Abordagem parte da ligação de humanos à Internet, analisando, sintetizando, informando, compreendendo e dando opinião sobre dados, usando apenas o poder do cérebro humano.
Numa altura em que muitas empresas ponderam entrar no mundo do cloud computing – considerado por muitos como o futuro da computação – um professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology) sugeriu esta semana a adopção de uma tecnologia complementar que irá permitir criar novos silos de poder computacional.
Baptizada como “crowd computing,” esta nova abordagem é descrita como sendo a ligação de biliões de seres humanos à Internet, analisando, sintetizando, informando, compreendendo e dando opinião sobre dados, usando apenas o poder do cérebro humano.
Este tipo de mecanismo é já utilizado em exemplos populares de interacção humana, como as redes sociais e as Wikis, em franco crescimento nos últimos anos. O crowd computing, explicado por Srini Devadas (na foto), professor de engenharia eléctrica e ciências computacionais do Computer Science and Artificial Intelligence Laboratory do MIT, irá complementar o cloud computing, assumindo-se como uma das duas tecnologias emergentes que têm o potencial de tornar o mundo “colectivamente mais inteligente”.
Tal façanha é essencial para mitigar algumas preocupações humanas, nomeadamente ajudando a prever e diminuir os efeitos dos desastres naturais, entre muitas outras. “Seria de grande utilidade conseguirmos ter uma resposta competente e orquestrada a estes desastres”, sublinha o professor.
No caso dos sismos, por exemplo, um determinado indivíduo pode aproveitar os vários dados disponíveis através da nuvem por forma a prever o impacto dos movimentos do solo, definindo estratégias de evacuação e operações de salvamento com a ajuda da sabedoria colectiva do crowd computing.
Este tipo de iniciativas foi utilizado por cidadãos durante a actividade do furacão Ondoy (ou Ketsana, como foi baptizado internacionalmente), para direccionar de forma eficaz os esforços de gestão de desastres para os locais onde foram mais necessários.
Mas este sistema está longe de ser perfeito. No caso do crowd computing, Srini Devadas acredita que é necessário haver um significativo melhoramento na forma como os actuais sistemas tecnológicos moderam as opiniões, resolvem conflitos e verificam factos. Com o cloud computing, por outro lado, o professor do MIT apela aos fornecedores que se assegurem que as suas soluções respeitam a segurança e a privacidade dos utilizadores. “O desafio também reside em saber como podemos criar aplicações paralelas para conseguirmos aceder a milhões de professores e, desta forma, sermos capazes de dar respostas rápidas a todas as questões que nos cheguem”, sustenta.
Srini Devadas defende que estes desafios precisam de ser respondidos ao longo dos próximos 10 anos e, pessoalmente, manifesta a sua convicção de que isso será possível. Com esta tendência para a utilização da inteligência colectiva como ferramenta, o professor do MIT considera que está mais longe o cenário em que as máquinas acabarão por substituir o ser humano. Pelocontrário, este perito sustenta que o crowd computing levará à criação de “uma relação simbiótica entre software e humanos”.
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