Metade dos centros de dados carece de pessoal suficiente

17 de Janeiro de 2010 às 18:04:48 por Timoteo Figueiró

Embora 50 por cento dos directores de TI digam que os seus centros de dados carecem de pessoal em número suficiente, as empresas insistem em focalizar a sua atenção na redução de custos, de acordo com o estudo “State of the Data Center”.

SunBroomfieldDatacenter2Segundo o estudo, realizado pela Applied Research, 16 por cento dos inquiridos afirmam que os seus data centers dispõem de muito pouco pessoal, enquanto 34 por cento declaram não ter profissionais em número suficiente. Ao mesmo tempo, os centros de dados são cada vez mais complexos e difíceis de gerir, com cada vez mais aplicações, dados e maiores exigências em termos de níveis de serviço.
“A complexidade dos data centers conduziu a uma série de desafios relacionados com as equipas profissionais”, considera Sean Derrington, director de gestão de armazenamento e alta disponibilidade da Symantec.
No seu terceiro estudo anual sobre o estado dos data centers, para o qual foram inquiridos 1780 empresas de todo o mundo, cada uma delas com pelo menos mil empregados, a Symantec destaca que, embora haja uma necessidade generalizada de mais pessoal, essa não parece ser uma opção nos dias que correm.
“Recentemente perdemos 25 por cento dos nossos departamentos graças a reduções de pessoal”, admite um gestor de redes de Nova Iorque aos autores do estudo. De acordo com este responsável, não identificado no relatório, “neste momento, estou a desempenhar uma série de funções diferentes. Trabalho a partir de casa e aos fins-de-semana em coisas que nunca tive que fazer antes. Estou simplesmente a tentar fazer mais com menos. Precisávamos mesmo de contratar mais pessoas, mas para já isso não é possível”.
Embora 45 por cento das empresas tenham referido que os seus centros de dados dispõem de pessoal suficiente e cinco por cento tenha mesmo dito que estão com excesso de pessoal, a grande maioria das empresas admitiu problemas em captar os investimentos e a mão-de-obra qualificada necessários para manter as equipas dos seus data centers em níveis saudáveis.
As empresas parecem decididas a reduzir custos de muitas maneiras diferentes, mas muitas das organizações inquiridas (31 por cento) optou pela redução de pessoal em 2009, contra os 24 por cento do ano anterior. Outras iniciativas de redução de custos populares incluem automatização de tarefas de rotina, virtualização e consolidação de servidores, consolidação de data centers, cloud computing e outsourcing.
O estudo chegou ainda a uma conclusão que surpreendeu os investigadores: as empresas de média dimensão (entre dois e nove mil empregados) estão a adoptar novas tecnologias muito mais rapidamente do que as grandes corporações. E entre essas tecnologias estão a virtualização, o cloud computing, a eliminação de dados duplicados, a replicação e a protecção contínua de dados.
E, apesar de muitas vezes se partir do princípio que as grandes empresas são as que mais cedo adoptam as tecnologias emergentes, o estudo da Symantec vem contrariar essa convicção. “As médias empresas estão em vantagem em relação às pequenas e às grandes. Enquanto as primeiras não têm recursos para comprar tecnologia, as segundas demoram demasiado tempo a tomar decisões neste campo. As de média dimensão, por outro lado, têm as condições ideais para adoptar as novas tendências tecnológicas”, afirmou um director de TI de uma companhia de Seattle, EUA, aos autores do estudo.
Por outro lado, de acordo com o estudo, as três principais iniciativas dos data center são a segurança, o backup e a recuperação e protecção contínua de dados. Estas tecnologias foram classificadas pelos inquiridos como sendo mais importantes que a virtualização de servidores, o armazenamento de dados, as green IT e o cloud computing, entre outros.
Tendo em conta que o estudo foi encomendado pela Symantec, um especialista em antivírus, backup e armazenamento, estes resultados não são de estranhar. Contudo, Sean Derrington assegura que o estudo não excluiu empresas que não são clientes da Symantec e que a Applied Research não lhes revelou quantas empresas abrangidas pelo estudo são clientes da Symantec.
O estudo também se focalizou nos planos de disaster-recovery das empresas inquiridas, e deparou-se com boas e más notícias. Em média, os inquiridos reportaram 80 por cento de confiança nos seus planos de DR. Contudo, um terço das empresas admitiu que os seus planos não estão devidamente documentados ou precisam de ajustes. Também um terço das empresas não avaliou os seus planos de disaster-recovery nos últimos 12 meses, e muitos inquiridos nem sequer incluíram ainda os servidores virtuais, os escritórios remotos ou as iniciativas de cloud nos seus planos formais.
Estas conclusões indicam claramente que há muito a fazer ainda no campo do planeamento de DR, admite Derrington. Em média, cada uma das empresas abrangidas pelo estudo sofreu uma interrupção operativa nos últimos 12 meses, em que as principais causas foram falhas nos sistemas e aplicações, desastres naturais e erro humano.

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