Os bons resultados reportados esta semana por alguns nomes de peso da indústria das TI e as previsões avançadas pelos analistas sobre a indústria das tecnologias acabaram por transmitir sentimentos mistos aos mercados de capitais norte-americanos.
Estes resultados contribuiram para abalar a confiança dos investidores, já debilitada graças às más notícias sobre o desemprego e sobre a dívida da Europa.
O fabricante de aplicações Salesforce.com reportou, na semana passada, um quarto trimestre fiscal positivo. O lucro da companhia subiu para os 20,4 milhões de dólares no trimestre terminado a 31 de Janeiro, contra os 13,8 milhões do período homólogo do ano anterior, tendo o seu volume de negócios crescido igualmente dos 289,6 para os 354 milhões de dólares.
“Como os nossos resultados anuais demonstram, a migração para o cloud computing está a motivar o excepcional crescimento da Salesforce.com”, declarou o CEO da companhia, Marc Benioff, segundo o qual a empresa não pára de inovar, tendo recentemente adicionado funcionalidades de networking social às suas aplicações, através do software Salesforce Chatter, lançado em versão beta na semana passada.
No entanto, as acções da Salesforce acabaram por cair na sessão de quinta-feira, à semelhança do que acontecer no resto do mercado. Aparentemente, o que terá assustado os investidores, sempre receosos de um abrandamento na retoma económica, foram as previsões da companhia para o trimestre que decorre. A Salesforce prevê lucrar entre 0,12 e 0,13 dólares por acção e atingir um volume de negócios de 365 a 367 milhões de dólares. Esta previsão fica abaixo dos 0,18 dólares por acção e 355 milhões de dólares em vendas estimados pelos analistas inquiridos pela Thomson Reuters. Os papéis da Salesforce fecharam a sessão de quinta-feira nos 68,01 dólares, uma descida de 1,43 dólares.
Também as acções da Palm sofreram depois de a companhia ter dito que as suas vendas no terceiro trimestre deverão atingir entre 285 e 310 milhões de dólares. A previsão fica abaixo das estimativas dos analistas, que apontavam para um volume de negócios trimestral de 425,4 milhões. A Palm anunciou igualmente que as vendas para o seu ano fiscal de 2010 deverá ficar “muito abaixo ” da sua anterior previsão, que apontava para receitas de 1,6 a 1,8 mil milhões de dólares.
As acções da Palm acabaram, assim, por fechar a sessão de quinta-feira nos 6,53 dólares, o que representa uma queda de 1,56 dólares. A Palm parece estar a perder terreno no mercado dos smartphones para empresas como a Research in Motion e a Apple, bem como para outros fabricantes de dispositivos concebidos para o sistema operativo Android do Google.
Entretanto, o relatório divulgado na semana passada pelo Gartner sobre o mercado dos servidores no quarto trimestre de 2009 acabou também por agitar o mercado. Nos últimos três meses do ano, as vendas mundiais de servidores cresceram 4,5 por cento face ao período homólogo de 2008, para os 2,2 milhões de unidades. No entanto, as receitas geradas por este mercado caíram 3,2 por cento, para os 12,6 mil milhões de dólares. O aumento no número de unidades vendidas não deixa de ser um indicador de retoma, mas o Gartner prefere manter-se cauteloso nas suas análises.
“A recuperação que teve início no terceiro trimestre de 2009, sobretudo estimulada pelos servidores x86, estendeu-se ao quarto trimestre”, conta Jeffrey Hewitt, vice-presidente de investigação do Gartner. Contudo, adianta, “é importante contextualizarmos esta retoma, já que o quarto trimestre de 2008 foi bastante fraco, pelo que o último trimestre de 2009 não teve que ser muito forte em termos de vendas de sistemas x86 para gerar este crescimento”.
Além disso, a consultora faz notar que as empresas, ainda a mãos com fortes restrições orçamentais, tendem a comprar servidores de baixo custo, com consequências óbvias para os modelos mais caros. “Os servidores Unix RISC/Itanium sofreram uma queda de 30,5 por cento em unidades vendidas e de 20 por cento em receitas, durante o quarto trimestre”, informa Hewitt.
A consultora de mercado mostrou-se mais optimista quanto ao sector dos chips. O aumento nas vendas de PCs deverá conduzir este ano a um crescimento nas receitas do mercado de semicondutores para os 276 mil milhões de dólares, contra os 231 mil milhões de 2009, diz o Gartner, segundo o qual as receitas anuais deste sector caíram 9,6 por cento no ano passado.
Os anúncios provenientes da indústria das tecnologias não deverão ser suficientes para aliviar as preocupações dos investidores, já de si muito cautelosos quanto à evolução da economia. As acções das TI atingiram o seu máximo de 16 meses em Janeiro último, com alguns dos principais nomes do mercado, como a IBM, Intel, Apple e Google a reportarem aumentos nas vendas. Todavia, os mercados voltaram a entrar em turbulência, à medida que começaram a surgir notícias que sugerem um ritmo de retoma da economia mais lento.
Na quinta-feira passada, os mercados de capitais responderam negativamente a um relatório que apontava para um aumento inesperado nos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA. Além disso, os problemas relacionados com a dívida da Grécia vieram suscitar receios de que a situação financeira precária da Europa se estenda a outras economias mais vulneráveis, como Espanha e Portugal.
O índice das tecnológicas Nasdaq fechou a sessão de quinta-feira nos 2234 pontos, registando uma queda de 1.68 pontos. Embora possa não ser uma queda acentuada, a verdade é que as acções dos fabricantes de computadores já caíram 4,24 por cento desde o início do ano e as das empresas de telecomunicações desceram 2,67 por cento.
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