Outsystems disponibiliza desenvolvimento na cloud em Julho

O fabricante português disponibiliza a partir do próximo mês, uma nova oferta de desenvolvimento de software alojada na cloud.

A partir de Julho, a Outsystems vai disponibilizar ambientes completos de desenvolvimento e testes, conjugando a infra-estrutura de cloud computing da Amazon, o software base (sistema operativo e base de dados) e a Agile Platform da OutSystems. Em entrevista ao Computerworld, o CEO da empresa, Paulo Rosado, explica como a organização quer responder aos desafios do modelo de cloud computing.

Computerworld – Como é o vosso projecto para colocar ferramentas vossas num ambiente de cloud computing? Quando é que isso vai acontecer e que modelo de negócio pode suportar essa iniciativa?

Paulo Rosado – A OutSystems está já a aceitar pré-registos para a nova oferta de desenvolvimento de software na cloud que estará disponível em Julho 2010. A nova oferta foi apresentada pela primeira vez durante o NextStep 2010, e foi muito bem recebida. Passamos a oferecer ambientes completos de desenvolvimento e testes, incluindo, disponíveis para aprovisionamento instantâneo. Esta oferta vai facilitar a colaboração de equipas de trabalho remotas e distribuídas, garantir a disponibilidade imediata de ambientes para testes a qualquer momento e apresentar estruturas de custo flexíveis. O serviço vai estar disponível em modo “pay-per-use” a partir de 0.99 EUR/hora. (Mais informação encontra-se disponível em http://www.outsystems.com/cloud.)

CW – Que desafios esperam enfrentar?

PR– A oferta da OutSystems é bastante completa e vai de encontro a um dos desafios enfrentados no desenvolvimento de aplicações por grandes empresas: os longos ciclos de desenvolvimento de aplicações. Cada vez mais, o grande desafio é a agilidade das organizações em conseguirem tirar partido da rapidez e flexibilidade oferecidas pela nova solução da OutSystems.

CWQue tipo de problema de segurança pretendem resolver com a participação na rede de investigação da Carnegie Mellon?

PR – Muitos dos problemas que existem na área da segurança não tem a ver com os protocolos, normas, nem com a capacidade das linguagens de programação em operar sobre esses mesmos protocolos. O que acontece é que os programadores usam a tecnologia disponível de uma forma que inevitavelmente acaba por introduzir falhas de segurança. Um exemplo típico destas falhas é o problema de ‘sql injection’. A Agile Platform já garante que este problema específico de ‘sql injection’ não acontece. Dado que os programadores desenvolvem a um nível mais elevado – do modelo da aplicação e não do código de baixo nível – conseguimos ter esta e outras vantagens. Um dos objectivos deste projecto de colaboração com a rede de investigação da Carnegie Mellon é vir a incorporar na Agile Platform ainda mais garantias a nível da segurança das aplicações produzidas, mesmo antes de estas serem instaladas e em operação. Isso será conseguido recorrendo a sofisticados processos informáticos de validação que inspeccionam e até corrigem erros, sem intervenção humana, sempre que exista o perigo de vir a ser violada alguma regra de segurança. Como exemplo, estender-se-á a capacidade de definição de regras de segurança, desde a interface de utilizador à manipulação dos dados, garantindo, através da análise do modelo da aplicação, que erros do programador não são possíveis de acontecer.

A nossa colaboração na rede de investigação referida surge no contexto do projecto INTERFACES, em parceria com o Centro de Informática e Tecnologias da Informação da Universidade Nova de Lisboa, e a Carnegie Mellon University, que incluem grupos especialistas em segurança do software, e onde soluções inovadoras para a certificação automática da segurança em aplicações baseadas para a web estão a ser desenvolvidas.

CWQuais são os principais desafios da abordagem metodológica que propõem no desenvolvimento de aplicações?

PR – A utilização da metodologia Agile permite rapidez na entrega de aplicações empresarias que estão de acordo com as necessidades do negócio. Para o fazer é fundamental ter as ferramentas de trabalho correctas pois é necessário responder rapidamente à mudança.

Os principais desafios surgem quando as empresas abraçam esta metodologia e continuam a utilizar ferramentas tradicionais que não respondem adequadamente à mudança constante.

CW – Que estratégias de desenvolvimento tecnológico da sua plataforma esperam seguir este ano?

PR – Este ano vamos implementar uma estratégia para o desenvolvimento tecnológico da Agile Platform que já temos aplicado com sucesso em anos anteriores. Esta estratégia assenta numa identificação clara dos principais problemas que afectam as organizações, em particular no TI, e na apresentação de soluções completas, pragmáticas e com qualidade que resolvam problemas reais do negócio.

Para seguir esta estratégia contamos com os nossos clientes, parceiros e com todos os colaboradores da OutSystems. É com base no seu feedback que classificamos os problemas existentes, e é graças à sua colaboração que desenhamos soluções que realmente funcionam.

CWQue necessidade pretendem satisfazer com os wizards, ou assistentes de desenvolvimento? Em que contexto surge o suporte de múltiplas bases de dados pela plataforma?

PR – Toda a filosofia base da Agile Platform assenta na redução drástica do ciclo de desenvolvimento, entrega e manutenção de aplicações empresariais. Os “Wizards” são um passo disruptivo nesta estratégia uma vez que vêm possibilitar a criação de raiz de aplicações core em poucos minutos, através da automatização dos padrões de desenvolvimento mais comuns e que tipicamente consomem uma parte substancial do esforço de desenvolvimento. No entanto, estes wizards vão muito para além da ajuda na criação de novas aplicações. Como é conhecido, a manutenção de uma aplicações é responsável por uma percentagem muito grande do custo total desta durante todo o seu ciclo de vida. Os wizards desenvolvidos pela OutSystems abarcam de igual forma as alterações típicas destas aplicações ao longo dos anos.

O suporte a múltiplas bases de dados, que será disponibilizado na edição Enterprise da Agile Platform, visa essencialmente dar suporte a instalações de grande dimensão, com um portfolio de aplicações e de dados que tipicamente atravessam várias unidades dentro de uma empresa. Neste tipo de ambientes a segmentação de informação quer por políticas de segurança, quer por questões de optimização de storage, bem como a definição de arquitecturas mais modulares e mais escaláveis é algo que os nossos clientes valorizam cada vez mais.

CW – Que aspectos de facilidade de utilização pretendem resolver, para ser disponibilizada na versão 6.0 da plataforma?

PR – Na versão 6.0 da Agile Platform, planeada para o final deste ano, pretendemos endereçar algo cada vez mais relevante em portais e aplicações colaborativas – a “User Experience”. Temos evidências claras de que a usabilidade das aplicações é um ponto fundamental para a sua adopção, para a produtividade dos seus utilizadores finais no dia-a-dia, e portanto para o sucesso das próprias aplicações e consequentemente para o departamento de IT da empresa. Outro aspecto fundamental a endereçar tem a ver com a arquitectura de informação das aplicações, visando a definição de arquitecturas mais extensíveis, onde a interacção com os utilizadores finais seja simples, clara e eficiente. Na perspectiva do programador, entre muitas outras coisas a Agile Platform 6.0 irá introduzir novos padrões de interface e de interacção, novas guidelines, estenderá o conceito de template de aplicações out-of-the-box, e possibilitará adaptar o aspecto e utilização das aplicações através de ‘temas’ em segundos!




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