A recessão global tem causado estragos por todo o mundo, mas parece ter tido o efeito inverso para os que tentam agora criar uma indústria de processadores no Brasil.
O Centro Nacional em Tecnologia Electrónica Avançada (Ceitec), organização estatal sem fins lucrativos, abriu a sua primeira fábrica de semicondutores em Fevereiro e planeia ampliar o fabrico destes produtos no país até ao final do ano.”A crise veio ajudar um pouco”, afirmou Eduard Weichselbaumer, CEO do Ceitec, segundo o qual “construir uma fábrica durante uma recessão é precisamente o que devemos fazer, bem como contratar o maior número possível de pessoas”.
Para Weichselbaumer, a crise económica mundial contribuiu para o sucesso da sua organização, principalmente para que o Ceitec conseguisse agilizar a produção de chips, e atrair experientes engenheiros para o Brasil, tanto estrangeiros, como também brasileiros que trabalhavam foram do país.
Encontrar oportunidades em plena recessão estimula os esforços do Brasil para construir uma indústria de chips, mas existe também um aumento da concorrência mundial na produção. Entre as nações em desenvolvimento, que trabalham para construir a sua própria tecnologia, estão, por exemplo, a China que também deseja iniciar uma dinastia de chips; a Índia que pretende repetir nesta indústria o mesmo sucesso obtido na indústria do software e também os Emirados Árabes Unidos querem entrar no jogo.
A razão pela qual as nações querem construir as suas próprias indústrias de semicondutores é simples: os chips electrónicos são, na opinião de todos, o futuro. Os semicondutores são o cerne de todos os dispositivos electrónicos, como computadores, TVs digitais, carros híbridos e muitos outros. E todos os dias são encontrados novos usos para estes dispositivos.
Mas a construção de uma indústria de chips não é uma tarefa fácil. Com efeito, Weichselbaumer lidera a terceira tentativa brasileira de entrar na indústria, enquanto outros países, como a China, já fracassaram no passado. O principal obstáculo é o custo. É necessário investir biliões de dólares e são precisas redes eléctricas estáveis, além de empresas para fornecer matérias-primas, incluindo placas de silício e gases usados no fabrico dos produtos.
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