Custos das TIC caem mas em África acesso permanece limitado

8 de Março de 2010 às 17:47:14 por Timoteo Figueiró

Apesar de uma queda significativa nos preços dos serviços de tecnologias de informação e comunicação (TIC) em todo o mundo, a ITU afirma que o acesso à Internet por banda larga continua fora do alcance de muitos países pobres, sobretudo em África.

A International Telecommunications Union (ITU), a principal fonte internacional de estatísticas e dados comparativos sobre as TIC, reporta que os preços da banda larga já caíram em todo o mundo cerca de 42 por cento, só entre 2008 e 2009.
O seu relatório intitulado “Measuring the Information Society 2010″ e que foi divulgado esta semana, a ITU sustenta que a maioria dos países pobres tem fortes lacunas no acesso às TIC, havendo uma estreita relação entre o rendimento de cada nação e o seu acesso à tecnologia.
O organismo diz também que, em 2009, o “ICT Price Basket” – o índice que combina os custos médios de telefonia fixa, telefonia móvel e serviços Internet de banda larga de 161 países – mostra que os serviços de banda larga fixos foram os que mais baixaram de preço, cerca de 42 por cento, comparativamente com os 25 e 20 por cento da telefonia móvel e fixa, respectivamente.
Embora os serviços de acesso à Internet de alta velocidade já estejam disponíveis em quase todos os países, o ITU afirma que a penetração da banda larga fixa nas nações em desenvolvimento continua extremamente baixa, nos 3,5 por cento, contra os 23 por cento dos países desenvolvidos.
O ITU constata que os países com maiores rendimentos pagam relativamente pouco pelos serviços de TIC, enquanto as nações com baixos rendimentos pagam proporcionalmente mais. O ICT Price Basket correspondeu em média a 13 por cento do produto interno bruto per capita em 2009, variando entre os 1,5 por cento nos países desenvolvidos e os 17,5 por cento nos países em desenvolvimento.
Uma comparação regional dos preços de serviços de banda larga fixos mostra uma disparidade evidente, sobretudo entre África e as restantes regiões do mundo. Em média, uma ligação à Internet de alta velocidade representa 500 por cento do rendimento médio per capita em África, o que faz com que o acesso por banda larga se torne obviamente inacessível À generalidade das pessoas que vivem na região.
O relatório do ITU inclui o último ICT Development Index (IDI), que classifica 159 países de acordo com o seu nível de acesso às TIC, comparando os resultados com as classificações obtidas em 2007 e 2008. Um dos principais objectivos do IDI é medir o potencial de desenvolvimento das TIC nesses países, ou até que ponto essas nações podem utilizar a tecnologia para potenciar o seu crescimento e desenvolvimento.
O índice inclui indicadores como o número de lares com computadores, o número de assinantes de serviços de banda larga e as taxas de literacia.
Com a Suécia à frente do ranking global de TIC pelo segundo ano consecutivo, seguida pelo Luxemburgo e República da Coreia, apenas três países africanos se encontram nas 100 primeiras posições do IDI de 2008 – Seychelles (66ª posição), Ilhas Maurícias (72ª posição) e África do Sul (92 ª posição).
Embora a Serra Leoa e a Libéria não tenham sido incluídas no IDI de 2008, o Gana, considerado por muitos como o hub das TIC da África Ocidental, ficou na 116ª posição, atrás de Cabo Verde (102ª posição). A Nigéria e a Gâmbia ficaram em 122º e 124º lugar, respectivamente.
O único país africano referido no relatório como tendo registado um aumento significativo na utilização da Internet e da telefonia fixa e móvel foi a Nigéria.

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