Com a substituição de Leo Apotheker na liderança da SAP, por Bill McDermott e Jim Snabe, a empresa espera reconstruir as relações com os seus clientes e estimular maior inovação dentro da companhia. As mudanças anunciadas provocaram reacções cautelosas embora cheias de expectativa por parte dos analistas. Ainda não se esqueceram dos falhanços mais recentes da empresa.
A saída de Apotheker foi precedida de meses de rumores sobre a revalidação do seu contrato, devido aos seu reinado problemático. A SAP tem enfrentado várias dificuldades nos últimos anos.
Tal como muitas empresas, a SAP tem lutado contra uma economia difícil. As receitas caíram de 11 mil milhões de euros para 10,6 mil milhões, entre 2008 e 2009. Os clientes ficaram descontentes com o aumento das taxas de manutenção implementadas em 2008.
Do ponto de vista da tecnologia, a tem sido muito lenta a reagir à tendências da indústria de TI, como a emergência da cloud
computing e o sofware como uma serviço. Plattner também não está contente com a insatisfação dos empregados. A empresa tenciona resolver todas estas preocupações, diz Plattner.
“O enfoque será no crescimento, na margem e na inovação. E será preciso ter em conta que todos os três têm de ser geridos em simultâneo” , considerou Plattner. “Sem crescimento, nem mesmo as margens largas vão ajudar. Sem inovação, não se consegue crescer. E sem margem não se pode ter uma empresa a funcionar com fluidez.”
A empresa deverá mudar a sua abordagem no desenvolvimento de novas tecnologias, dando atenção não só aos processos de actualização de produtos existentes para desenvolver novas linhas de software.
“As mudanças incrementais já foram uma dos estilos favoritos de desenvolvimento. Isto é bom onde faz sentido,” disse. ” Mas as mudanças radicais também têm de surgir quando há oportunidade para isso. Estamos numa encruzilhada quanto à tecnologia, e veremos mudanças radicais no horizonte. A SAP está do que preparada para tirar proveito dos sistemas bem providos de sis
temas memória interna com um grande número de núcleos paralelos.”
De maneira a concretizar esta inovação, será necessária uma reorganização.
“Teremos mudanças na forma de gerir,” revelou Plattner. Ele prometeu menos níveis hierárquicos de gestão e equipas de desenvolvimento mais ágil “com uma estrutura plana,” anunciou.
Plattner admitiu que os clientes terão peridido alguma confiança na empresa e o moral dos empregados terá sofrido alguns impactos.
Plattner acabou por falar de um dos pontos mais quentes da história recente da SAP: a sua decisão de mudar os clientes para um serviço de assistência – o Enterprise Support – mais caro, embora mais rico.
“A decisão de aumentar as taxas também foi minha,” confessou. ” Não é uma coisa que possamos atribuir ao Leo Apotheker. Cometemos um erro e temos de mudar de rumo, e ganhar a confiança dos clientes mais descontentes. Infelizmente, a liderança da empresa leva com as culpas, sendo justo ou não.”
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