Os anúncios de servidores de última geração realizados pela IBM e Hewlett-Packard na semana que passou não contribuirão para diminuir a perda de mercado dos sistemas Unix, causada pelo domínio crescente dos servidores x86.
A IBM acaba de lançar quatro servidores Power que se baseiam no seu mais recente processador Power7, com suporte para os sistemas operativos Unix e Linux. Por seu turno, a Hewlett-Packard veio dizer que pretende incorporar o novo chip Itanium da Intel nos seus servidores Integrity, que também suportam o sistema operativo Unix. Ambos os chips oferecem o dobro da performance dos seus predecessores, contando com funcionalidades adicionais que melhoram a sua fiabilidade e operacionalidade.
No entanto, na opinião dos analistas, nem mesmo os novos chips terão grande efeito na recuperação das vendas de servidores Unix. As empresas estão cada vez mais a optar por servidores baseados em chips x86, cada vez mais potentes e a conseguir entrar em mercados tradicionalmente dominados pelos Unix.
O mercado Unix – incluindo hardware e aplicações – está estagnado com tendência para cair graças à ofensiva por parte dos servidores x86. Durante o terceiro trimestre de 2009, a IBM foi o líder do mercado dos servidores Unix, 39,5 por cento das receitas geradas neste segmento, tendo a HP ocupado a segunda posição, com 29,2 por cento de quota. Durante este trimestre, as receitas provenientes dos servidores Unix caíram cerca de 23,4 por cento para os 2,8 mil milhões de dólares, face ao trimestre homólogo de 2008, de acordo com a IDC.
Muitas empresas estão a migrar para servidores x86 graças aos menores custos de hardware e software que envolvem, bem como à menor necessidade de manutenção dos sistemas, de acordo com Jim McGregor, responsável de tecnologia da In-Stat. Na sua opinião, os servidores Unix podem oferecer um melhor desempenho, mas têm uma relevância limitada a um conjunto de aplicações. Comparativamente, os servidores x86 conseguiram livrar-se da reputação que lhes apontava uma performance mais fraca, sendo agora capazes de correr um número significativo de aplicações importantes, acrescenta o mesmo especialista.
Mas McGregor admite que o mercado Unix continua a ser um nicho para tarefas como processamento financeiro, que exigem uma elevada performance. Além disso, algumas companhias investiram significativamente em software para servidores Unix e, por isso, deverão manter a sua infra-estrutura actual em vez de mudar para servidores x86.
O responsável de tecnologia da In-Stat diz que as empresas procuram mais flexibilidade e podem facilmente comprar servidores x86 “off the shelf”. Além disso, a infra-estrutura de software cada vez mais completa dos x86 é também uma boa razão para convencer muitas empresas a migrarem para os x86.
Mas os chips x86 tradicionais não oferecem as funcionalidades RAS (sigla referente a reliability, availability e serviceability) que permitem manter a fiabilidade dos servidores, diz Charles King, analista principal da consultora Pund-IT. No entanto, este especialista sustenta que essa lacuna está a desaparecer, à medida que os chips x86 se tornam cada vez mais potentes e capazes. Aliás, a Intel e a Advanced Micro Devices estão a apostar cada vez mais no enriquecimento destes processadores, que já estão a ser usados em super-computadores para processamento de complexos cálculos matemáticos.
Charles King considera que vai ser interessante ver o impacto dos servidores de oito núcleos Nehalem-EX da Intel no mercado Unix. A Intel alega que o chip para servidores Nehalem-EX será o seu mais rápido até à data, tendo por isso o potencial de levar os sistemas baseados em x86 para o território dos servidores topo de gama. O chip conta com funcionalidades presentes no seu congénere Itanium da Intel, como correcção de erros, por exemplo.
Mas os servidores Unix continuarão a ser conhecidos como máquinas robustas para tarefas de missão crítica, dizem os analistas. A IBM deverá manter o seu domínio no mercado dos mainframes, com os servidores Power7, e a HP continuará a oferecer servidores Integrity com o chip Itanium, desde que estes permaneçam rentáveis, prevê King.
No lançamento do servidor Power, Rod Adkins, vice-presidente do IBM Systems and Technology Group, declarou que, à medida que o volume de dados aumenta, cresce também a necessidade por servidores Unix mais rápidos e fiáveis. O mercado dos servidores Unix, diz este responsável, está a crescer para os milhares de milhões de dólares e os sistemas Power continuarão a dominar este espaço.
A IBM está também a oferecer opções de preços mais agressivas para os seus servidores Unix, por forma a conseguirem competir com a oferta de máquinas x86. “O mercado Unix é considerável e encontra-se de boa saúde”, considera Rod Adkins.
A HP e a IBM têm também tido algum sucesso a seduzir os clientes da Sun, cujo programa de desenvolvimento de chips encontra-se suspenso após a aquisição por parte da Oracle, acrescenta Charles King.
A Sun não tem dito ao mercado em que direcção seguirá o seu programa de desenvolvimento de chips Sparc, gerando preocupação no seio dos seus clientes.
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