A indústria mundial de semi-condutores teve um ano tão mau que deverá fechá-lo com uma das suas piores performances desde 1985, de acordo com os últimos números do Gartner.
A consultora de mercado apresentou um estudo onde estima em 226 mil milhões de dólares as receitas totais geradas este ano pelo negócio dos chips a nível mundial. Este número representa uma queda de 11,4 por cento face às receitas geradas em 2008, o equivalente a menos 29 mil milhões de dólares. O Gartner sublinha que os resultados de 2009 representam a primeira vez que as vendas de semicondutores sofreram quebras anuais consecutivas.
“Especialmente pronunciada foi a queda nas receitas do primeiro trimestre de 2009, que deu continuidade à tendência de deterioração do mercado iniciada no último trimestre de 2008”, declarou Stephan Ohr, director de investigação do Gartner.
As previsões do Gartner chegam numa altura em que passou um mês depois de a correctora Morgan Stanley ter baixado a sua valorização para a indústria dos semicondutores de “atractiva” para “cautelosa”, afectando as acções de empresas como a Intel, Nvidia e Micron Technology.
Nessa altura, os analistas da Morgan Stanley, Mark Lipacis e Sanjay Devgan, emitiram um comunicado em que referiam que os excessos de stock e as preocupações à volta das vendas de componentes para PC os levaram a assumir uma postura mais cautelosa face à indústria.
Estas são notícias particularmente más para os observadores da indústria, que têm vindo a emitir previsões positivas acerca do mercado dos semicondutores, afirmando que este iria ser o motor de crescimento e recuperação da economia dos EUA.
Em qualquer caso, o Gartner destaca uma ligeira melhoria no sector no final do primeiro trimestre deste ano, lembrando que as vendas registaram mesmo pequenos crescimentos sequenciais trimestre após trimestre. Não obstante, estes crescimentos não serão ainda suficientes para tirar a indústria da crise.
Há apenas um mês, a IDC apresentou os resultados de um estudo segundo o qual as vendas mundiais de chips para computadores aumentaram de forma significativa no terceiro trimestre o ano, comparativamente com os três meses precedentes. De acordo com os dados da IDC, depois de sofrerem declínios ou, na melhor das hipóteses, de se manterem estagnadas trimestre após trimestre nos últimos dois anos, no terceiro trimestre do ano as vendas de microprocessadores para PC cresceram nada menos que 23 por cento.
De qualquer forma, o ano de 2009, contabilizado no seu conjunto, não foi bom para os fabricantes de semicondutores. “Este foi um ano mau para o segmento dos semicondutores”, confirmou Dan Olds, analista do The Gabriel Consulting Group, salientando no entanto que “nem todos os fabricantes sofreram pela mesma medida”. O analista deu o exemplo das vendas previstas da Samsung para 2009, que deverão crescer 2,55 por cento, enquanto as da Intel “apenas” registarão uma queda de 5,4 pontos percentuais. Por outro lado, outros fabricantes como a STMicroelectronics e a Renesas registam perdas muito superiores.
O Gartner diz que também a Hynix Semiconductor e a Qualcomm registaram crescimentos nas suas receitas de 2,3 e 0,4 por cento, respectivamente.
Mas as empresas que mais sofreram este ano foram a Infineon Technologies, cujas vendas o Gartner prevê que caiam 46,5 por cento, e a Renesas Technology, cujo declínio deverá chegar aos 19,9 por cento. A Advanced Micro Devices deverá, por seu turno, registar um crescimento no seu volume de negócios de 10,1 por cento, de acordo com as previsões do Gartner.
“A AMD e a Intel foram, sem dúvida, afectadas pela redução na procura de PCs e servidores. No entanto, têm boas hipóteses de recuperar em 2010 com a retoma no consumo. Eu acredito que as vendas no mercado do consumo irão subir se os índices de confiança voltarem ao que eram antes da crise. Também o mercado empresarial deverá recuperar, uma vez que as empresas já adiaram o que podiam as renovações dos seus parques”, sublinha Stephan Ohr.
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