Será que o iPad pode satisfazer as necessidades corporativas?

29 de Janeiro de 2010 às 16:42:31 por Timoteo Figueiró

Após 90 minutos de adjectivos superlativos e de demonstrações acerca do iPad, os quais não conseguem mascarar algum desapontamento entre os participantes na Web, Steve Jobs terminou o seu discurso com uma questão milionária.

SteveJobs_iPad“Será que temos o que é necessário para estabelecer uma terceira categoria de produtos corporativos?”. Os departamentos de tecnologias de informação (TI) tentam descobrir a resposta para esta questão.
Questionámos um conjunto de profissionais de TI e alguns analistas para obter as suas reacções ao anúncio do novo ‘tablet’ da Apple – iPad. Em simultâneo, foi classificado como um grande iPhone, apesar de não suportar chamadas.

Ver ainda:

iPad possui algumas ‘armadilhas’ para as empresas

O ‘gadget’ mais aguardado chega ao mercado

As avaliações corporativas ainda não começaram a ser equacionadas, mas a maioria das pessoas com quem falámos ficaram suficientemente intrigados para experimentarem o novo iPad.
“Estamos a tentar descobrir o que pode significar para a nossa organização”, refere Jake Seitz, arquitecto corporativo na The First American. “Aquilo que é interessante é a inclusão da suite de aplicações de produtividade da Apple – iWorks – no iPad. …Tal parece gritar, ‘as empresas nunca se importaram com o facto de ser barato!’ Em conjunto com uma ‘dock’ que suporta um teclado externo e tem um equipamento corporativo muito capaz”.
A Apple tem salientado o facto de que o iPad foi desenvolvido com o objectivo de ser ‘e-reader’ e esta funcionalidade chamou a atenção de Ross McKenzie, Director de Tecnologias de Informação da Bloomberg School of Public Health.
“Estou animado com a perspectiva that they will be e-readers, mas não suspendo a respiração acerca do facto de que os editores irão tirar partido da plataforma”, refere. (Não tem que suspender a respiração: a Apple criou um loja online, iBook Store, com títulos disponibilizados por editoras de peso como a Penguin, a HarperCollins, a Simon & Schuster, a Macmillan e o Hachette Book Group. Pode encomendar, pagar e descarregar os títulos online.
Ross McKenzie identifica uma aplicação em áreas de nicho e de produtividade pessoal através da exploração das funcionalidades de navegação do iPad. Na medida em que toda a nossa programação é baseada na Web”, refere, “há uma forte possibilidade de que os equipamentos ‘tablet’ possam tornar-se ferramentas de pesquisa para os nossos investigadores e ferramentas de produtividade para todos”.
Esta probabilidade baseia-se na sua experiência como utilizador iPhone. “Pessoalmente, já faço mais com o meu iPhone do que pensei alguma vez fazer com um computador de secretária ou um equipamento portátil. As aplicações pequenas e especificas impulsionam a utilização”, refere.
Esta alteração, que pode ser a aposta da Apple, parece espelhar-se no interior das organizações. “Já notámos o interesse das pessoas em computadores mais pequenos e próximos da dimensão dos ‘netbooks’ e os equipamentos ‘tablet’ empurram as “necessidades” nesta direcção ao tornarem-se mais comuns, quer sejam da Apple ou de um concorrente”, sublinha Craig Bush, administrador deredes na Exactech,. “Os nossos empregados já apreciam os equipamentos reduzidas dimensões da Dell e posso imaginar que vão querer ‘tablets’ no decorrer das suas reuniões e possivelmente para utilizar em viagem”.
Uma das preocupações de Craig Bush: apesar do numero de aplicações iPhone/iPad disponíveis na App Store, a plataforma aplicacional permanece fechada, quando comparada com a do Android da Google. “Muitas empresas tem tido imenso trabalho a desenvolver aplicações para o iPhone e tal pode ser muito caro”, refere.
Precisamente porque o iPad tenciona ser a “terceira categoria” de equipamentos móveis, a empresa e a Apple has some education to do, afirma John Moore, CTO da Swimfish,. “As organizações vão ter que definir, com ajuda da Apple, se existe espaço para este novo equipamento, algures entre o guerreiro móvel equipado com o iPhone e o utilizador no escritório com o seu computador pessoal”, refere.  “Clarificar este aspecto é uma das dificuldades a ultrapassar. Assim que aconteça, os responsáveis de TI irão ter que trabalhar em questões como gestão de ‘patches’, imagem, planos de protecção de segurança/vírus.
Contudo, outros permanecem cépticos que o iPad represente uma terceira categoria móvel e inseguros acerca da rapidez da sua adopção.
“Existe um nicho de mercado que vejo que pode ser preenchido com estudantes que necessitam de reduzir o peso e o volume do equipamento portátil”, refere Brian Jones, engenheiro de redes no Virginia Polytechnic Institute (e entusiasta do iPod Touch e utilizador do iPod Nano). “E existe alguma pressão na comunidade académica para adopção dos equipamentos ‘tablet’ nas salas de aula….Mas não estou convencido que este equipamento possa eliminar a necessidade de um equipamento de computação mais complexo”.
A aparente ausência de multi-tarefa no iPad pode criar uma barreira à utilização, pelo menos para os utilizadores acostumados a esta funcionalidade nos equipamentos portáteis, como seja a criação de uma folha de cálculo ou um gráfico, copiar para uma apresentação e em seguida partilhá-la e enviá-la por correio electrónico para outros utilizadores. “Uma aplicação iPhone não pode aceder a outras aplicações iPhone”, assinala Jason Grigsby, co-fundador da Cloudfour.com. “Como é que funciona com a suite iWork da Apple? Posso criar um gráfico no Numbers e em seguida integra-lo no Pages ou Keynote?”
E a segurança e a gestão permanecem no topo das preocupações, em conjunto com o relativamente fraco suporte corporativo, para todos aqueles com quem falámos. O iPhone tem vindo a adquirir adeptos entre os cépticos de segurança corporativa. Em parte, porque o nível de segurança e de gestão é variável entre as diferentes organizações.
“Exigimos que todas as ligações VPN utilizem autenticações de dois factores e tal tem implicações de segurança”, refere Michael Kamens, Information Security Officer.
A WGBH Educational Foundation, que é um “grande utilizador Apple” refere que para que o iPad se adapte às necessidades das organizações, “a Apple tem que disponibilizar um melhor preço corporativo, resposta mais rápida e adoptar uma arquitectura aberta para que possa afirmar-se como um concorrente”, refere.
“Imagino que as ferramentas de gestão serão disponibilizadas pela Apple ou por outros fabricantes, mas não tenho a certeza que seja uma grande preocupação para os produtos da Apple”, refere Ross McKenzie. “Certamente que não tem sido com o iPhone e com os equipamentos Mac”.
A questão colocada por Steve Job “Será que temos o que é necessário para estabelecer uma terceira categoria de produtos corporativos?” – permanece. Como é que lhe responderia?

Tags: , , ,

Notícias Relacionadas

Insira um comentário, ou crie um trackback no seu próprio site.

Deixe o seu Comentário