Perto de 70% da facturação da empresa portuguesa de tecnologia de navegação foi realizada no estrangeiro: em termos globais facturou perto de 22 milhões de euros. Agora a estratégia da empresa será marcada pela consolidação.
A aposta na loja da Apple para aplicações destinadas ao seu iPhone produziu efeitos admiráveis na actividade da NDrive durante os últimos meses. A empresa passou a vender em mais de 50 países e faz uma gestão de vendas muito mais intensiva, segundo o CEO da empresa Luís Baptista Coelho. “O tempo da App Store é muito mais rápido, é na ordem dos dias”, diz. Ainda assim, o responsável não defende a presença na referida loja on-line como medida única de internacionalização para uma empresa portuguesa. A presença física acaba por trazer vantagens diversas. Em entrevista para o Computerworld, o responsável fala da estratégia da companhia cada vez mais dedicada à produção e venda de software de navegação por GPS.
Computerworld – Que percentagem do negócio da NDrive estava ligada aos mercados estrangeiros, em 2008?
Luís Coelho – Cerca de 45%.
CW – Em 2009, esse valor atingiu os 70%. Com que estratégia tencionam fazer crescer a facturação proveniente do estrangeiro até aos 90% ou 100%?
LC – O ano de 2009 foi um ano de expansão geográfica. Na realidade hoje já facturamos em mais de 50 países. Em cerca de 15 dos 50 temos uma quota de mercado importante. Em 2010 interessa-nos estrategicamente crescer mais em mercados onde já somos fortes e fortalecer a nossa presença em mais 5 ou 10 mercados. A diferença estratégica e importante. Em 2009 tentamos vender no maior número possível de mercados. Atingirmos os 50 superou claramente as nossas expectativas; em 2010 vamo-nos focalizar nos nossos 20 mercados mais importantes e ganhar quotas.
CW – Quanto do vosso negócio representará o software em 2009? E quanto deverá representar em 2010?
LC – Na facturação de 2009, o software terá um peso entre os 66% e 70%. Em, 2010 prevemos que seja de 100%.
CW – Quais são hoje os principais factores de evolução do mercado de GPS?
LC – Penso que sem dúvida nenhuma a adopção maciça de soluções de navegação em telefones – a razão pela qual uma parte importante do investimento feito em 2009 pela NDrive foi de estar disponível em todas as plataformas de referência em navegação onboard: no iPhone, na Android, no Windows Mobile e Symbian”.
CW – Que peso tem o mercado empresarial na vossa actividade? E com que estratégia estão a abordar esse segmento?
LC – Neste momento o mercado empresarial não é estratégico para a NDrive, fizemos e fazemos algumas operações esporádicas, essencialmente de carácter promocional e de visibilidade de marca.
CW – Quanto esperam crescer em 2010?
LC – Queremos duplicar a facturação outra vez e crescer quatro vezes em dois anos.
CW – Em termos de tecnologia como poderá evoluir a vossa plataforma? O que falta ainda fazer?
LC – Como às vezes digo: os portugueses chegaram ao Brasil com instrumentos de navegação há mais de 500 anos… Nos últimos cinco séculos as coisas evoluíram de maneira surpreendente, nada nos leva a duvidar que os próximos cinco séculos sejam diferentes … Mas em termos de tecnologia empresas como a nossa tendem a ser reservadas e a não revelar elementos do nosso roteiro de desenvolvimento tecnológico.
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