As empresas e agências governamentais devem introduzir o IPv6 nos seus websites abertos ao público nos próximos 24 meses, pois caso contrário as ligações a esses sites tornar-se-ão mais lentas e difíceis, desagradando os seus visitantes.
“A data limite para que os websites externos suportem o protocolo IPv6 é Janeiro de 2012”, adverte John Curran, presidente e CEO do Registo de Números Internet Americano (ARIN- American Registry for Internet Numbers), encarregue da distribuição de endereços IP junto dos ISP e de outros operadores de rede dos Estados Unidos. “Quando chegar o final de 2011, haverá muita gente a ligar-se sobre IPv6 e a ausência de suporte a este protocolo será entendida como algo negativo por parte dos fornecedores de conteúdos”, refere este especialista.
O IPv6 é a há já muito esperada actualização ao principal protocolo de comunicações na Internet actualmente em vigor, o IPv4. Este protocolo usa endereços de 32-bit e pode suportar cerca de quatro mil milhões de endereços IP. Os Registos de Internet Regionais, incluindo o ARIN, anunciaram na passada semana que mais de 90 por cento dos endereços IPv4 estavam já alocados.
O IPv6 foi concebido para resolver o problema da sobrelotação de endereços IPv4. Este protocolo utiliza um esquema de endereçamento de 128-bit e consegue suportar tantos milhares de milhões de endereços IP que o número seria demasiado grande para poder ser reproduzido.
John Curran apela por isso aos operadores de websites que implementem o quanto antes o protocolo IPv6 e não apenas pelos possíveis constrangimentos que esse adiamento pode causar aos visitantes dos sites, mas porque já só existem 10 por cento dos endereços IPv4 disponíveis. “A maioria das pessoas compreende que, se o stock de um determinado bem cair para menos de 10 por cento, é sinal que rapidamente estará esgotado”, sublinha Curran.
Os analistas da indústria prevêem que os endereços IPv4 estarão completamente esgotados em 2012. Quando isso acontecer, os operadores terão que dar endereços IPv6 aos seus novos clientes, que provavelmente passarão a preferir visitar conteúdos que suportem o novo protocolo do que ter que atravessar gateways para aceder a sites IPv4 com menor rendimento.
John Curran diz também que é mais importante para os CIOs configurar os seus websites para o IPv6 do que suportar este protocolo nas suas redes internas. “O mais importante para as empresas é assegurarem que os seus conteúdos na Internet têm conectividade IPv6 para além do IPv4. Essa deve ser a grande prioridade”, diz o responsável do ARIN, para quem “reconfigurar a rede interna da companhia para que passe a suportar o IPv6 já não é tão premente e depende dos benefícios que se considerarem existir para a organização.
Neste momento, apenas uma mão-cheia de websites americanos de grande popularidade suportam o IPv6, entre os quais estão os do Google, Netflix, Limelight e Comcast.
A utilização deste novo protocolo cresceu muito em 2009, embora ainda represente uma pequena fracção do tráfego de Internet total. Vários operadores, entre os quais a Hurricane Electric e a NTT America, reportaram que o tráfego de IPv6 nas suas redes suplicou no ano passado.
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