A generalidade das empresas que usam as redes sociais para fins profissionais não implementaram processos formais para adoptar estas ferramentas, sendo que inclusive algumas delas admitem que nem sequer envolveram os seus departamentos de TI.
Esta é uma das conclusões de um e studo patrocinado pela Cisco. “Apenas uma em cada sete empresas participantes na nossa pesquisa reportou a implementação de um processo formal na adopção de redes sociais para fins profissionais, indicando que os potenciais riscos associados a estas ferramentas nos ambientes corporativos ou são ignorados ou não são bem compreendidos”, pode ler-se no relatório com as conclusões do estudo.
Além disso, apenas um em cada 10 inquiridos garante que o seu departamento de TI foi directamente envolvido nas iniciativas de redes sociais, gerando preocupação sobre se as ferramentas de redes sociais estão a ser devidamente integradas nos processos de negócio.
Os resultados são preocupantes, particularmente porque o grupo participante no estudo incluiu apenas empresas que os investigadores dizem ser “particularmente activas” na utilização de redes sociais, pelo que se esperava que contassem com processos e regras em vigor.
O estudo consistiu na entrevista a cerca de 100 empresas em todo o mundo e foi co-realizado a pedido da Cisco pela IESE Business School em Espanha, pelo E. Philip Saunders College of Business do Rochester Institute of Technology nos Estados Unidos e pela Henley Business School no Reino Unido.
As empresas que mais cedo começaram a utilizar as redes sociais fazem-no para chegar, de uma forma mais rápida e eficaz, a clientes, parceiros e fornecedores. Cerca de 75 por cento das empresas utilizam redes sociais como o Facebook, e 50 por cento dizem fazer uma utilização intensiva de serviços de microblogging, como o Twitter.
A Cisco encomendou este estudo porque queria determinar o nível de adopção das redes sociais por parte das empresas, bem como perceber as suas preocupações e factores de inibição, e ainda analisar o envolvimento das TI nos programas de redes sociais das empresas, de acordo com Nick Earle, vice-presidente sénior da Cisco.
Historicamente, o papel do departamento de TI tem sido o de proporcionar um menu de aplicações a partir do qual os utilizadores pudessem seleccionar as que mais lhes convinham, mas a tendência é para que os utilizadores peçam cada vez mais para utilizarem ferramentas de redes sociais sem qualquer envolvimento adicional do departamento de TI, diz Earle.
Muitas iniciativas de redes sociais ainda estão a dar os seus primeiros passos, mas é clara a tendência para uma adopção crescente destas ferramentas, confirma Neil Hair, professor assistente de marketing no Rochester Institute of Technology, um dos investigadores que conduziu o estudo. Quando aderem às novas ferramentas sociais, as empresas têm muitas vezes que ultrapassar questões culturais e certificar-se que os seus empregados compreendem que têm que ser monitorizados em tudo o que dizem no espaço público. Mas os gestores de negócio reconhecem cada vez mais que existem excelentes oportunidades nas redes sociais e que é imperativo que as adoptem cada vez mais nas suas organizações.
Até ao momento, a maioria das iniciativas de redes sociais levadas a cabo por empresas envolve sobretudo o seu marketing e comunicação, mas também em alguns casos os departamentos de recursos humanos e de apoio ao cliente, diz o estudo. Mas embora as redes sociais permitam às empresas alargar a audiência pública das suas estratégias de comunicação, há também uma tendência crescente para a utilização de ferramentas de redes sociais privadas, através das quais realizam comunicações de foro mais reservado.
Mas as implicações da utilização de redes socais para o negócio são frequentemente ignoradas e a maioria das organizações que se move neste espaço ainda não fez nada para definir onde reside o controlo destas iniciativas, sustentam os analistas. O ideal, defendem, seria que as ferramentas de redes sociais se integrassem entre si e com a infra-estrutura de TI existente na organização, mas a verdade é que o papel do departamento de TI neste processo tem sido frequentemente minimizado.
“As empresas precisam de compreender a relação entre negócio, processos, cultura e tecnologia e a forma como cada uma destas áreas ajuda as organizações a implementar um sistema de colaboração eficaz que conduza a um bom desempenho da empresa e ao sucesso do negócio”, conclui a Cisco.
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