Windows Server 2008 R2 já proporciona processamento de mainframe

2 de Dezembro de 2009 às 17:07:15 por João Nóbrega

Com a Release 2 para o Windows Server 2008, o responsável pelo negócios de servidor da Microsoft Portugal, José Grilo considera que a referida plataforma está pronta para proporcionar desempenhos de computação ao mesmo nível do mainframe. Numa entrevista para o Computerworld, José Grilo fala da forma como as empresas poderão poupar aproveitando o software agora lançado. Pelo meio revela alguns desafios as organizações poderão enfrentar.

Computerworld – Disse-me há pouco que o Windows Server 2008 está apto para desempenhos do nível do mainframe. Está seguro de que a plataforma não o vai deixar mal?
José Grilo
– Complemente. Usando a Release 2 será possível tirar partido de um servidor com 256 processadores lógicos, o que é elevado. Com 64 processadores físicos de quatro núcleos, posso colocar uma datawarehouse “em cima” da máquina ou  meter uma base dados como aqui em Portugal, não existe, com bons desempenhos.  Isso reflecte-se nos ambientes virtualizados porque uma só máquina virtual pode dispor de 64 processadores lógicos. Posso ter máquina poderosa coma um série de máquinas igualmente poderosas

CW – E em termos de poupanças o que traz de novo a Release 2?
JG –
Podem ser cortado custos a diversos níveis. Com o Direct Acess, há possibilidade de se poderá aceder remotamente através de acesso Web, sem necessidade de haver uma VPN. A capacidade de encriptação está embutida na plataforma do Windows 7 e do Windows Server R2.

CW – Isso está ligado à utilização do IPV6?
JG
– Também. É o protocolo usado para essas ligações.

CW – E tem de haver um esforço importante nas empresas para adoptarem essa facilidade, certo?
JG
– Eu tenho uma visão diferente. O IPv6 é uma tecnologia introduzida há vários anos, deve trazer muitos benefícios para as redes, sobretudo na gestão, e os caminhos alternativos que traz, entre outros. Os equipamentos mais recentes todos trazem suporte ao protocolo. E eu conheço muitas empresas que remodelaram as suas infra-estruturas já em conformidade com o mesmo.
Não é necessário investir em hardware. Mas ao introduzir-se um novo conceito,  é preciso fazer o desenho da infra-estrutura de acordo esse novo conceito.

CW – E que investimento é necessário nesse caso?
JG
– Em consultores capazes de definir o desenho adequado da rede, e na formação eventual dos administradores de redes.

CW – Tem ideia de quantas empresas em Portugal já estão preparadas para o protocolo IPv6, considerando que o mercado português é um mercado de PME?
JG –
A implementação numa PME envolverá um investimento muito baixo, porque elas não são muito sofisticadas. Essas tecnologias terão um impacto maior nas organizações maiores. E essas já estão melhor preparadas. Neste período de crise houve, de facto, muitas empresas que reduziram investimentos. Mas ela afectou sobretudo as empresas mais pequenas. As empresas grandes atrasaram um pouco os projectos, mas mantiveram algum nível de investimento.

CW – Mas em termos seguranças, várias questões ganham visibilidade…
JG
– Há uma questão importante: as VPN garantem confidencialidade. E agora que temos o Direct Acess embutido dentro da plataforma, isso não é na realidade uma questão de segurança. Estabelecendo um túnel de VPN, com o Direct Acess, se o PC estiver infectado, a infecção propaga-se através do túnel. Por isso, a protecção periférica copntinua a ser fundamental. Aí também temos novidades na linha de produtos do Forefront. O Unified Access Gateway (novo nome para o Application Intelligent Gateway), que permite efectivamente, introduzir esse nível de segurança adicional. Eu publico aplicações que os utilizadores remotos precisam de usar e o que é trocado entre as aplicações são apenas os comandos que elas reconhecem. Não há acesso aos recursos internos. Só há acesso ao que o perfil do utilizador determina.
Outro produto é o Network Acess Protection, uma função do R2 para verificação da parte interna do PC ao qual está a aceder, verificando as assinaturas de segurança. Verifica se tem a firewall está ligada e pode fazer duas coisas: colocar o computador em quarentena, ou consegue impor, dependendo da política implementada, que PC tem de ter a sua firewall ligada. Ou então envia a mensagem a dizer ao PC para actualizar as suas assinaturas de antivírus.

CW – Que desafios traz esta R2 do ponto de vista do HYper V 2.0?
JG –
O destaque vai para o Live Migratikon, e a capacidade de mudar uma máquina virtual, de um servidor físico para outro, sem quebras de serviço. Isso facilita manutenções e permite muitos cenários de continuidade de negócio. As capacidades de virtualização de desktop também permitem uma série de cenários diferentes: como por exemplo provisionar utilizadores muito esporádicos, de apenas algumas aplicações. Posso publicar só essas aplicações mais fáceis de gerir e actualizar por estarem centralizadas.

CW – Mas há empresas que podem prescindir perfeitamente disso, ou não?
JG
– Se numa empresa a gestão num ambiente distribuído é difícil, vale a pena equacionar outros cenários. O racional é a empresas perceberem o problema e ver como a tecnologia pode ajudar, em vez de adoptar tudo de uma vez. Muitas destas tecnologias não são para uso generalizado, mas sim, para cenários específicos.  Mesmo dentro da mesma empresa eu posso usar cenários diferentes, com desafios diferentes.

CW – E do ponto de vista das licenças e dos custos isso está salvaguardado?
JG
– O investimento nesta plataforma é um custo directo, porque permite pagar menos horas extraordinárias às pessoas para trabalharem em esforço fora de horas.  Os custos acrescidos devido à virtualização implicam uma ponderação, e por isso será necessário recorrer a parceiros da Microsoft para fazerem o estudo para uma utilização racional.

CW – Que desafios ou problemas foram mais frequentes nas implementações feitas pelas organizações pioneiras na adopção da R”?
JG
– Em relação à Release 2 não há de facto nada a reportar. Em relaçõa o Windows7 fizemos um trabalho aturado para assegurar compatibilidade com as aplicações. Aí o trabalho correu muito bem.
Além disso, a mesma máquina tem um melhor desempenho com o Windows 7.
temos um ponto de viragem histórico, porque pela primeira vez um sistema operativo não exige mais do hardware.

CW – O Módulo XP permite usar aplicações que não foram ainda preparadas para o Windows 7, de forma transparente. Mas há um senão…
JG
– Essa solução obriga a usar mais recursos da máquina. Quando tenho o modo XP a funcionar sobre o Window nativo, tenho de ter a certeza que a máquina aguenta esse módulo. Porque já é mais guloso em recursos de hardware. Pode haver impacto no consumo de energia, mas com a gestão do leque possível de estados diferentes de utilização, é possível anular esse excesso. Depois estas situações são sempre transitórias, porque mais tarde ou mais cedo as aplicações acabam por ser migradas.

CW – Com as aplicações virtualizadas e encapsuladas, há impacto no desempenho?
JG
– Há de facto uma diferença. Se eu tiver a aplicação virtualizada, terei mais tráfego. É preciso verificar o que é vantajoso caso a caso, portanto se o meu ambiente de aplicações tiver fragilidades, preciso de ter em conta as aplicações nos postos de trabalho. Ou então disponibilizo as aplicações no servidor de políticas e depois o utilizador vai buscar e instala. Noutras situações com confiança na rede e boa largura de banda,  a centralização de aplicações não é um problema. Caso contrário pode ser penalizado. São cenários não aplicáveis a utilizadores remotos.

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