Itanium coloca Intel num impasse

15 de Abril de 2010 às 13:44:05 por João Nóbrega

A Intel reafirmou o seu compromisso de desenvolver o processador Itanium, mas disse também que pretende apostar nos chips para servidor Xeon como forma de capturar mercado na área da computação de alto desempenho, espaço onde o Itanium também compete

O futuro do Itanium tem, nos últimos tempos, estado em discussão, depois de a Intel ter lançado na semana passada os novos processadores para servidores Xeon 7500 e de a Microsoft ter anunciado que o Windows Server iria deixar de suportar o Itanium.
Os processadores Xeon 7500, também denominados Nehalem-EX, são os chips mais poderosos da Intel para servidores empresariais, com funcionalidades de segurança e fiabilidade comparáveis às do Itanium, na opinião dos analistas. Mas as vendas do Itanium estão a cair e a Intel está a tentar oferecer os processadores Xeon baseados em x86 como uma alternativa a chips da concorrência, como o Power7 da IBM e o Sparc da Oracle/Sun, ambos baseados na arquitectura RISC.
A Intel quer que os chips Nehalem-EX conquistem novos territórios, afirmou Shannon Poulin, directora de marketing da Intel para a plataforma Xeon, durante um evento realizado esta semana em Nova Iorque. De acordo com esta responsável, “não está nos nossos planos deixar de apostar no Xeon”.
Shannon Poulin recusou-se, contudo, a responder se o Xeon irá, ou não, substituir o Itanium no futuro. Os analistas, todavia, acreditam que o declínio nas vendas do Itanium poderá fazer com que os chips Xeon ganhem terreno, dada a tendência para as empresas migrarem as suas instalações de servidores para ambientes x86, embora esse cenário possa estar ainda a alguns anos de se tornar realidade.
A Microsoft anunciou há dias que pretende terminar o suporte ao Itanium na sua mais recente versão do Windows Server, o Windows Server 2008 R2, até 2018. “Porquê esta mudança? A evolução natural da arquitectura x86 de 64-bit levou à criação de processadores e servidores que proporcionam a escalabilidade e fiabilidade hoje necessária às empresas”, escreveu Dan Reger, gestor de produto sénior do Windows Server na Microsoft num blogue.
Shannon Poulin diz, por seu lado, que o sistema operativo apenas está instalado em menos de cinco por cento dos servidores Itanium, pelo que não fazia sentido comercial à Microsoft manter esse suporte.
A Intel está agora a tentar posicionar o Itanium de forma a diferenciá-lo dos processadores x86. O Itanium será, assim, dirigido a servidores que correm o sistema operativo HP-UX OS e a “mercados mainframe seleccionados” baseados em Unix e outros sistemas operativos, afirma Rob Shiveley, gestor de marketing para a plataforma de missão-crítica da Intel.
Os chips Xeon destinam-se precisamente a servidores de missão-crítica com sistemas operativos Windows, Linux e Solaris.

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