Um estudo divulgado pela consultora TheInfoPro mostra que os responsáveis pelas decisões de investimento nas grandes empresas apostam na aquisição de tecnologias que optimizem os sistemas que já estão actualmente a utilizar.
Por exemplo, o estudo conclui que as empresas estão a realizar grandes investimentos em thin provisioning, que consiste na alocação de capacidade de armazenamento à medida que esta vai sendo requisitada pelas aplicações, e em tecnologia de eliminação de dados duplicados, que apaga ficheiros duplicados ou blocos de dados, quer no principal nível de armazenamento, quer durante a realização de cópias de segurança.
Por outro lado, o estudo da TheInfoPro concluiu que poucas companhias estão a implementar novas aplicações de negócio, que poderiam, por sua vez, estimular a aquisição de novas tecnologias de armazenamento.
“Os grandes investimentos em armazenamento não regressarão enquanto não forem feitas implementações de novas aplicações de negócio, que implicariam a necessidade de uma maior capacidade de armazenamento”, considera Rob Stevenson, director de investigação da TheInfoPro. “Entretanto, os departamentos de TI irão focalizar-se na melhoria da produtividade dos seus actuais sistemas e nos ajustes ao seu hardware, por forma a prepararem-se para suportar virtualização e cloud computing”.
O estudo da TheInfoPro, que se baseou em entrevistas realizadas a decisores de companhias americanas e europeias, revela também que, embora 45 por cento das Fortune 1000 planeiem aumentar os seus investimentos em armazenamento durante os próximos meses, 29 por cento ainda dizem esperar mais cortes orçamentais. Por outro lado, 41 por cento das companhias de média dimensão prevêem aumentar os seus investimentos em armazenamento já este ano, enquanto 25 por cento antecipam novas reduções nos seus orçamentos.
Entre as principais tecnologias dos chamados “Heat Indexes” da TheInfoPro, que identificam as tendências na adopção de tecnologias novas por parte quer das companhias Fortune 1000 quer das médias empresas, estão os sistemas de arquivamento de e-mail, de gestão de informação de ciclo de vida e de gestão de recursos de armazenamento, de acordo com Ken Male, vice-presidente da TheInfoPro.
Cada companhia da lista Fortune 1000 tem hoje em média 1.2 petabytes de capacidade de armazenamento em disco, pelo que qualquer tecnologia que as ajude a gerir toda esta informação ou a limitar o excesso de dados será recebida de braços abertos, diz Ken Male.
“Estas tecnologias estão na berra, até porque os orçamentos estão mais apertados do que nunca”, afirma este responsável, acrescentando que “é um pouco como o regresso ao futuro. Estas eram tecnologias em que as pessoas estavam interessadas há uns anos atrás e voltam agora a ser populares porque eliminam a necessidade de comprar novos sistemas. Cada vez mais vemos pequenos investimentos em coisas que trazem um rápido ROI”.
O estudo concluiu que os gestores de TI estão interessados em SSD (solid state drives), mas que isso não fará com que as vendas destes dispositivos subam este ano. De acordo com Ken Male, apenas cerca de 50 por cento das Fortune 1000 têm actualmente a tecnologia SSD incluída nos seus planos futuros de investimento em armazenamento. “Existe o interesse, mas não se trata de uma prioridade como seria desejável por muitos”, sustenta.
A pesquisa da TheInfoPro identificou uma tendência no sentido da adopção de sistemas de hierarquização automática de dados e de provisionamento automático de dados, bem como de soluções de backup para virtualização, nomeadamente de gestão a partir de uma única consola.
Com o objectivo de tirar partido desta tendência, a EMC incluiu a nova tecnologia FAST (fully automated storage tiering) nas suas linhas de sistemas de armazenamento Symmetrix, Clariion e Celerra, enquanto a IBM, por seu turno, lançou novas adições aos seus aos seus sistemas de armazenamento grid XIV, bem como uma nova funcionalidade de hierarquização automática de dados. E, segundo Male, também a Hitachi Data Systems está a trabalhar na disponibilização de tecnologia de hierarquização.
Outra área onde os próximos investimentos se poderão focalizar é a da gestão de dados em servidores virtuais e canais de fibra de 8Gbit/seg, diz a TheInfoPro.
Ken Male diz que os protocolos de transferência de dados que convergem o tráfego proveniente das LAN e dos sistemas NAS (storage area network), como os protocolos FCoE e iSCSI, estão a ter cada vez maior popularidade, sem no entanto prever uma grande adopção em massa antes do final de 2011.
O vice-presidente da TheInfoPro diz que, nos próximos 18 meses, os decisores de TI vão decidir se continuam a usar Canais de Fibra de 4Gbit/seg ou se migram para os de 8Gbit/seg. “As empresas sentem-se para já muito confortáveis com os Canais de Fibra de 4Gbit, devendo apenas migrar para os 8Gbit quando actualizarem os seus sistemas”, vaticina.
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