A decisão da Google em arriscar a sua expulsão de um dos maiores mercados de Internet revela um problemas cada vez maior: a espionagem da China sobre empresas norte-americanas.
Contudo os especialistas em segurança consideram-na como a admissão mais pública de que existe um problema de TI enorme com as empresas dos Estados Unidos: a contínua espionagem industrial com origem na China. A empresa norte-americana ripostou, dizendo-se indisponível para continuar a censurar as pesquisas realizadas por chineses desde território chinês.
Embora muitos legisladores tenham manifestado opiniões contra os ataques, as grandes corporações nunca reclamaram muito. Procuravam dessa forma, cair nas boas graças das autoridades chinesas.
Ao sugerir que foi o governo de Pequim a patrocinar o ataque, colocou-a no centro de uma controvérsia internacional. Expôs o que parece ser, para já, uma campanha de espionagem, capaz de ter comprometido dados de 30 empresas, a maior parte delas pertencentes à lista das maiores 500 da Fortune.
O referidoa ataque está já mereceu comentários da Secretária de Estado, Hillary Clinton, pedindo explicações ao governo chinês. A responsável disse mesmo que as alegações da Google levantam preocupações e questões muito sérias. “A possibilidade de operar no espaço cibernético é crítico numa sociedade e economia moderna”, disse.
Um dos aspectos mais interessantes da situação é que não foi só a Google, a empresa atacada. E contudo foi esta companhia a descobrir a alegada campanha e a denuncia-la.
A empresa dedicada à publicidade on-line descobriu o problema a meados de Dezembro. Curiosamente, dias após ter organizado um simpósio sobre contornar da censura. O responsável sobre assuntos de legalidade na Google, David Drummond, explicou que a Google tem provas de que os ataques eram dirigidos a contas de activistas chineses defensores dos direitos humanos.” Alcançaram sistemas coma algumas informações e só foram detectados perto do Natal. O problema foi tão grave que o fundador da empresa Larry Page, fez uma reunião na noite de Natal para a avaliar a situação.
Por algumas centenas de dólares é possível usar servidores sedeados na China para fazer ataques, Têm a garantia de nunca poderem ser desactivados. Mas neste caso a empresa pensa que a operação foi patrocinada pelo estado chinês. A equipa de segurança da Google conseguiu ganhar controlo sobre um servidor usado para controlar sistemas vítimas de hacking. Descobriu que mais 33 empresas foram atacadas, incluindo a Adobe.
O principal interesse da China será obter conhecimento sobre propriedade de intelectual para alimentar as necessidades de inovação da sua economia. Há anos que as multinacionais são pressionadas a abrirem laboratórios de investigação e desenvolvimento em território chinês. O objectivo será depois fazer a transferência de conhecimento para mãos chinesas.
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