Os resultados financeiros da Oracle, Palm e Research in Motion, bem como as previsões optimistas dos analistas para 2010, estão a dar aos investidores razões para acreditarem que as TI terão no próximo ano um desempenho positivo.
Embora ainda permaneçam algumas preocupações à volta da retoma da economia dos Estados Unidos, com receio de que se repita a “retoma sem empregos” do tempo da administração do presidente Jimmy Carter, as acções das companhias tecnológicas estão de uma maneira geral a subir, ao contrário do que acontece noutros sectores da economia. A semana passada começou com o índice Nasdaq a atingir o máximo do ano, fechando a sessão de segunda-feira nos 2212 pontos.
No entanto, esta performance não é extensível aos restantes sectores, já que as acções dos restantes principais índices acabaram por ter uma sessão em baixo, na passada quinta-feira, como consequência do anúncio, por parte do governo, dos números do desemprego, em que os novos pedidos de subsídio de desemprego subiram para os 480 mil na semana passada, contra os sete mil da semana anterior a essa.
O Nasdaq está 46,9 por cento acima dos seus níveis de há um ano atrás, enquanto o índice Dow Jones Composite subiu apenas 16,6 por cento e o Standard and Poor’s 100 registou um crescimento de 18.6 por cento face ao ano anterior. As acções de telecomunicações do Nasdaq e as do Nasdaq Computer estão, respectivamente, 44,4 por cento e 64,4 por cento acima dos níveis do ano passado.
Parte desta confiança demonstrada no mercado tecnológico prende-se com as previsões dos analistas, segundo as quais os investimentos em TI vão registar uma subida significativa no próximo ano, como resultado do aumento da procura quer no segmento empresarial quer no de consumo. No início deste mês, a IDC veio dizer que os investimentos em TI irão crescer 3,2 por cento em 2010, regressando aos níveis de 2008, cujo valor global foi de cerca de 1,5 triliões de dólares.
Além disso, as vendas de tecnologia deste ano não foram tão más quanto o inicialmente esperado. De acordo com o Gartner, as vendas do terceiro trimestre na Europa Ocidental foram superiores ao previsto, o que contribuiu para que, por exemplo, o mercado dos dispositivos móveis feche o ano nos 1,2 mil milhões de unidades, apenas 0,67 por cento abaixo do registado em 2008, contra os 3,7 por cento inicialmente avançados pela consultora. O Gartner prevê agora para 2010 um aumento nas vendas de nove por cento face a 2009, mas chama a atenção para o facto de a pressão sobre os preços acabar por ter um efeito negativo nos volumes de negócio dos fabricantes.
“A pressão vai continuar a existir para os fabricantes, que se vêm assim obrigados a lidar com margens reduzidas uma vez que os preços médios de venda continuam a cair”, afirma Carolina Milanesi, directora de investigação do Gartner. De acordo com esta analista, “o software, os serviços e os conteúdos serão factores muito mais importantes para o crescimento do mercado do que o hardware, obrigando os tradicionais fabricantes de telemóveis a reinventar-se para manterem a competitividade”.
Uma tendência que se deverá verificar no próximo ano é a consolidação das TI. Embora a recessão tenha afectado as vendas deste ano, muitos fabricantes ainda têm reservas resultantes dos lucros obtidos em 2007 e 2008, antes da chegada da crise. Estes fabricantes estão agora em boa posição para tirar partido dos baixos preços das acções para, assim, realizarem aquisições e alargarem os seus portefólios de produtos.
Esta semana, a On Semiconductor veio anunciar que vai investir 108 milhões de dólares na aquisição da California Micro Devices, que, entre outras coisas, fabrica dispositivos para proteger chips. A IBM veio, por seu turno, anunciar que assinou um acordo de aquisição com a Lombardi, um fabricante de BPM (business process management), por uma quantia não divulgada.
Mostrando estar em boa forma, a Oracle divulgou na semana passada os seus resultados do segundo trimestre fiscal, em que o lucro líquido subiu 12 por cento face ao período homólogo do ano anterior, para os 1,5 mil milhões de dólares. O seu volume de negócios subiu também quatro por cento, atingindo os 5,9 mil milhões de dólares.
“Os nossos resultados foram substancialmente melhores do que o previsto inicialmente”, afirmou o CFO da Oracle, Jeff Epstein, em comunicado, acrescentando que “o nosso crescimento sólido, aliado a uma estratégia de despesa disciplinada, foi o factor chave para chegarmos aos 8,4 mil milhões de cash flow gerados ao longo dos últimos 12 meses”.
A Research in Motion também anunciou boas notícias na semana passada, reportando um trimestre muito positivo, sobretudo graças à subida nas vendas de dispositivos BlackBerry. As receitas trimestrais da companhia chegaram os 3,9 mil milhões de dólares, mais 41 por cento do que no trimestre homólogo de 2008, altura em que o volume de negócios foi de 2,78 mil milhões. O lucro líquido do trimestre foi de 628,4 milhões, contra os 396,3 milhões do mesmo trimestre do ano anterior.
O CEO da RIM, Jim Balsillie, disse em comunicado que “estes números foram uma excelente forma de arrancarmos para a época natalícia, reflectindo, bem como as nossas previsões para o último trimestre, a diversidade do nosso portefólio”.
A Palm não esteve tão bem, embora tenha de facto conseguido reduzir as suas perdas trimestrais face ao ano anterior. As perdas da Palm para os três meses terminados a 27 de Novembro foram de 81,9 milhões de dólares, contra os 506 milhões de um ano antes. As vendas da sua linha de novos telefones WebOS ajudaram a companhia a recuperar um pouco na última metade do ano, mas mesmo assim o seu volume de negócios trimestral, de 78,1 milhões de dólares, ficou abaixo das receitas do ano anterior, de 191,6 milhões. “Ainda estamos a iniciar a nossa recuperação”, afirmou Jon Rubinstein, presidente e CEO da Palm, em comunicado.
Mas as reacções a estes anúncios foram, de uma maneira geral, positivas. Embora as acções da Palm tenham caído 0,35 dólares após o anúncio de resultados, já as da Oracle atingiram os 23,85 dólares por acção, mais 0,96 dólares do que antes do seu anúncio. Também as acções da RIM subiram 7,62 dólares para os 71,06.
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