Os últimos números divulgados pela IDC mostram que as empresas adiaram a compra de novos sistemas Unix nos últimos meses, reduzindo a quota de mercado destes servidores para níveis nunca antes vistos.
O estudo da IDC, publicado na passada semana, mostra que as receitas mundiais geradas pelos servidores Unix alcançaram os 2,3 mil milhões de dólares, ou seja, 22 por cento dos investimentos totais realizados em servidores, durante o primeiro trimestre de 2010. Estes números representam, contudo, uma queda de 10,5 pontos percentuais face ao mesmo período do ano anterior.
Os servidores Unix são sistemas de médio-alto desempenho tradicionalmente utilizados para executar sistemas de missão crítica, mas o seu uso começou a enfraquecer à medida que foram aumentando as capacidades dos servidores x86. Actualmente, este tipo de servidores executa diferentes variantes do sistema Unix, como Solaris, AIX ou HP-UX, sendo que esta dinâmica em termos de suporte de distintos sistemas operativos é talvez o mais intenso do mundo da super-computação.
A lista dos 500 super-computadores do mundo oferece estatísticas detalhadas sobre o processador, arquitectura e sistema operativo de cada sistema e, em finais do ano passado, o Linux era o sistema operativo incluído em 78 por cento das 500 super-máquinas, enquanto o sistema Unix melhor classificado na lista foi o AIX da IBM, com uma quota de 4,4 por cento.
Comparativamente, o Linux representava 61 por cento dos Top 500 em 2005, sendo que, nessa altura, o sistema Unix melhor classificado no ranking era o HP-UX da Hewlett-Packard com quase 15 por cento. Refira-se que a mais recente lista dos super-computadores será divulgada esta semana.
Apesar destes números, há que ter em conta que o Unix continua a representar uma parte importante das receitas do mercado de servidores.
À espera da Oracle
Jean Bozman, analista da IDC, aponta uma série de factores que estarão na origem da queda nas vendas de servidores Unix no primeiro trimestre. Em primeiro lugar, Bozman acredita que a recessão veio adiar a compra de novos servidores Unix, que normalmente são substituídos a cada cinco ou sete anos. Além disso, os compradores de servidores Unix também podem estar à espera que a Oracle conclua definitivamente a compra da Sun e, por último, Bozman acreditam também que os utilizadores de servidores Unix podem estar igualmente à esperando por novas actualizações da HP – que recentemente anunciou o lançamento para breve de novos produtos da sua linha Integrity – e da IBM, prestes a lançar novos servidores Unix. “É ainda demasiado cedo para dizer que as empresas estão, de facto, a abandonar os servidores Unix”, sustenta, no entanto, Bozman.
Em termos globais, a IDC diz que o mercado de servidores cresceu 4,6 por cento face ao mesmo trimestre do ano anterior, para os 10,4 mil milhões de dólares de receitas.
Já a Gartner tinha, na semana passada, apontado um crescimento de seis por cento para o mercado dos servidores durante o primeiro trimestre, alcançando os 10,75 mil milhões de dólares de volume de negócios. Ambas as consultoras apontam os sistemas x86 como o motor do crescimento.
“Vai, ainda, demorar algum tempo até conseguirmos perceber qual vai ser realmente a tendência do mercado Unix”, refere Charles King, analista da Pund-IT. Na sua opinião, a Oracle representa uma grande incógnita nesta equação.
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