SAP-Sybase: o que esperar nos próximos três meses

26 de Julho de 2010 às 11:32:57 por computerworld

O fabricante precisa de detalhar a sua nova estratégia no campo da mobilidade, defendem os analistas.

Agora que a aquisição da Sybase por parte da SAP, por cerca de seis mil milhões de dólares, obteve a aprovação dos órgãos reguladores europeus, o negócio deverá ser finalizado muito em breve. Com isto em mente, clientes e parceiros das duas companhias têm muito a considerar, durante os próximos meses, segundo dizem os analistas da indústria.
Com a transacção, a SAP passa a contar com um portefólio significativo de tecnologias para aplicações móveis e tem planos importantes para elas. De acordo com o co-CEO do fabricante, Bill McDermott, “a mobilidade é o novo desktop”.
Apesar disso, os observadores do mercado ainda apontam algumas questões não respondidas. Para o analista independente Jon Reed, especializado em SAP, a companhia tem que definir as diferenças entre o seu próprio plano Project Gateway, ligado à mobilidade, e a plataforma da Sybase. As poucas informações a respeito das tecnologias, segundo Reed, ainda não são claras para que os clientes se interessem pela construção de uma estratégia de mobilidade.
A julgar pelas declarações do CTO da SAP, Vishal Sikka (na foto), existe um interesse claro da companhia em garantir a entrada de aplicações leves nos dispositivos móveis. Um dos indícios desse movimento é o anúncio recente de que a SAP já criou mais de 600 aplicações para a plataforma móvel.
A plataforma da Sybase, por outro lado, pode ser posicionada como uma ferramenta destinada a uma utilização “mais pesada”. Reed acredita que a questão só deverá ficar mais clara durante a conferência Tech Ed que a companhia deve realizar em Outubro.
Enquanto a estratégia se desenha, a concorrência aperta para o lado dos fabricantes de soluções empresariais móveis, muitos dos quais já trabalham com a SAP. De acordo com o analista e consultor da Netcentric Strategies, Kevin Benedict, a maioria delas já está a trabalhar para garantir que as aplicações sejam compatíveis com a plataforma da Sybase.
Benedict acredita que esses parceiros devem também desenvolver um portfólio de aplicações focalizadas em mercados verticais e que, de forma indirecta, vão concorrer com aquelas que a SAP e a Sybase desenvolverão sozinhas. E, em ambos os casos, o principal objectivo será atender à próxima grande aposta do sector das aplicações empresariais: a mobilidade.
E o analista da Forrester, Paul Hamerman, concorda. “Os clientes não precisam ter estas aplicações de um dia para o outro, mas não há dúvida de que acabarão por migrar os seus processos de negócio para dispositivos móveis”, defende.
Mobilidade à parte, seria importante para os clientes da SAP que a companhia indicasse quão rápido pretende integrar as outras tecnologias da Sybase com o seu portefólio. Na visão de Hamerman, isto é, contudo, menos urgente, uma vez que o fabricante já contava com um elevado nível de integração com as bases de dados da companhia adquirida, o que deverá fazer com que os problemas típicos que envolvem fusões não sejam tão severos como é habitual.
Entretanto, a SAP irá também receber tecnologia de bases de dados in-memory através da compra da Sybase, como nota o analista do Altimeter Group, Ray Wang. Na sua opinião, o mercado vai querer saber mais detalhes sobre como a própria base de dados in-memory da SAP, uma das grandes protagonistas do último Sapphire, irá integrar-se com o produto da Sybase.
E a última aquisição da SAP é um bom ponto de comparação nesta questão das dúvidas de integração. Como a Business Objects contava com uma sobreposição de produtos muito maior, a SAP acabou por ganhar experiência e conhecimentos sobre a logística de uma grande aquisição.
Num primeiro momento, espera-se que a Sybase seja tratada como uma divisão separada. Mesmo assim, Benedict espera que a empresa acabe por ser absorvida naturalmente. “A SAP quer mover para o mundo móvel todos os seus componentes. Quanto mais fizer isso, menos separação haverá entre as companhias”, analisa o especialista.
Segundo Reed, isso não significa que o desafio de lidar com a integração seja pequeno. A aquisição chega num momento em que a SAP acelera sua estratégia de software como serviço, abrangendo, principalmente, a suite de ERP para médias empresas e uma linha separada de aplicações que complementam os sistemas legados das grandes companhias. “Quanto mais soluções forem adquiridas, mais difícil é assegurar uma boa integração. O mais certo é os clientes optarem por uma abordagem de esperar para ver”, defende o analista.
Curt Monash, da Monash Research, diz, por seu turno, que prefere não dar “grande credibilidade aos detalhes que vão sendo divulgados sobre a aquisição”, até porque “as próprias empresas ainda não sabem ao certo o que fazer”.
Na sua opinião, “tudo o que possam dizer agora não passará de suposições. A SAP pode já dizer aos seus clientes o que pretende fazer, mas demorará vários trimestres até que se consiga dizer se essa estratégia é possível de concretizar”.

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