A chegada de chips x86 de oito e 12 núcleos poderá fazer com que o preço do licenciamento de software de servidor se torne mais vantajoso para os utilizadores da Microsoft.
A nova tecnologia multicore promete às empresas aumentarem a capacidade dos seus processadores, enquanto, ao mesmo tempo, reduzem teoricamente o número de sockets.
Pelo menos para já, a Microsoft não parece muito preocupada com a eventual redução nas suas receitas de licenciamento de software para servidores, consequência da adopção, por parte dos seus clientes, de processadores cada vez mais potentes. Contudo, os analistas duvidam que esta postura da Microsoft se mantenha por muito tempo, já que os fabricantes de chips estão a adicionar cada vez mais núcleos aos seus processadores.
Entretanto, fontes da Microsoft dizem que, para já, não existem planos para alterar a actual política de preços de licenciamento por socket da companhia, mesmo com o anúncio feito pela Advanced Micro Devices de lançar chips com 16 núcleos já no próximo ano.
Eric Jewitt, director de marketing para o software de servidor do Windows, diz que a Microsoft encara o aumento no número de núcleos dos processadores como uma continuação da Lei de Moore, que prevê a duplicação da capacidade a cada 18 meses.
Uma empresa pode aumentar a sua capacidade de computação migrando dos processadores de quatro núcleos para os de 12, reduzindo assim o seu número de sockets e os custos de licenciamento do software.
Contudo, isto apenas funciona se a empresa fizer um espelho da base de dados e o colocar nos novos chips, garante Jewitt, segundo o qual, embora a capacidade dos processadores aumente, também o volume de dados cresce, criando ainda mais necessidades de aumento da capacidade.
À medida que os fabricantes de chips adicionam mais núcleos a cada processador, cresce a necessidade de software que consiga lidar com esse aumento de capacidade, afirma também Scott Rosenberg, CEO da Miro Consulting, empresa especializada na consultoria na área do licenciamento de software. “A indústria do software precisa agora de acompanhar o ritmo de evolução da indústria do hardware”, defende.
No entanto, os fabricantes de processadores continuam a usar como argumento de vendas o facto de os seus chips com mais núcleos terem o potencial de reduzir o número de servidores nas empresas.
Mas nem todos os fabricantes de software aplicam uma tabela de preços com base no número de socket. A Oracle, por exemplo, atribui em vez disso um valor a cada socket por fabicante de chip. No caso dos chips da AMD e Intel, por exemplo, a Oracle definiu um factor de processador de .50 por núcleo, o que significa que um processador de quatro núcleos conta como dois chips.
Os analistas duvidam, entretanto, se as políticas de preços por socket, ou mesmo por núcleo, sobreviverão a longo prazo.
Christopher Voce, analista da Forrester Research, acredita que os fabricantes de software poderão vir a cobrar mais pelas suas ferramentas de suporte, para compensar a eventual perda de receitas causada pelo número crescente de núcleos nos processadores. “As tradicionais abordagens ao licenciamento não vão durar muito tempo”, diz o analista, segundo o qual a indústria tende a adoptar métricas baseadas no negócio, tais como a taxação por uso.
Tags: Advanced Micro Devices, Lei de Moore, licenças, Miro Consulting










