de dados de forma muito mais rápida.
“Acreditamos que esta tecnologia tem potencial para ser usada em centros de dados”, disse Rattner. Para o consumidor final, uma ligação óptica também ajudará a transferir ficheiros de grande dimensão, como filmes, para dispositivos portáteis a alta velocidade, explica.
“Quando tivermos a certeza de que temos uma capacidade de produção em grande escala, iremos concentrar-nos na questão comercial: que oportunidades de mercado são atraentes para a Intel?”, questiona Rattner.
O protótipo junta alguns projectos anteriores da Intel que emitem, manipulam, combinam, separam e detectam feixes de luz. A conexão inclui um chip transmissor numa placa de PC que combina quatro canais ópticos de dados num único feixe e um receptor que detecta os feixes de luz que chegam, divide os sinais ópticos e converte os fotões em sinais eléctricos.
A Intel já está a trabalhar numa nova interface óptica para ligação de discos e dispositivos de armazenamento externos, dispositivos móveis e ecrãs para PCs a um máximo de 100 metros de distância. Denominada Light Peak, a tecnologia permite a transferência de dados a velocidades de até de 10Gbps.
A Intel encara a Light Peak como um potencial substituto do USB, o actual padrão para ligação de periféricos, entre os quais dispositivos de armazenamento, a computadores pessoais.

Na seguinte entrevista em vídeo, os responsáveis da Intel explicam o conceito e impacto da nova tecnologia a 50 gigabits:

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