O CEO da Arm, Warren East despreza o poderio da Intel no mercado dos processadores e considera que o fabricante não tem qualquer vantagem no desenvolvimento de chips para smartphones.
Durante mais de uma década, a Arm Holdings desenhou chips para dispositivos móveis e smartphones como o iPhone, da Apple. A empresa enfrenta agora um desafio importante: enfrentar a concorrência da Intel. Esta já mostrou até um novo smartphone da LG Electronics – o GW990 – baseado na plataforma Moorestown, do fabricante de chips.
Enquanto a Intel está a tentar entrar no segmento dos pequenos dispositivos, a Arm está a tentar abordar o “território” da Intel com produtos como os computadores tablet, leitores de livros electrónicos e portáteis de baixo custo – denominados smartbooks pelos parceiros da mesma. A Lenovo anunciou recentemente o smartbook de baixo custo Slylight e a HP anunciou estar a desenvolver um também. Os dois serão baseados no processador desenvolvido pela Qualcomm, o Snapdragon, assente no desenho da Arm.
Mas a ARM enfrenta vários desafios. Os processadores da Intel são instalados na maior parte dos netbooks de hoje. E os portáteis de baixo custo baseados nos processadores Arm não suportam o sistema operativo da Microsoft, concebido para os processadores x86 da Intel. Contudo, a Arm espera que dispositivos baseados na oferta da Google, de raíz Linux – Android e Chrome – sejam um grande sucesso.
Em conversa mantida ainda durante a Consumer Electronics Show (CES), o CEO explicou ao Computerworld, as suas posições sobre a concorrêwncia da Intel, a incompatibilidade com o Windows e o futuro dos processadores da empresa.
Computerworld: A Intel demonstrou o primeiro smartphone com ecrã de cinco polegadas. Está a sentir a presença da Intel no mercado dos smartphones?
Warren East: Claro. Já dissemos que um cenário no qual temos 100% de quota de mercado das aplicações nos telemóveis, não poderia continuar. Durante anos, não sentimos que a Intel tivesse conseguido grandes incursões nesse espaço, e provavelmente nunca conseguirá. É que em vez de os fabricantes de dispositivos mudarem de arquitecturas, os produtos da Intel têm de ser significativamente melhores para suplantar o custo da mudança. Nós prevemos que a Intel ganhe terreno à Arm. Mas vai demorar ainda alguns anos até a Intel nos apanhar.
Computerworld- A Arm estabeleceu de facto um mercado nos smartphones. Mas a Intel tem um roteiro e capacidades de produção muito fortes. Como é que a Arm pode reagir?
Warren Easton- Fala-se do roteiro de produção da Intel presume-se que o roteiro da Intel está estático. Bom, os planos da Arm não estão congelados. Nós evoluímos do Arm11 e do Córtex-A8 para o Córtex 9. Estamos a licenciar a geração sob a denominação Cortex A-9, neste momento com grandes níveis de desempenho. Temos um roteiro que tem integrado tecnologias de 64 bits e virtualização.
Depois quando se chega à tecnologia de semicondutores e as pessoas dizem “Bom, a Intel tem alguma tecnologia de semicondutores, mais evoluída”. Talvez ela esteja seis meses à frente da TSMC, da GlobalFoundries e da IBM. Mas nós inauguramos as nossas estruturas de 22 nanómetros ainda no outro dia. A meio de 2010 teremos processadores de 32 nanómetros em volume, durante o corrente ano, produzidos por parceiros da Arm. Portanto não há nenhuma vantagem de processo aí, sequer.
Eles vão fazer progressos, inevitavelmente, porque o mercado é grande e as pessoas deverão querer coisas diferentes. Mas não vejo forma de eles fazerem progressos significativos.
Computerworld-A Intel considera como uma das suas grandes vantagens, o seu ecossistema de desenvolvimento de software, área onde diz que a Arm é fraca. Como tem desenvolvido o ecossistema de software para suportar os vossos dispositivos?
Warren East- A realidade é que o ecossistema da Arm é mesmo forte. Quando a Intel fez os seus comentários há já algum tempo, do que estavam a falar era do ecossistema de software em torno do Arm. E claro isso era verdade!! As aplicações de PC foram dirigidas nos últimos 25 anos para o processador da Intel e não para o Arm. Mas neste mundo de crescimento da Internet em plataforma móvel, não será essa máquina a prevalecer, será o Arm.
Para proporcionar uma boa experiência é necessário ter uma boa experiência de browser, com bons plug-ins e bons sistemas. Os líderes no segmento dos sistemas operativos para dispositivos de consumo, são dirigem os sistemas operativos para PC? Claro que não. Os PC têm 25 anos de história de Microsoft por detrás e ter o Windows é o que se espera de uma caixa cinzenta que parece um portátil. Um cliente do segmento do consumo não quer saber do sistema operativo ou do facto de a tecnologia atrapalhar. Há uma série de browsers, plug-ins e software para possibilitar certas funcionalidades.
Computerworld – A Arm disse que iria dar mais enfoque ao desenvolvimento de processadores aplicacionais para servidores, mas ainda não apresentou quaisquer produtos. Trata-se mesmo de um grande mercado que está a emergir?
Warren East- Dizer “progresso” é um bocado exagerado, mas os servidores serão uma aplicação emergente para nós em poucos ano, nos bastidores da cloud. Vamo-nos posicionar na área dos supercomputadores para aplicações e previsão meteorológica?
Esqueçam isso. Nos bastidores da cloud, sim. O consumo de energia e os custos são elementos fundamentais para esse tipo de ambiente e modelo. E nós temos trabalhado nisso com algumas startups e agora também fizemo-lo com parceiros da área de semicondutores, e alguns fabricantes de servidores e equipamento.
Computerworld- A emergência de portáteis de baixo custo como netbooks e smartbooks surpreendeu-o?
Warren East- Os smartbooks e os netbooks … nós já estávamos à espera, de certa forma. Tentar advinhar o formato não é uma coisa em que pensemos durante muito tempo.
O nosso objectivo é capacitar os semicondutores, para capacitar os fabricantes de equipamento a captar clientes. Pensamos que a nossa tecnologia ajuda, devido ao baixo consumo de energia. E também possibilita graus de integração muito altos. O que significa ter semicondutores de baixo custo.
Quando a Apple fabricou o iPhone, transportou a experiência do consumidor para essa plataforma, e tornou-a fácil de usar, tirando a tecnologia fora do caminho. O que estamos a fazer é a providenciar os motores para capacitar as pessoas a fazerem isso.
Computerworld- A Microsoft mencionou que o seu sistema operativo, Windows 7, não deverá suportar o Arm. Estão a pressionar a Microsoft para obter a compatibilidade com o universo Windows?
Warren East- Estou confiante no meu mundo, com ou sem a Microsoft. Se esta quiser alinhar, então muito bem porque vão aperceber-se de oportunidades que perderiam se não estivessem na área. Ou haverá um suporte muito grande para o Windows, ou a Microsoft terá perdido uma oportunidade. Isso é uma decisão que apenas a Microsoft pode fazer, não podemos decidir por elas. Conseguiríamos acelerar o progresso da Arm para formatos com o logo do Windows? Sim. Qualquer melhoria nisso seria bom para nós. Se o Windows não for compatível com a nossa plataforma, haveremos de conseguir viver sem essa aceleração. E eu até compreendo que para a Microsoft se trata de um grande desafio, porque têm um historial de 25 anos de Windows em cima.
Computerworld: Que bagagem é essa?
Warren East- A questão tem a ver com a impressora velha que guardamos de baixo da cama. Quando compramos um PC novo e se liga ao Windows, ela funciona. Acontece que para o Arm é necessário desenvolver toda essa bagagem. Portanto é uma tarefa de manutenção muito grande.
Computerworld – Ainda existem questões de compatibilidade e facilidade de utilização no Linux, e isso vai demorar a resolver. Isso pode ser um problema para pessoas habituadas ao Windows?
Warren East- Se olharmos para o que foi alcançado nos últimos 18 meses a dois anos, e comparar-mos com os 25 anos do monopólio Wintel, é evidente que a experiência de consumidor nos desktops baseados em Linux, num período relativamente curto está a recuperar muito rapidamente. Não será um problema…
Computerworld- O que fará a Arm nas suas próximas concepções?
Warren East- O que vai acontecer no espaço do mainframe, está a concretizar-se nos chips. Pode-se certamente ir até à tecnologia de 64 bits, à virtualização e por aí diante. É esse tipo de desenvolvimento que vai acontecer. Cada vez que fazemos um novo processador passa sempre por proporcionar mais quilómetros por litro de gasolina. À medida que “encolhemos o silício”, conseguimos acelerar a computação também. Desenvolvemos a arquitectura de computador clássica. Tem tudo a ver com a execução de mais equações de matemática com o mesmo período de tempo.
Tags: acesso à Web, android, ARM, CES, chips, cloud computing, google, mobilidade, netbooks, Previsões 2010, smartbooks, smartphones, Wireless




