O mercado das aplicações de realidade aumentada para dispositivos móveis deverá chegar aos 732 milhões de dólares em 2014, estimulado sobretudo pelo crescimento nos downloads de aplicações pagos, pelos serviços de assinatura e pela publicidade.
Esta é uma das conclusões de um estudo realizado pela Juniper Research. Em 2009, disparou o interesse pela utilização de aplicações de AR e browsers nos dispositivos móveis equipados com sistemas GPS, câmaras e bússolas. Estas aplicações podem proporcionar todo um novo nível de interactividade com o utilizador, seja durante a execução de aplicações de jogos, de viagens, de compras online ou de redes sociais.
Mas estas projecções optimistas agora avançadas são questionadas pelo próprio relatório que as avança, já que, de acordo com o documento, apenas alguns modelos de smartphones existentes hoje possuem as funcionalidades necessárias à execução destas aplicações. Mais importante ainda, o relatório, intitulado “Mobile Augmented Reality: Forecasts, Applications & Opportunity Appraisal 2009-2014″, “existem ainda muitas dúvidas sobre a forma como as aplicações de realidade aumentada devem ser comercializadas junto dos consumidores, e que modelo de negócio devem os operadores, fabricantes e fornecedores de conteúdos aplicar”.
Por outras palavras, será possível tornar estas aplicações num negócio rentável?
A AR refere-se, de uma maneira geral, à sobreposição de objectos ou locais da vida real, apresentados ao consumidor através de um visor ou ecrã com informação digital adicional associada, como texto, imagens, animações e links. É possível, por exemplo, visualizar uma rua de uma grande cidade e ter a indicação da localização exacta das máquinas ATM nela instaladas ou das estações de metro mais próximas, etc.
Para fazer tudo isto, os dispositivos móveis necessitam de estar equipados com câmaras, software GPS, sensores de inclinação (acelerómetro) e bússolas, bem como possuir ainda uma ligação wireless de banda larga. O software AR móvel usa estes elementos para identificar a localização e sentido de deslocação do utilizador, identificando nesse percurso quaisquer objectos ou locais previamente geo-referenciados, ou seja, cuja posição foi geograficamente marcada e associada a um conjunto de dados baseado num servidor. O software AR sobrepõe esta informação adicional no objecto real apresentado no ecrã do dispositivo móvel.
As aplicações AR começaram por surgir especificamente para iPhone, sendo o Metro Paris Subway da Presselite um dos primeiros exemplos, em que as localizações das estações de metro mais próximas do utilizador são sobrepostas nas imagens de vídeo em tempo real capturadas pela câmara do iPhone. Os telefones inteligentes baseados no sistema operativo Android, desde que possuam todas as funcionalidades necessárias, contribuirão seguramente para a adopção cada vez maior das aplicações AR, de acordo com o relatório.
Os analistas da Juniper autores do relatório antecipam três possíveis formas de os fabricantes rentabilizarem este negócio: através das receitas provenientes dos pagamentos por download que o utilizador faz; através da venda de pacotes de assinaturas e, por último, através das receitas provenientes de anunciantes.
Mas a Juniper estima que, apesar de todo o interesse à volta das AR móveis, as receitas geradas por estas aplicações em 2010 não deverão ultrapassar os dois milhões de dólares, adiantando no entanto que esta facturação crescerá significativamente a partir do próximo ano, à medida que forem lançadas cada vez mais aplicações.
Outro ponto sublinhado no relatório é que as aplicações AR para empresas começarão também a gerar interesse, tornando-se numa importante fonte de receitas a partir de 2012.
O documento conclui, ainda, que a publicidade baseada nas aplicações AR irá disparar à medida que as marcas e retalhistas começarem a explorar as vantagens de atribuir uma localização a um determinado produto ou promoção.
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