Telecomunicações em África enfrentam desafios em 2010

25 de Janeiro de 2010 às 13:12:20 por Timoteo Figueiró

O aumento da concorrência, a procura por novas tecnologias e os problemas no fornecimento de energia são os grandes desafios com que este ano se vai deparar o sector das telecomunicações em África.

Esta são as principais conclusões de um estudo realizado pela Syniverse, um fabricante de aplicações móveis que trabalha com 45 operadores em todo o continente africano.

Na óptica desta companhia, a concorrência irá constituir um facto de pressão quer para pequenos quer para grandes operadores, embora os primeiros terão o desafio adicional de encontrar novas e inovadoras maneiras de gerar receitas ao mesmo tempo que mantêm uma elevada qualidade de serviço com margens de lucro extremamente apertadas.
A penetração móvel em África continua abaixo dos 30 por cento, pelo que existe uma grande margem de crescimento, mas a Syniverse diz que este contexto favorece sobretudo os grandes operadores com elevadas bases de receitas. Nalguns casos, os operadores mais pequenos são obrigados a fechar portas, mas existem oportunidades de negócio para os que conseguirem sobreviver, considera Eugene Bergen Henegouwen, vice-presidente executivo da Syniverse EMEA.
“Os pequenos operadores independentes de África não estão actualmente em risco de morrer, até porque o aumento da concorrência está a afectar todos os tipo de operadores independentemente da sua dimensão”, refere este responsável, para quem “os novatos neste negócio têm excelentes possibilidades de crescimento, estando inclusive melhor preparados para reagir rapidamente às mudanças nas condições de mercado”.
O regime de licenciamento em vários países tem, contudo, favorecido sobretudo os operadores de maior dimensão, ao atribuir licenças unificadas com poucas, se algumas, restrições aos serviços que podem ser oferecidos.
No Quénia, o regime de licenciamento unificado tem permitido às grandes companhias como a Safaricom entrarem no mercado do fornecimento de conteúdos e aplicações, o que tem exercido pressões sobre os pequenos fornecedores deste tipo de serviços, incapazes de concorrer com o poderio da Safaricom.
A África do Sul é, por seu lado, o primeiro país a ter regras que protegem os pequenos operadores, definindo os operadores dominantes e a forma como as grandes companhias interagem com os pequenos fornecedores de conteúdos e aplicações, o que tem ajudado estas últimas a manter-se de portas abertas. A Independent Communications Authority of South Africa tem, por exemplo, uma regra que estipula que os players dominantes não podem oferecer certos serviços, como conteúdo para dispositivos móveis, sendo obrigados a comprar esses conteúdos a fornecedores terceiros, normalmente empresas mais pequenas.
A Syniverse prevê que a crescente concorrência e procura por novas tecnologias fará com que muitas empresas acabem por investir em novas tendências como a LTE (Long-Term Evolution) e o WiMax, bem como em tecnologias fixas, por forma a manterem-se competitivas no mercado.
Embora muitos países contem com segundos operadores de rede fixa, o GSM (Global System for Mobile Communications) está a crescer a um ritmo mais elevado, e até mesmo os antigos monopólios que gerem a maior parte das redes fixas têm preferido investir em infra-estruturas de GSM, uma vez que é aqui que residem as maiores fontes de receitas.
“O facto de as tecnologias móveis apresentarem ritmos de crescimento superiores às fixas representa a oportunidade de negócio com o maior potencial de todas. Os operadores móveis investem significativamente em infra-estruturas e sistemas de suporte operacional e por isso faz sentido que potenciem esses investimentos em fez de se aventurarem em outras categorias do mercado”, afirma o vice-presidente executivo da Syniverse EMEA.
A Syniverse, que fornece aplicações de messaging e roaming aos operadores móveis de todo o continente africano, prevê um aumento na utilização de dados multimédia de alto valor, como os chamados Multimedia Messaging Services e serviços baseados na localização, dos quais as redes sociais são exemplos.
“Os operadores vão ter que trabalhar rapidamente se quiserem estabelecer acordos de negócio que lhes permitam capturar as melhores oportunidades de receitas deste mix de serviços e infra-estruturas”, sustenta o homem da Syniverse.
A energia continuará a ser um dos principais desafios para muitos dos operadores apostados em explorar mercados com problemas no abastecimento e distribuição de electricidade. “A actual infra-estrutura energética do continente africano é insuficiente para satisfazer a procura dos muitos operadores de telecomunicações, o que muitas vezes acaba por resultar em falhas de serviço frequentes, bem como problemas de conectividade”, diz Eugene Bergen Henegouwen.

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